Seções
• VEJA.comPanorama
• Imagem da SemanaBrasil
• Partidos: PMDB: da resistência democrática ao fisiologismoInternacional
• Itália: A ópera-bufa de BerlusconiGeral
• GentePanoramaSanto do pau ocoAté
a estátua de Zelaya já foi tirada do palácio presidencial,
|
Yuri Cortez/AFP![]() |
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, é um enigma. Por fora, tem todos os clichês do caudilho da velha direita centro-americana, incluindo um porão presidencial cheio de imagens de si mesmo (esvaziado na semana passada, como se vê na foto), cabelos e bigodes tingidos à la Saddam Hussein, chapelão de terrateniente e as terras também. Do pai, herdou um lugar na oligarquia hondurenha, o apelido Mel e uma história trágica, o massacre de uma dezena de agricultores e dois padres militantes numa fazenda pertencente ao velho Zelaya. Eleito presidente pelo partido mais à direita, o Liberal, de repente Mel mudou de lado. Virou o melhor amigo de Hugo Chávez e, como seu novo mentor, passou a planejar a própria e infinita reeleição. Tornou-se uma espécie estranha, um populista com cada vez menos apoio popular. Rompeu com o próprio partido, com o Supremo Tribunal, com o Poder Legislativo e com o comando das Forças Armadas. Ao tentar forçar um plebiscito sobre a reeleição, foi deposto. Agora, com dinheiro de Chávez e apoio de um mundo que não pode aceitar o golpismo, mesmo na situação ímpar de Honduras, vive num volta não volta, tecendo uma imagem heroica de si mesmo. "De forma muito audaz, eu lhes disse: Se trazem ordens de disparar, disparem, não tenho problemas em receber de soldados de minha pátria uma ofensa a mais ao povo", fantasiou sobre o momento da deposição. Na sexta-feira, ensaiou um retorno por terra, cruzou a fronteira e depois recuou. Se voltar mesmo, vai preso, promete o governo interino, resistindo às pressões dos chavistas, da OEA, da ONU, da União Europeia e dos Estados Unidos. Quem vai ganhar?