Edição 1911 . 29 de junho de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Bons tempos aqueles em que os Três Poderes eram o Exército, a Marinha e a Aeronáutica! No Congresso, só porque não estão se vendendo, alguns se acham de esquerda. E alguns, só porque se acham de esquerda, acham que não estão se vendendo.

Aviso à CPI (qualquer uma): cherchez la femme (qualquer uma)

O primeiro cidadão histórico que pronunciou a frase (não em francês, claro, em aramaico) foi Salomão. Assim mesmo: "Procurem a mulher". Desde então a frase foi dita pelos mais variados autores. Até por Juvenal, o Millôr dos velhos tempos: Nulla ferre causa est in qua femina litem Moverit.

No século XIX a frase chegou a Alexandre Dumas, pai (aquele do "Todos por um e um por todos"), em Les Mohican de Paris (vol. III, cap. 10). Aparece várias vezes no romance, e é repetida na sétima cena do ato III, da peça do mesmo autor.

A expressão percorreu, e percorre, mundo e, se você quer saber em alemão, lá vai: "Wie heisst sie?".

Eva, no Paraíso, Helena, em Tróia, Maria Antonieta, em Versalhes, Rosane Canapi, na Presidência Collor, Elba Farias, do PC Farias, a ministra Zélia de Mello, do tango lo mango, Roseana Murad, do Sarney, até as ligadas a Pitta e Luxemburgo (esqueci o nome delas, que injustiça!), tudo, história e cotidiano, traz de volta a frase incitadora.

Chegou até à história em quadrinhos POGO, dando nome a um personagem – Churchy-la-femme.

A frase ecoou também quando o senador Edward Kennedy se meteu em Chappaquiddick com a jovem Mary Jo Kopechine, e descobriram a morte trágica da moça, senão o jornalismo americano continuaria a endeusar os Kennedy, tomando-os pelo seu valor de face, pelo rótulo. Possivelmente Edward teria sido eleito presidente dos Estados Unidos, o mundo não teria visto Watergate e o reaganismo com sua guerra nas estrelas, joystick de Reagan. E, não tivessem chercheado Monica Lewinsky, o moralismo americano não se teria aberto tanto ao ridículo, como contrapartida tornando o boquete altamente popular (com o efeito colateral de ser anticoncepcional) no mundo inteiro.

Em tempo: o autor declara que nada desta cultura foi colhido no Google.

Ainda em tempo: a idéia serôdia de que onde há confusão há a presença (parda) de uma mulher parece se confirmar, aqui e agora, com o depoimento da ex-senhora Costa Neto e o sorriso maroto, diz, não diz, da secretária Somaggio.

Mas queremos deixar claro que em absoluto não endossamos o viés machista desta nota. E que jamais gritamos no tráfego: "Mulher guiando!"


Enquanto isso na dispensa...

 
 
 
 
topovoltar