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Cartas  | "Consertar
vaso quebrado não é fácil. O mais prático é
devolvê-lo ao oleiro, transformá-lo em barro e refazê-lo. Reeleição?
Esqueça!" Eraldo Velasco
Rondonópolis, MT |
Crise
no governo Continuo perplexa com tanta corrupção
e incrédula na punição dos envolvidos. A estratégica
saída do onipotente José Dirceu foi a conveniência da hora,
mais nada. Afinal, que papel o presidente Lula escolherá para justificar
essa bandalheira petista? Passar por "desinformado" do que acontece dentro da
própria casa é o melhor caminho. Mas acredite, presidente, vai ser
difícil engolir tamanha distração ("Nocaute", 22 de junho). Síssi
Filassi Uberaba, MG Tive a oportunidade
de votar em Lula em duas eleições presidenciais, pois ele era para
mim a última esperança para o Brasil. Dois anos e meio depois de
Lula ter subido a rampa do Planalto, tenho a impressão de que meu último
ídolo foi desmascarado. Eu não tinha essa sensação
desde que descobri que o Papai Noel que me trouxe um skate era, na verdade, meu
vizinho com bafo de cachaça. Charley Langkammer Londres,
Inglaterra A estrela se apagou, o povo ainda não
chorou, mas o Brasil está agonizando. Que lástima! Elionai
Lima Machado Iowell, Massachusetts, Estados Unidos
A revista VEJA, em sua edição 1 910, no artigo "O amigo oculto",
afirma que o empresário Fernando Antônio de Moura "ficou amigo também
de Luis Favre". Essa informação é inverídica e solicito
que seja retificada. Acredito não conhecer o empresário citado e
não sou nem nunca fui amigo dele. Luis Favre São Paulo,
SP Ô revistinha... Ô revistinha boa!
Parabéns por desmascarar políticos como Roberto Jefferson, ave de
rapina cuja laia vem assolando nossa pátria, mãe tão distraída,
há séculos ("Nocaute", 22 de junho). Márcio José
de Oliveira Promotor de Justiça Divinópolis, MG
Claro que tem conserto! O Brasil está aprendendo
a ser resiliente. Ricardo Denti Junior Frederico Westphalen, RS
Boletim da junta médica brasileira: conserto
tem, porém a expectativa de vida será reduzida a quatro anos. Valter
S. Real São Paulo, SP Pode até
ser que o governo tenha conserto, mas as marcas do remendo estarão sempre
lá, visíveis. Uma eterna cicatriz que o tempo não apaga. Rodrigo
Paes Lima Goiânia, GO O deputado
Zé Dirceu pode até ter as mãos limpas, como disse, mas não
está parecendo. Para a mulher de César não bastava ser honesta,
tinha de parecer honesta. O presidente Lula perdeu o trem da história e
embarcou na carruagem da mídia quando deixou de dar um chega-pra-lá
nesse companheiro no caso da morte de Celso Daniel, prefeito de Santo André,
ou até mesmo no caso Waldomiro Diniz. Agora é tarde. O ponto passou
e a maionese já desandou. Adelson Jose Fontes Santos São
Paulo, SP É inacreditável
que Lula, com toda sua trajetória, seja ainda um homem tão ingênuo,
inocente, a ponto de não perceber o que se passa debaixo de suas barbas.
Será que uma pessoa assim tem condições de governar um país? Ruth
Brayner Recife, PE Surpreendeu-me
a informação de que a popularidade do presidente continua intacta.
Espera aí! É chamar o povo brasileiro de masoquista. As próprias
cartas que vão para a revista mostram a indignação de seu
eleitorado! Tarcísio Beserra Sobral, CE
Veja essa "Vou esperar o que o Parreira vai fazer" (Lula,
na seção Veja essa de 22 de junho, brincando ao responder sobre
a reforma ministerial). Senhor presidente, Parreira trocou meio time. Ricardo
Teixeira da Fonseca Bom Jesus do Itabapoana, RJ
Holofote Gostaria de esclarecer que, em minha palestra
na Uniderp, em Campo Grande, relatei as razões que me levaram a assinar
o requerimento da CPI dos Correios. Isso havia levado o meu líder, senador
Delcídio Amaral, com quem tenho mantido uma relação de amizade
e respeito, a dizer que eu o tinha decepcionado por tomar uma decisão diferente
daquela da maioria da bancada. Ao fim da palestra, pedi que se perguntasse aos
presentes se recomendariam aos senadores do PT assinar o requerimento da CPI.
