Edição 1911 . 29 de junho de 2005

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Governo
A voz das ruas

O instituto de pesquisas Ipsos monitora os índices de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu governo. O quadro ao lado permite duas conclusões. Uma é que a população acredita que Lula anda falando mais do que agindo nos últimos tempos; outra, que eventuais mudanças no governo não podem atingir um pilar central – a estabilidade econômica. Uma enquete realizada por VEJA em oito capitais apresenta resultado semelhante. As pessoas acreditam que Lula pode manter-se distante do maremoto de lama, mas deve agir, assim como o Legislativo e o Judiciário, para punir os culpados. VEJA perguntou: "Depois das denúncias das últimas semanas envolvendo o governo do PT, o que você acredita que é preciso fazer para controlar a corrupção?"

 

 
Maior transparência para a população saber o que acontece. Tradicionalmente, quem chega ao poder esbarra na corrupção. Por isso é importante o papel da imprensa.
Adriana Nunes Machado, 29 anos, médica geriátrica. Votou em Lula.
Conscientização. A sociedade também está corrompida e cobra só do governo as soluções. Não dá para esperar que os políticos resolvam seus próprios entraves.
Aldo Ruggieri, 43 anos, chef e proprietário de restaurante. Votou em Lula.

Que as denúncias sejam apuradas com afinco. Os denunciados têm de passar pelo crivo do Ministério Público e da Polícia Federal. A liberação de verbas deve ser transparente.

Ana Brasil, 48 anos, farmacêutica e diretora sindical. Votou em Lula.

Punir os culpados. Se for possível chegar a essa condenação e a uma exposição pública, os corruptos ficarão intimidados e os eleitores receberão uma satisfação.
Caio Ribeiro Decoussau, 29 anos, jogador de futebol. Votou em José Serra.
Mudança. A crise é a parte pontual do problema. Minha decepção é a de alguém que sempre votou no PT e que agora vê que o partido não teve um projeto para o país.
Carlos Dala Stella, 43 anos, escritor e artista plástico. Votou em Lula.
Dispor dos três poderes funcionando habilmente. Fazer com que as leis funcionem. A impunidade é o que faz com que a corrupção persista. O segundo fator seria a reforma política.
Carlos Prado, 64 anos, diretor de empresa. Votou em Lula.
Abrir o Orçamento da União para que se saiba como ele é efetivamente utilizado. Parece não haver controle do dinheiro nem mapeamento que mostre para onde estão indo as verbas.
Cláudio Cohen, 42 anos, músico. Votou em José Serra.
Mudar tudo completamente. O sistema é corrupto, não o governo PT. Agora acharam um detalhe e vão malhar o governo. É coisa da oposição.
Cristiane Garcia, 35 anos, representante comercial. Votou em Lula.

Escolher os ministros pela capacidade técnica, não por indicação política. E a CPI tem de fazer seu trabalho para que a gente, pelo menos, fique sabendo das coisas.
Cristina Scrobot, 38 anos, dentista. Votou em José Serra.

Mudar tudo. Agora alguém resolveu dar um tiro para afundar o barco. Mas nossa sensação é de que isso é rotina na política. O troca-troca entre Legislativo e Executivo é institucionalizado.
Darci Braga, 39 anos, médico sanitarista. Votou em Serra.

Diminuir a transferência de recursos públicos para entidades privadas, como partidos e ONGs. Eleitos e nomeados devem abrir mão do sigilo fiscal e bancário.
Dimitri Brandi de Abreu, 28 anos, procurador federal. Votou em Lula.
Que Lula seja mais ativo e mostre quem realmente manda em seu governo. É inadmissível o PT pretender realizar CPIs brandas. Acho que tem muito petista envolvido.
Eduardo Sampaio,
35 anos, dono de bar. Votou em José Serra.
Que o Judiciário funcione. Audácias como essa acontecem porque eles sabem que não serão punidos. E o governo tem pouca gente capacitada. Isso facilita a corrupção.
Emanuel Pereira da Silva, 40 anos, empresário. Votou em José Serra.
Fazer exatamente o que está sendo feito, a apuração por meio de uma CPI. É preciso mostrar que existem critérios e punição para irregularidades.
Ezer Maria de Moraes Nicola, 52 anos, pequena empresária. Votou em Lula.
Que os políticos criem vergonha na cara e cumpram o seu papel. Teoricamente, eles representam o povo. Na prática, estão no poder pelos próprios interesses.
Fernando Chami, 38 anos, otorrinolaringologista. Anulou o voto.
Futucar mais. CPI não é salvação para a corrupção, mas, se for bem-feita, pode ajudar. É preciso transparência. A decepção é grande, conheço petistas que perderam o chão.
Flavia Quaresma, 38 anos, chef e proprietária de restaurante. Votou em Lula.
Ter esperanças. Sempre houve essa troca de favores. Por interesses eleitorais, agora a oposição joga com isso. Acredito que, com cobrança popular, a CPI possa chegar aos culpados.
Francisco Cordeiro, 42 anos, lojista. Votou em Lula.
Prender todos os envolvidos e torná-los inelegíveis. Quem faz uma vez faz várias. Não é porque perde um mandato que o político se torna honesto.
Gabriela de Lauro Oliveira, 27 anos, consultora gastronômica. Votou em José Serra.
Que o povo tenha consciência. Se as pessoas votassem certo, não haveria corrupção. Essas denúncias não são diferentes de outros escândalos.
Geísa Agnes Soares de Araújo Braga, 26 anos, dentista. Votou em Lula.

 

Fotos Roberto Setton, Drawlio Joca, Marcio Lima, Reuters, Joel Rocha,
Cristiano Mariz, Cristiane Garcia, Selmy Yassuda, divulgação e Antonio Milena

 

 
 
 
 
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