Edição 1911 . 29 de junho de 2005

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André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

• GOVERNO

Sem o dedo de Duda
O pronunciamento de Lula na noite de quinta-feira passada, defendendo o seu governo das acusações de corrupção, não foi dirigido por Duda Mendonça – ao contrário do que estava previsto. Horas antes da gravação, o publicitário teve de deixar Brasília em direção a Salvador por causa de um problema de saúde do cunhado.  

O capital do presidente
Uma pesquisa telefônica encomendada pela Secom a um grande instituto logo após a fala de Lula na TV foi recebida com alívio no Palácio do Planalto. As 1.400 entrevistas, realizadas em todos os estados, revelaram que 70% dos brasileiros consideraram que Lula foi sincero e 73% gostaram do que ouviram – ainda que o presidente não tivesse tocado em seu pronunciamento no neologismo do momento, o mensalão.

Geléia geral
Teve de tudo no caldeirão de possibilidades imaginadas por Lula e seus assessores mais próximos para a reforma ministerial. Um exemplo: a fusão do Ministério das Cidades com o da Integração Nacional.

Dança das cadeiras
Vai mesmo rolar uma troca de cadeiras no Palácio do Planalto – serão dez ao todo, a um preço de 39.000 reais. Calma. Trata-se de mobiliário mesmo. Também estão sendo comprados pela Presidência da República novos tapetes, mesas e sofás, a um custo total de 87.000 reais.

A Presidência é fogo
Não se pode reclamar. A Presidência da República já tomou a primeira providência concreta para pôr fim ao incêndio das últimas semanas. Acaba de contratar cinco empresas especializadas em equipamentos contra incêndio. Isso é que é licitação oportuna.

Pouca transparência
Os leilões realizados pela internet, chamados de pregões eletrônicos, são lembrados como solução toda vez que alguma crise é detonada por casos de corrupção. Mais transparentes, inibem a roubalheira. Mas a verdade é que a coisa anda tão embaçada na máquina estatal que esses pregões representam apenas 2,1% do total das compras dos governos federal, municipais e estaduais, segundo um levantamento inédito que será divulgado nos próximos dias. Ou seja, nesse quesito o Brasil ainda está opaco como a água do Rio Tietê.

 

As articulações em torno
do déficit nominal zero

Geraldo Barbosa/Ag. O Globo
Palocci e Lula: entusiasmo com a idéia trazida por Delfim Netto

Caminha célere a articulação em torno da meta do déficit nominal zero – que é a diferença entre todas as receitas e as despesas, incluindo o pagamento dos juros da dívida do setor público. Na terça-feira passada, houve uma segunda reunião sobre o assunto. Foi na casa de Antonio Palocci. Contou com Lula e Delfim Netto, além do ministro. Sugerida por Delfim em outro encontro há duas semanas, a meta de zerar o déficit nominal visa a derrubar dramaticamente as taxas de juros. Lula e Palocci apóiam a idéia com mais entusiasmo do que se imagina. A missão agora é tentar o suporte de outras forças políticas para que uma proposta de emenda constitucional nesse sentido passe no Congresso. Nos próximos dias, uma nova reunião sobre o assunto e com os mesmos personagens terá lugar em Brasília.

 

• CONGRESSO

De FHC para Dirceu
O advogado José Carlos Dias, ex-ministro de FHC, foi contratado por José Dirceu para processar Roberto Jefferson.

Amigão de Janene
No PMDB, o parlamentar mais próximo do enrolado deputado José Janene, um dos acusados de receber o mensalão, é José Borba, que até a semana passada era líder do partido na Câmara. É compadre de Janene e seu amigão do peito.

 

• ELEIÇÕES 2006

Em campanha
José Serra virou onipresente em eventos tucanos. Na quarta-feira passada, participou de um jantar com os cinqüenta deputados da bancada do PSDB na Câmara, em Brasília. Alguns deputados comentaram depois que nunca viram Serra tão simpático e solícito.

Apoio da indústria
Aloizio Mercadante está discretamente construindo pontes para que a Fiesp apóie sua candidatura, ainda que não oficialmente, ao governo paulista no ano que vem.

 

• ECONOMIA

Petrobras paraguaia
O nosso "imperialismo" avança na América do Sul: a Petrobras está negociando a compra de uma distribuidora de combustíveis no Paraguai.

De bolso cheio
Foi de 3 milhões de euros a comissão que Naji Nahas recebeu da Telecom Italia por ter intermediado o acordo da operadora com o Opportunity de Daniel Dantas.

O que há na Petros
O Conselho Fiscal da Petros, o segundo maior fundo de pensão do país, está de fato rachado – o presidente do conselho e um outro conselheiro rejeitaram as contas da atual administração do fundo de pensão da Petrobras. Mas, ao contrário do que se escreveu aqui na semana passada, o conselho não se reuniu neste mês nem quaisquer de seus dirigentes foram chamados a Brasília.

 

• ITAMARATY

Mais um livro na escolinha
Tem novidade na bibliografia do cursinho de duas semanas que o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, inventou e ministra aos diplomatas que estão sendo transferidos de posto. Além dos três livros que constam do "currículo" desde o ano passado, agora os alunos terão de ler Kicking Away the Ladder, do coreano Ha-Joon Chang – obra que critica as "idéias econômicas que os países desenvolvidos impõem às nações em desenvolvimento".

 

• TELEVISÃO

O batom do Silvio
Silvio Santos desistiu de contratar a turma do Pânico (deixando Gugu Liberato aliviado), mas não pára de pensar em negócios – mesmo que sejam fora da TV. Agora, planeja usar um terreno que acaba de comprar ao lado da sede do SBT para voltar a investir numa indústria de cosméticos.

 

AmBev traz Stella ao Brasil

Divulgação
Stella Artois: marca global da InBev


Acabou o segredo: será na próxima sexta-feira o lançamento no Brasil da Stella Artois, cerveja criada na Bélgica em 1366 e hoje uma das marcas globais da InBev. A Stella está sendo lançada em vários países, assim como a Brahma, dentro da estratégia traçada pela InBev. Inicialmente, a Stella chegará ao consumidor apenas em chope e em São Paulo – depois vêm a cerveja e a distribuição no restante do país. Ao contrário do que se especulou, o produto será fabricado aqui, pela AmBev, e não importado. Mas custará mais caro que os chopes e as cervejas populares, como a Brahma.


Colaborou Ricardo Valladares

 

 

 

 
 
 
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