Todos no auditório levantaram a mão, positivamente. Isso ocorreu
em 6 de junho, quando saiu a primeira entrevista do deputado Roberto Jefferson
na Folha. No dia seguinte, felizmente, o líder e todos os senadores
do PT assinaram o documento que apoiou a realização da CPI ("Com
amigos como esses...", Holofote, 22 de junho). Senador Eduardo Matarazzo
Suplicy Brasília, DF Ayaan Hirsi
Ali Fiquei muito feliz ao ler a entrevista com a política
holandesa Ayaan Hirsi Ali (Amarelas, 22 de junho), que demonstrou personalidade
e força para superar os preconceitos e absurdos praticados pelos fundamentalistas
islâmicos contra as mulheres. Que sirva de exemplo e que seus filmes possam
denunciar esses abusos e sensibilizar o mundo islâmico com a percepção
de que a verdadeira essência de qualquer religião é de amor
ao próximo e respeito às diferenças. Alex Vilanova
Bispo São Paulo, SP Eu gostaria
de expressar minha indignação com as opiniões veiculadas
nesta revista com respeito à religião do Islã na edição
1.910. Refiro-me, primeiramente, à entrevista com a senhora Ayaan Hirsi
Ali. Em seguida, ao artigo sobre o novo livro do escritor Salman Rushdie e à
reportagem "Quando a religião é um mal". Acredito ser democrático
e socialmente justo dar-nos o direito da réplica, mesmo que no espaço
destinado aos leitores. Acredito que comparar o Islã ao fascismo é
algo leigo, coisa de alguém que desconhece as ciências políticas
e os costumes tribais de seu próprio país, a Somália. Sendo
ela uma universitária tão brilhante como dito na reportagem, tenho
de deixar aqui o meu protesto com respeito a essa manifestação de
ignorância ou fragoroso engano de colocação. Abdullah
Buanamade Líder religioso da Mesquita Bilal Al Habachi São
Paulo, SP Solidarizei-me com o sofrimento
de Ayaan desde sua infância conturbada. Mas gostaria de esclarecer que a
clitorectomia, ao contrário do citado na entrevista, é uma prática
tribal africana muito anterior ao islamismo. Em nossa religião, a mulher
tem não só o direito como o dever de estudar, e não apenas
decorar o Alcorão sem nada entender. Eu gostaria de registrar aqui,
numa revista que luta sempre pela verdade e contra os preconceitos, a minha indignação,
como milhares de muçulmanos e muçulmanas pelo mundo, com o estigma
que vem sendo dado a essa brilhante e próspera religião. E, como
várias muçulmanas do Brasil, estudei, me formei (em medicina, há
seis meses), não fui clitorectomizada e tenho toda a liberdade para escolher
quem será meu marido! Que Allah tenha misericórdia de sua alma e
piedade de suas palavras. Abir Faissal Ellakkis Campo Grande, MS
Mesmo com seu sexo violado no âmago,
a menina Ayaan se transformou em uma mulher cuja admirável firmeza é
um exemplo para muitas brasileiras vítimas dos mesmos absurdos machistas
que são praticados no Islã. Ubiratan Soares São
Paulo, SP Idéias opostas que causam discussões,
ameaças. A senhora Ayaan Hersi Ali defende um "ideal" e por isso quer que
o mundo islâmico a respeite; a população do Islã, por
sua vez, tem sua crença, e como todos (inclusive Ayaan) merece respeito.
Defender suas idéias sem atacar o "adversário". É disso que
o mundo precisa, é isso que a gente quer. Paz! Camila Matos Teresina,
PI Religião Em
relação ao artigo "Quando a religião é um mal" (22
de junho), é preciso que se registre que o Novo Testamento nunca incita
à violência. Jesus Cristo disse ter vindo trazer a espada (Mt 10,34;
Lc 12,5). Mas a simples leitura do contexto faz entender que Ele só falou
da divisão que seria conseqüência de seu ensinamento, e da oposição
e rejeição que seus seguidores sofreriam, inclusive por parte dos
familiares. Mas vendo que os discípulos não atinavam que havia falado
em sentido metafórico, o Senhor interrompeu-se imediatamente com um simples
"Basta". Empregou ainda a mesma expressão quando um discípulo feriu
o servo do pontífice (Lc 22,51). E exprimiu toda a sua indignação
contra o uso da espada, ou seja, da violência, geradora de outras violências,
repreendendo o discípulo: "Guarda a tua espada na bainha! Pois todos os
que usam a espada, pela espada morrerão". (Mt 26,52). Spártaco
Francesco Ciccotti São Paulo, SP
Edemar Cid Ferreira É inegável que o senhor
Edemar Cid Ferreira deve ser contratado para protagonizar dramalhões mexicanos.
