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Brasil Os
cofrões do "Freddy Krueger" A ex-mulher
de Valdemar Costa Neto diz que o PL comprou um partido  Felipe
Patury
Heudes
Régis
 | MARIA
CHRISTINA A ex-mulher de Valdemar revelou a VEJA
no ano passado a existência de um dos cofrões do deputado |
Uma
personagem esfuziante entrou na crise política. Desde que foi citada pelo
deputado Roberto Jefferson como uma das principais testemunhas do mensalão,
a socialite Maria Christina Mendes Caldeira voltou a assombrar seu ex-marido,
o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, citado como um dos operadores do esquema
de mesadas criado pelo PT. Há um ano, eles protagonizaram uma das separações
mais estrepitosas já vistas em Brasília. Na ocasião, Maria
Christina disse a VEJA que tinha comprado a pedido de Valdemar um "cofrão",
mas que não sabia o que o deputado guardava nele. Na semana passada, sua
memória reavivou-se. Segundo ela, Valdemar guardava dólares e maços
de reais no cofre da casa de Brasília. Aliás, em dois cofres, de
1,60 metro de altura. O deputado também teria um em seu apartamento em
Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo. Usava um cofrão em cada
cidade porque, de acordo com o relato de sua ex-mulher, ele só paga as
contas em dinheiro. Para custear uma viagem a Paris
com Maria Christina, Valdemar teria retirado 40.000 dólares do cofrão
brasiliense. A conta de 12 000 dólares do hotel Plaza Athénée,
um dos mais caros da capital francesa, teria sido paga em dinheiro, segundo ela.
A socialite diz que não sabe de onde vinha tanto dinheiro nem se Valdemar
pagava mensalão a deputados. E que Valdemar contou-lhe que teria pago,
sim, para que o PST se fundisse com o PL em janeiro de 2003. Por último,
afirma que seu ex-marido era íntimo do tesoureiro do PT, Delúbio
Soares, outro acusado de operar o mensalão. Valdemar, diz ela, encontrava-se
com Delúbio em hotéis e teria sido um dos poucos não petistas
a ir ao aniversário do pai do tesoureiro em 2003. O assessor de imprensa
do deputado, Vladimir Porfírio, confirma que Valdemar tem um cofrão
em Brasília e outro em Mogi das Cruzes. Nega todo o resto. Inclusive, o
tamanho dos cofres, que seriam muito menores do que a socialite diz. Ed
Ferreira/AE
 | COSTA
NETO Ele assombra ela, e ela assombra ele |
Há um ano, quando Maria Christina contou as agruras de sua separação,
Valdemar cortou a água, a luz e o telefone da casa onde ela morava. Em
seguida, abriu na Justiça oito processos contra a ex-esposa. O deputado
também processa VEJA por ter publicado a reportagem sobre sua separação.
Maria Christina diz que, na ocasião, recebeu ameaças de morte e
deu queixa na polícia contra o deputado. Desde que Roberto Jefferson a
citou como testemunha do mensalão, voltou a receber ameaças de morte
por telefone. Acredita que o ex-marido está por trás das ligações.
"Agora, só o chamo de Freddy Krueger: não morre e vive me assombrando",
diz. Mas o ex-casal está quite: ele assombra ela, e ela assombra ele. |