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VEJA Recomenda
CINEMA
Divulgação
 | | Uma
Garota Encantada: Cinderela sempre funciona |
Uma
Garota Encantada (Ella Enchanted, Estados Unidos/Inglaterra, 2004. Desde
sexta-feira em cartaz em São Paulo e Belém) Ao nascer, Ella
(Anne Hathaway, de O Diário da Princesa) ganhou um presente de grego
de sua fada madrinha: o dom da obediência. Por mais estapafúrdia
que seja a ordem recebida, ela tem de cumpri-la. Sua única saída,
portanto, é esconder seu dom, para evitar os abusos de sua madrasta e suas
irmãs malvadas e também para impedir que o cruel rei Edgar
venha a usá-la num complô contra seu amado príncipe Char.
Tirado de um livro da nova-iorquina Gail Carson Levine e dirigido com muito charme
e originalidade, Uma Garota Encantada é uma prova da força
da criação dos irmãos Grimm: não importa como se adapte
o conto de Cinderela, ele sempre funciona e agrada aqui, não só
às meninas, mas também ao público mais crescido.
DVD
Divulgação
 | | Balzac
e a Costureirinha: o poder do pensamento |
Balzac
e a Costureirinha Chinesa (Balzac et la Petite Tailleuse Chinoise,
China/França, 2002. Europa) No início dos anos 70, dois rapazes
de famílias "reacionárias" são enviados a um remoto vilarejo
nas montanhas chinesas para ser reeducados nos princípios do maoísmo.
A questão é quem vai reeducar quem: valendo-se de expedientes criativos
(como rebatizar uma sonata de Mozart de "Mozart Está Pensando no Camarada
Mao", para poder executá-la ao violino), os dois enchem a cabeça
dos camponeses de novas idéias. A mais sensível a essa reeducação
é a neta do alfaiate, por quem ambos se apaixonam e para quem lêem,
às escondidas, obras de Balzac, Flaubert e Gogol. Dirigido pelo chinês
Sijie Daí com base em romance de sua autoria, esse belo filme é
uma ode ao poder de transformação da literatura, da imaginação
e do pensamento. Veja
cenas.
LIVROS Eneida,
de Virgílio (tradução de Odorico Mendes; Ateliê Editorial;
315 páginas; 69 reais) O poeta latino Virgílio (70-19 a.C.)
inspirou-se nos versos épicos do grego Homero para compor a origem mítica
do Império Romano. Em doze cantos, ele narrou a aventura de Enéias,
um bravo guerreiro de Tróia que seria o fundador de Roma. Esse clássico
da literatura antiga é apresentado aqui em uma tradução também
clássica de Odorico Mendes (1799-1864), autor ainda de traduções
em verso dos poemas de Homero, Ilíada e Odisséia.
Além de trazer as notas originais do próprio Odorico, essa bela
edição vem enriquecida com notas suplementares, um glossário
de nomes próprios e mapas das viagens de Enéias. Obrigado,
Jeeves, de P.G. Wodehouse (tradução de Cássio de
Arantes Leite; Globo; 280 páginas; 38 reais) Prolífico autor
de quase 100 livros, o inglês Pelham Grenville Wodehouse (1881-1975) é
lembrado principalmente como o criador do ocioso ricaço Bertram Wooster
e seu fleumático mordomo Jeeves. Obrigado, Jeeves, de 1934, é
o primeiro dos onze romances estrelados por essa dupla tipicamente britânica.
Mestre do humor, Wodehouse desenvolveu um esquema simples mas muito eficiente
para compor as aventuras dos personagens: o atrapalhado Wooster mete-se em enrascadas
que só o sensato Jeeves consegue resolver. Nesse livro, cabe ao mordomo
salvar seu patrão de um compromisso matrimonial que ele, solteirão
boa-vida, não deseja de jeito nenhum. Leia
trecho. HISTÓRIA  |  | O
Outro: o olhar de Kafka | |
Kafka
Vai ao Cinema, de Hanns Zischler (tradução de Vera Ribeiro;
Jorge Zahar; 167 páginas; 34 reais) Autor de obras-primas do século
XX como O Processo e A Metamorfose, Franz Kafka (1883-1924) era
um freqüentador das salas de cinema. O ator alemão Hanns Zischler
cruzou com as notas de Kafka sobre filmes quando fez um especial de televisão
sobre o escritor checo, em 1978. Passou os vinte anos seguintes pesquisando as
referências esparsas que Kafka deixou sobre cinema em suas cartas e diários.
Saiu à caça de cartazes e fotogramas de filmes esquecidos do início
do século XX, como O Outro. Sua pesquisa resultou em um livro fascinante:
o início do cinema visto por um dos maiores gênios literários
modernos. Leia
trecho. DISCOS Motown
Remixed, vários intérpretes (Universal) O disco tem
por objetivo apresentar os sons da Motown, a gravadora de música negra
mais bem-sucedida da história, para uma garotada que cresceu ouvindo hip
hop. A tarefa foi entregue a uma turma de DJs (o nome mais conhecido é
o de Jazzy Jeff, ex-parceiro do rapper e ator Will Smith) que se dispuseram a
virar do avesso os sucessos de artistas como Marvin Gaye e Stevie Wonder. O resultado
final soa excelente porque os DJs respeitaram duas características fundamentais
do "estilo Motown": o baixo dançante e as qualidades vocais dos artistas
da companhia. Nenhuma festa dos próximos tempos será perfeita se
não tiver os remixes de Let's Get It On, de Marvin Gaye, e Papa
Was a Rollin' Stone, dos Temptations. The
Bravery (Universal) Surgido há dois anos em Nova York, esse
quinteto tem influências da new wave e do pós-punk inglês dos
anos 80. O cantor e guitarrista Sam Edincott, por exemplo, parece uma versão
remoçada de Robert Smith, vocalista do Cure. Não há demérito
na comparação. O Bravery acrescenta outros elementos à sonoridade
daquela época, como uma guitarra forte. O grupo lançou um mini-CD
no início deste ano e foi saudado como a última palavra em modernidade
pelos críticos americanos. O CD de estréia confirma o talento do
Bravery. O funk Public Service Announcement e o rock No Brakes são
pontos altos do disco.
 |  | Scofield:
Ray Charles envenenado | |
That's
What I Say: John Scofield Plays the Music of Ray Charles, John Scofield
(Universal) O guitarrista americano alterna obras cerebrais com discos
dançantes. Seu último lançamento pertence à segunda
categoria. Scofield presta tributo ao criador da soul music, o cantor e compositor
Ray Charles (1930-2004). Ele chamou ex-integrantes da banda de Charles e deixou
os vocais sob os cuidados de gente do primeiro time da música de New Orleans,
como Aaron Neville e Dr. John. Scofield "envenenou" as composições
com solos inspirados no jazz e no funk, mas sem desrespeitar as versões
originais. |