Como ele se refere à "nossa casa" quando ela não está em
sua relação de patrimônio? Ele se faz de vítima, e
no entanto existem muitas outras: cada ex-funcionário que teve de encarar
parentes, amigos e clientes que acreditaram em seu "sonho" e perderam suas economias. Ana
Paula Batista Belo Horizonte, MG Crise
no governo 2 Esclareço que, ao contrário
do que diz a reportagem "O pagador do mensalão" (22 de junho), o publicitário
Marcos Valério Fernandes de Souza em nenhum momento participou, direta
ou indiretamente, da campanha eleitoral do hoje ministro da Integração
Nacional, Ciro Gomes, à Presidência da República, em 2002.
Para ser mais exato, afirmo que o ministro não conhece o referido publicitário
nem jamais teve algum contato com ele. Egídio Serpa Assessor
especial de imprensa do ministro da Integração Nacional Brasília,
DF Na reportagem "Nocaute"
(22 de junho) sou citado como um dos beneficiários de acordos financeiros
para trocar de legenda à época, havia saído do PSDB
para o PTB. Esclareço que minha ida para o PTB não envolve interesses
financeiros nem fisiológicos. Não tenho cargo no governo e voto
independentemente de acordos políticos, seguindo apenas as minhas convicções.
Jovair Arantes Deputado federal (PTB-GO) Brasília, DF
Há alguns meses essa revista me "brindou" com uma reportagem intitulada
"O 'resolvedor da República'" (8 de setembro de 2004). Choveram "potenciais
clientes" em meu escritório e eu perdi um longo tempo explicando a cada
um deles que era apenas um advogado. Novamente, os 6 milhões de leitores
de VEJA foram erradamente informados de que sou "especialista em 'embargos auriculares',
e outras modalidades que não constam dos manuais jurídicos mais
ortodoxos". Peço que seja esclarecido aos leitores que a informação
não é verdadeira. As maiores testemunhas disso são os ministros
dos tribunais nos quais tenho a honra de advogar. A tribuna é minha única
arma, e eu quero evitar outra leva de "clientes" indesejáveis. Quanto ao
restante da matéria, no que diz respeito a mim, gostaria de registrar que,
se um repórter tivesse me contatado, saberia que não apoiei nenhuma
tentativa de demissão de ninguém, até porque só estive
com o senhor Marcos Valério em uma única ocasião, por não
mais que dois minutos, na qual ele se apresentou a mim e trocamos cartões.
Nunca nos relacionamos nem sequer falamos ao telefone. Mesmo o Silvio Pereira,
apontado como meu "amigo do peito", ressalto que, infelizmente, não o é;
estive com ele apenas quatro ou cinco vezes. Por fim, afirmo que sou advogado
do senhor Daniel Dantas apenas em matéria penal, sem jamais ter tentado
convencer o ex-ministro José Dirceu (este, sim, meu amigo, e por quem nutro
grande admiração e respeito) a defender seus interesses comerciais
junto ao governo. Antônio Carlos de Almeida Castro Por e-mail
Corrupção
Confirmo o recebimento de contribuições.
Zé Geraldo Deputado federal (PT-PA)
ANP Sobre
as reportagens "Baixinho de 1,85 m" (1º de junho) e "Mais um na mira" (15
de junho), esclareço que não sou filiado a nenhum partido. Minha
trajetória na ANP iniciou em 1998, como analista técnico por contrato
temporário. Até chegar à posição atual de superintendente
de refino, exerci o cargo de assessor de superintendência e o de coordenador-geral
de fiscalização, tendo exercido o cargo de superintendente de abastecimento
no período de outubro de 2003 a fevereiro de 2005. Se, por diferentes partidos
políticos, meu nome chegou a ser cogitado por três vezes para o cargo
de diretor técnico da ANP, foi em virtude de minha atuação
técnica. Os dados estatísticos disponibilizados no site da ANP relativos
a solventes, nos quais VEJA se baseou para indicar o aumento nas importações,
não representam toda a importação desse derivado de petróleo,
pois diversos outros solventes importados não estão ali computados.
