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Comportamento
Beleza russa, tipo exportação
Modelos, tenistas, misses e, sobretudo,
esposas a Rússia tornou-se um celeiro que
abastece o Ocidente com mulheres bonitas

Ruth Costas
Saeed Khan/AFP
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| Natalie Glebova, miss Universo 2005, nasceu
na Rússia. |
A beleza elegante das russas está na
moda. Altas e de traços delicados, elas estão nas
capas das revistas de moda, nas passarelas, nos filmes de Hollywood
e nos concursos de beleza. A canadense Natalie Glebova, vencedora
do concurso Miss Universo deste ano, é uma imigrante russa.
Nas pistas de tênis, brilha a loiríssima siberiana
Maria Sharapova, a desportista mais bem paga do momento. Além
de bonitas, as russas são bem-educadas e estão desesperadas
por um marido estrangeiro. Com esses predicados, são as preferidas
dos americanos e europeus que tentam encontrar uma noiva por intermédio
de sites e agências especializadas em casamentos internacionais.
Eles pagam 100 dólares para consultar o cadastro de jovens
disponíveis e outros 3.500 dólares para viajar a Moscou
ou São Petersburgo e conhecer as pretendentes reunidas pelas
agências. "Os americanos e os europeus preferem as russas
porque acham que elas são menos exigentes que suas conterrâneas",
disse a VEJA a historiadora Barbara Engel, professora da Universidade
do Colorado, nos Estados Unidos, especialista em história
das mulheres na Rússia.
Elas tendem realmente ao tipo Amélia.
Em geral, estão dispostas a fazer todo o trabalho doméstico,
tomar conta do marido e, muitas vezes, ainda trabalhar fora. Tudo
isso sem reclamar. Para completar o quadro, faltam homens na Rússia,
onde se estima existir um excedente de 10 milhões de mulheres.
A maior parte das russas que procuram estrangeiros para casar tem
entre 18 e 35 anos e grau universitário. São engenheiras,
contadoras e professoras que recebem salários baixíssimos
e têm de suar para pagar as contas. Frustradas com a falta
de empregos e oportunidades numa Rússia ainda trôpega
na economia de mercado, essas jovens sonham em tentar a sorte no
exterior e vêem na união com estrangeiros uma chance
de melhorar de vida.
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| Oferta de noivas russas na internet: 1 milhão
de páginas especializadas |
Outro fator que contribui para que uma em cada
três russas de 17 a 25 anos sonhe em casar com um estrangeiro
são os maus hábitos de seus conterrâneos. Um
adulto na Rússia bebe em média o equivalente a 14
litros de álcool por ano, mais do que o dobro do que consome
um americano. Os índices de alcoolismo são altíssimos
e os casos de violência doméstica, freqüentes.
Não é à toa que as taxas de divórcio
na Rússia estão entre as mais altas do mundo
e que as divorciadas, muitas vezes com filho, ajudam a engrossar
as filas de pretendentes a um príncipe encantado europeu
ou americano. A situação atingiu tal intensidade que
se converteu em tema de controvérsia política. Um
partido de inspiração fascista, o Liberal Democrata,
até apresentou ao Parlamento um projeto de lei para deportar
as mulheres "pouco patriotas" que resolvem se unir a homens de outras
nacionalidades. Os ultranacionalistas referem-se às jovens
russas como um "tesouro nacional" e propõem que os bens daquelas
que "traem a pátria" sejam distribuídos entre seus
parentes ou expropriados pelo Estado.
Com tantas demandas sentimentais a explorar,
o negócio das agências de matrimônio e sites
que oferecem aos solteiros a oportunidade de conhecer mulheres russas
está crescendo num ritmo exponencial. Ao procurar pela expressão
"Noivas russas" em inglês no site de buscas Google é
possível encontrar mais de 1 milhão de páginas
na internet. Misturados a agências sérias, há
vigaristas cujo único objetivo é extorquir dinheiro
dos incautos e outros que alimentam redes de pornografia e prostituição.
Mesmo os casamentos arranjados por empresas sérias envolvem
riscos para ambos os lados. Em alguns casos as mulheres estão
interessadas apenas no dinheiro de seus pretendentes e eles só
descobrem a enrascada em que se meteram quando as esposas já
deram no pé, levando o que puderam carregar. "Já as
jovens noivas russas correm o risco de encontrar pela frente um
parceiro violento", diz a cientista política Norma Noonan,
autora do livro As Mulheres Russas na Política e na Sociedade.
"Como muitas jovens não conhecem ninguém nem falam
a língua do país em que estão, dependem de
seus noivos para tudo e ficam muito vulneráveis." É
aí que o sonho de uma vida tranqüila e um casamento
perfeito pode virar pesadelo.
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