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Home  »  Revistas  »  Edição 2123 / 29 de julho de 2009


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Estilo

A BRUXINHA É UMA BOA

Aos 19 anos, Emma Watson, a amiga Hermione de
Harry Potter, mostra que está crescendo, aparecendo
e virando um exemplo de jeito bacana de se vestir

AFP
POSES E GRIFES
Emma vê a moda: de babados Versace, de roqueira Gucci
e de marcas descoladas em Nova York


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É difícil pensar numa vida melhor: ter 19 anos, 20 milhões de dólares e os estilistas mais famosos do mundo jogados a seus pés, implorando que use suas roupas. E ainda por cima ser a melhor amiga de Harry Potter. Com tanta coisa a fazer, a inglesinha Emma Watson reserva um passe final de mágica. De um jeito impressionantemente controlado, para quem tem tantas oportunidades de exagerar, está criando um estilo próprio de ser jovem atriz ascendente e encarar, sem decotes nem excessos, a exaustiva tarefa de vestir com classe e modernidade as roupas mais grifadas do planeta. Em outra palavra, Emma é cool. Na ficção, como todo o enfeitiçado universo sabe, Emma é a bruxinha Hermione, a amiga inteligente e prática de Harry Potter, papel que a ocupa mais ou menos oito meses por ano há dez anos, quando começou a atuar no primeiro filme da série. Neste mês, estreou o sexto. Depois da campanha promocional, enfrentará as filmagens do sétimo e do oitavo (o último livro foi desdobrado em dois filmes). Aí, como toda estrela descoberta na infância, terá de sacar da varinha de condão e se reinventar. Tem material para isso.

Emma cresceu na frente de todo mundo sem nada que antecipasse sua transformação em musa do estilo. Como Hermione, era uma menina bonitinha, espevitadinha e, nos tapetes vermelhos, bastante malvestidinha. Em 2007, conheceu Karl Lagerfeld, o gênio da Chanel, e a terra tremeu. Emma precisava de uma introdução nas artes da alta elegância e a Chanel queria, como sempre, cercar-se de uma aura de juventude. Desde então, a jovem atriz descobriu o prazer de andar na moda sem ser engolida por ela. Posou para grandes fotógrafos, usando grandes grifes: Lagerfeld a clicou para a francesa Crash; no caderno de estilo do Sunday Times, apareceu roqueira, de quepe e bota Gucci; na Vogue italiana, usou longos e babados dramáticos, de Valentino a Versace; cheia de atitude, enfeita a Elle inglesa de agosto; diante de Mario Testino, pintou os olhos de preto numa série de anúncios da Burberry. Na carregada agenda de promoção do sexto filme da série, vem exibindo grifes que em geral só os iniciados conhecem: Ossie Clark, Proenza Schouler, Rodarte. Em Nova York, chegou ao show de David Letterman de vestido Charles Anastase, combinado com sapato de amarrar da rede londrina Topshop, e foi ao ar num ousado modelo geométrico Christopher Kane.

Emma nasceu em Paris, filha de advogados ingleses, e lá passou parte da infância. O patrimônio de 20 milhões de dólares foi calculado pela revista Forbes, na qual figura como a sexta Mais Valiosa Jovem Artista da lista deste ano. Em setembro, vai fazer faculdade, provavelmente literatura, provavelmente nos Estados Unidos ("Quero ser um pouco anônima. Quero me sentir normal por um tempo", diz, com arzinho enfadado de quem não sabe o que é isso). Dentro da tradição da escola inglesa de atores, em que impera o esnobismo invertido de rejeitar a todo custo o exibicionismo sem culpa de Hollywood, dirige um Prius, carro elétrico longe de bonito. "É sensato e sem graça. Como eu", compara, com o humor autodepreciativo também imperante na categoria. Mora com o namorado, Jay Barrymore, 26, que trabalha no mercado financeiro, num dúplex em Londres, e com ele vai ao supermercado de tênis, moletom, jaqueta jeans – e bolsa Chanel. "Não há nada de interessante na perfeição", prega, de um jeitinho encantadoramente metido, como Hermione. Não há bruxaria que resista.

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