Edição 1911 . 29 de junho de 2005

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VEJA Recomenda

CINEMA

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Uma Garota Encantada: Cinderela sempre funciona


Uma Garota Encantada
(Ella Enchanted,
Estados Unidos/Inglaterra, 2004. Desde sexta-feira em cartaz em São Paulo e Belém) – Ao nascer, Ella (Anne Hathaway, de O Diário da Princesa) ganhou um presente de grego de sua fada madrinha: o dom da obediência. Por mais estapafúrdia que seja a ordem recebida, ela tem de cumpri-la. Sua única saída, portanto, é esconder seu dom, para evitar os abusos de sua madrasta e suas irmãs malvadas – e também para impedir que o cruel rei Edgar venha a usá-la num complô contra seu amado príncipe Char. Tirado de um livro da nova-iorquina Gail Carson Levine e dirigido com muito charme e originalidade, Uma Garota Encantada é uma prova da força da criação dos irmãos Grimm: não importa como se adapte o conto de Cinderela, ele sempre funciona e agrada – aqui, não só às meninas, mas também ao público mais crescido.

 

DVD

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Balzac e a Costureirinha: o poder do pensamento


Balzac e a Costureirinha Chinesa
(Balzac et la Petite Tailleuse Chinoise, China/França, 2002. Europa) – No início dos anos 70, dois rapazes de famílias "reacionárias" são enviados a um remoto vilarejo nas montanhas chinesas para ser reeducados nos princípios do maoísmo. A questão é quem vai reeducar quem: valendo-se de expedientes criativos (como rebatizar uma sonata de Mozart de "Mozart Está Pensando no Camarada Mao", para poder executá-la ao violino), os dois enchem a cabeça dos camponeses de novas idéias. A mais sensível a essa reeducação é a neta do alfaiate, por quem ambos se apaixonam e para quem lêem, às escondidas, obras de Balzac, Flaubert e Gogol. Dirigido pelo chinês Sijie Daí com base em romance de sua autoria, esse belo filme é uma ode ao poder de transformação da literatura, da imaginação e do pensamento. Veja cenas.

 

LIVROS

Eneida, de Virgílio (tradução de Odorico Mendes; Ateliê Editorial; 315 páginas; 69 reais) – O poeta latino Virgílio (70-19 a.C.) inspirou-se nos versos épicos do grego Homero para compor a origem mítica do Império Romano. Em doze cantos, ele narrou a aventura de Enéias, um bravo guerreiro de Tróia que seria o fundador de Roma. Esse clássico da literatura antiga é apresentado aqui em uma tradução também clássica – de Odorico Mendes (1799-1864), autor ainda de traduções em verso dos poemas de Homero, Ilíada e Odisséia. Além de trazer as notas originais do próprio Odorico, essa bela edição vem enriquecida com notas suplementares, um glossário de nomes próprios e mapas das viagens de Enéias.

Obrigado, Jeeves, de P.G. Wodehouse (tradução de Cássio de Arantes Leite; Globo; 280 páginas; 38 reais) – Prolífico autor de quase 100 livros, o inglês Pelham Grenville Wodehouse (1881-1975) é lembrado principalmente como o criador do ocioso ricaço Bertram Wooster e seu fleumático mordomo Jeeves. Obrigado, Jeeves, de 1934, é o primeiro dos onze romances estrelados por essa dupla tipicamente britânica. Mestre do humor, Wodehouse desenvolveu um esquema simples mas muito eficiente para compor as aventuras dos personagens: o atrapalhado Wooster mete-se em enrascadas que só o sensato Jeeves consegue resolver. Nesse livro, cabe ao mordomo salvar seu patrão de um compromisso matrimonial que ele, solteirão boa-vida, não deseja de jeito nenhum. Leia trecho.

 

HISTÓRIA

 

O Outro: o olhar de Kafka

 

Kafka Vai ao Cinema, de Hanns Zischler (tradução de Vera Ribeiro; Jorge Zahar; 167 páginas; 34 reais) – Autor de obras-primas do século XX como O Processo e A Metamorfose, Franz Kafka (1883-1924) era um freqüentador das salas de cinema. O ator alemão Hanns Zischler cruzou com as notas de Kafka sobre filmes quando fez um especial de televisão sobre o escritor checo, em 1978. Passou os vinte anos seguintes pesquisando as referências esparsas que Kafka deixou sobre cinema em suas cartas e diários. Saiu à caça de cartazes e fotogramas de filmes esquecidos do início do século XX, como O Outro. Sua pesquisa resultou em um livro fascinante: o início do cinema visto por um dos maiores gênios literários modernos. Leia trecho.

 

DISCOS

Motown Remixed, vários intérpretes (Universal) – O disco tem por objetivo apresentar os sons da Motown, a gravadora de música negra mais bem-sucedida da história, para uma garotada que cresceu ouvindo hip hop. A tarefa foi entregue a uma turma de DJs (o nome mais conhecido é o de Jazzy Jeff, ex-parceiro do rapper e ator Will Smith) que se dispuseram a virar do avesso os sucessos de artistas como Marvin Gaye e Stevie Wonder. O resultado final soa excelente porque os DJs respeitaram duas características fundamentais do "estilo Motown": o baixo dançante e as qualidades vocais dos artistas da companhia. Nenhuma festa dos próximos tempos será perfeita se não tiver os remixes de Let's Get It On, de Marvin Gaye, e Papa Was a Rollin' Stone, dos Temptations.

The Bravery (Universal) – Surgido há dois anos em Nova York, esse quinteto tem influências da new wave e do pós-punk inglês dos anos 80. O cantor e guitarrista Sam Edincott, por exemplo, parece uma versão remoçada de Robert Smith, vocalista do Cure. Não há demérito na comparação. O Bravery acrescenta outros elementos à sonoridade daquela época, como uma guitarra forte. O grupo lançou um mini-CD no início deste ano e foi saudado como a última palavra em modernidade pelos críticos americanos. O CD de estréia confirma o talento do Bravery. O funk Public Service Announcement e o rock No Brakes são pontos altos do disco.

 

Scofield: Ray Charles envenenado

 

That's What I Say: John Scofield Plays the Music of Ray Charles, John Scofield (Universal) – O guitarrista americano alterna obras cerebrais com discos dançantes. Seu último lançamento pertence à segunda categoria. Scofield presta tributo ao criador da soul music, o cantor e compositor Ray Charles (1930-2004). Ele chamou ex-integrantes da banda de Charles e deixou os vocais sob os cuidados de gente do primeiro time da música de New Orleans, como Aaron Neville e Dr. John. Scofield "envenenou" as composições com solos inspirados no jazz e no funk, mas sem desrespeitar as versões originais.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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