|
Radar
Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)
GOVERNO Sem o dedo de Duda O
pronunciamento de Lula na noite de quinta-feira passada, defendendo o seu governo
das acusações de corrupção, não foi dirigido
por Duda Mendonça ao contrário do que estava previsto. Horas
antes da gravação, o publicitário teve de deixar Brasília
em direção a Salvador por causa de um problema de saúde do
cunhado. O capital
do presidente Uma pesquisa telefônica encomendada pela Secom a
um grande instituto logo após a fala de Lula na TV foi recebida com alívio
no Palácio do Planalto. As 1.400 entrevistas, realizadas em todos os estados,
revelaram que 70% dos brasileiros consideraram que Lula foi sincero e 73% gostaram
do que ouviram ainda que o presidente não tivesse tocado em seu
pronunciamento no neologismo do momento, o mensalão.
Geléia geral Teve de tudo no caldeirão
de possibilidades imaginadas por Lula e seus assessores mais próximos para
a reforma ministerial. Um exemplo: a fusão do Ministério das Cidades
com o da Integração Nacional. Dança
das cadeiras Vai mesmo rolar uma troca de cadeiras no Palácio
do Planalto serão dez ao todo, a um preço de 39.000 reais.
Calma. Trata-se de mobiliário mesmo. Também estão sendo comprados
pela Presidência da República novos tapetes, mesas e sofás,
a um custo total de 87.000 reais. A
Presidência é fogo Não se pode reclamar. A Presidência
da República já tomou a primeira providência concreta para
pôr fim ao incêndio das últimas semanas. Acaba de contratar
cinco empresas especializadas em equipamentos contra incêndio. Isso é
que é licitação oportuna.
Pouca transparência Os leilões
realizados pela internet, chamados de pregões eletrônicos, são
lembrados como solução toda vez que alguma crise é detonada
por casos de corrupção. Mais transparentes, inibem a roubalheira.
Mas a verdade é que a coisa anda tão embaçada na máquina
estatal que esses pregões representam apenas 2,1% do total das compras
dos governos federal, municipais e estaduais, segundo um levantamento inédito
que será divulgado nos próximos dias. Ou seja, nesse quesito o Brasil
ainda está opaco como a água do Rio Tietê.
As articulações em torno do déficit
nominal zero Geraldo
Barbosa/Ag. O Globo
 | | Palocci
e Lula: entusiasmo com a idéia trazida por Delfim Netto |
Caminha célere a articulação em torno da meta do déficit
nominal zero que é a diferença entre todas as receitas e
as despesas, incluindo o pagamento dos juros da dívida do setor público.
Na terça-feira passada, houve uma segunda reunião sobre o assunto.
Foi na casa de Antonio Palocci. Contou com Lula e Delfim Netto, além do
ministro. Sugerida por Delfim em outro encontro há duas semanas, a meta
de zerar o déficit nominal visa a derrubar dramaticamente as taxas de juros.
Lula e Palocci apóiam a idéia com mais entusiasmo do que se imagina.
A missão agora é tentar o suporte de outras forças políticas
para que uma proposta de emenda constitucional nesse sentido passe no Congresso.
Nos próximos dias, uma nova reunião sobre o assunto e com os mesmos
personagens terá lugar em Brasília. | |
CONGRESSO De
FHC para Dirceu O advogado José Carlos Dias,
ex-ministro de FHC, foi contratado por José Dirceu para processar Roberto
Jefferson. Amigão de Janene No
PMDB, o parlamentar mais próximo do enrolado deputado José Janene,
um dos acusados de receber o mensalão, é José Borba, que
até a semana passada era líder do partido na Câmara. É
compadre de Janene e seu amigão do peito.
ELEIÇÕES 2006 Em campanha José
Serra virou onipresente em eventos tucanos. Na quarta-feira passada, participou
de um jantar com os cinqüenta deputados da bancada do PSDB na Câmara,
em Brasília. Alguns deputados comentaram depois que nunca viram Serra tão
simpático e solícito. Apoio da
indústria Aloizio Mercadante está
discretamente construindo pontes para que a Fiesp apóie sua candidatura,
ainda que não oficialmente, ao governo paulista no ano que vem.
ECONOMIA Petrobras
paraguaia O nosso "imperialismo" avança na
América do Sul: a Petrobras está negociando a compra de uma distribuidora
de combustíveis no Paraguai. De bolso
cheio Foi de 3 milhões de euros a comissão
que Naji Nahas recebeu da Telecom Italia por ter intermediado o acordo da operadora
com o Opportunity de Daniel Dantas. O que há
na Petros O Conselho Fiscal da Petros, o segundo
maior fundo de pensão do país, está de fato rachado
o presidente do conselho e um outro conselheiro rejeitaram as contas da atual
administração do fundo de pensão da Petrobras. Mas, ao contrário
do que se escreveu aqui na semana passada, o conselho não se reuniu neste
mês nem quaisquer de seus dirigentes foram chamados a Brasília.
ITAMARATY Mais um
livro na escolinha Tem novidade na bibliografia
do cursinho de duas semanas que o secretário-geral do Itamaraty, Samuel
Pinheiro Guimarães, inventou e ministra aos diplomatas que estão
sendo transferidos de posto. Além dos três livros que constam do
"currículo" desde o ano passado, agora os alunos terão de ler Kicking
Away the Ladder, do coreano Ha-Joon Chang obra que critica as "idéias
econômicas que os países desenvolvidos impõem às nações
em desenvolvimento". TELEVISÃO
O batom do Silvio Silvio
Santos desistiu de contratar a turma do Pânico (deixando Gugu Liberato
aliviado), mas não pára de pensar em negócios mesmo
que sejam fora da TV. Agora, planeja usar um terreno que acaba de comprar ao lado
da sede do SBT para voltar a investir numa indústria de cosméticos.
AmBev traz Stella ao Brasil Divulgação
 | | Stella
Artois: marca global da InBev |
Acabou
o segredo: será na próxima sexta-feira o lançamento no Brasil
da Stella Artois, cerveja criada na Bélgica em 1366 e hoje uma das marcas
globais da InBev. A Stella está sendo lançada em vários países,
assim como a Brahma, dentro da estratégia traçada pela InBev. Inicialmente,
a Stella chegará ao consumidor apenas em chope e em São Paulo
depois vêm a cerveja e a distribuição no restante do país.
Ao contrário do que se especulou, o produto será fabricado aqui,
pela AmBev, e não importado. Mas custará mais caro que os chopes
e as cervejas populares, como a Brahma.
| | Colaborou
Ricardo Valladares
|