Essa tabela faz referência apenas a uma seleção de produtos,
conforme nota de rodapé dela constante. Ainda que, com base nesses dados,
imputar o aumento de 78% das importações de solventes entre 2002
e 2004 à minha responsabilidade não procede. Minha gestão
corresponde somente ao ano fiscal de 2004, período em que ocorreu uma redução
de 1%. Foi no ano anterior, 2003, que as importações, com base nos
mesmos dados, aumentaram 80%. Quanto a ter autorizado empresas acusadas de sonegação
e de adulterar combustíveis a elevar suas importações de
solventes, não se deve olvidar o artigo 5º, LVII da Constituição
Federal: "Ninguém será considerado culpado até o trânsito
em julgado de sentença penal condenatória". A sindicância
não é uma "caça às bruxas", ela foi instaurada obrigatoriamente,
por força do artigo 144 da Lei nº 8112/1990. O objetivo desse procedimento
é a apuração dos fatos divulgados por VEJA. Os fatos sob
sindicância dizem respeito não a mim, mas à Agência
Nacional do Petróleo, uma vez que todos os atos praticados pela superintendência
de abastecimento foram convalidados pela diretoria colegiada da ANP. Eugênio
Roberto Maia Superintendente de refino e processamento de gás natural
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
Rio de Janeiro, RJ
Stephen Kanitz De maneira brilhante, Stephen
Kanitz definiu felicidade, mostrando que a aquisição de bens de
consumo não é o melhor caminho para a realização pessoal.
O mal do mundo contemporâneo é supervalorizar símbolos de
riqueza, que são vendidos como mostras de felicidade ("Uma definição
de felicidade", 22 de junho). Humberto Cavaliere Por e-mail
André Petry
O artigo "Lula em seu labirinto" (22 de junho), de André Petry, é
uma síntese exponencial daquilo que se tornou o homem que representava
a grande mudança para as camadas mais humildes da população
brasileira: um inepto, na melhor das hipóteses. Parabéns, Petry. Sérgio
Tavares São Luís, MA
Diogo Mainardi Sobre a coluna de Diogo Mainardi
(22 de junho), esclareço que o Banco do Brasil "não levará",
como não levou, "torcedores a Atenas". Vale lembrar que o Banco do Brasil
é o patrocinador oficial do vôlei brasileiro, em todas as categorias,
há catorze anos. Nas últimas Olimpíadas, o Brasil conquistou
três medalhas na modalidade (duas de ouro e uma de prata). Henrique
Pizzolato Diretor de marketing e comunicação Brasília,
DF
CORREÇÕES: O nome da empresa
responsável pela pesquisa citada na matéria "Absolvido, mas enrascado"
(22 de junho) é The Gallup Organization (www.gallup.com),
e não Instituto Gallup. • A Inglaterra não exige visto de
estudante para cursos de até seis meses ou cursos de graduação
de qualquer duração ("Como obter o visto de estudante", Guia, 22
de junho).
Violência contra crianças
No
artigo "Flor de Pessegueiro" (15 de junho), André Petry tratou do
abuso sexual na infância e na adolescência. Segundo Daniel Gonçalves,
coordenador do projeto Jornalista Amigo da Criança, da Agência de
Notícias dos Direitos da Infância (www.andi.org.br),
o destaque dado a esse tema "estimula a co-responsabilidade dos profissionais
de comunicação no enfrentamento do abuso e da exploração
sexual, que afetam milhares de meninos e meninas no país". Ângela
Bastos, autora do documentário Flor de Pessegueiro, agradeceu "a
sensibilidade de VEJA e de André Petry pelo espaço dedicado ao assunto"
e espera que seja possível levar o vídeo a muitas pessoas. As doutoras
Maria Amélia Azevedo, professora titular do Instituto de Psicologia da
USP e coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança (www.usp.br/ip/laboratorios/lacri),
e Viviane Guerra, pesquisadora do laboratório, informam que desde 1994
lutam para livrar as crianças de outra violência de que são
vítimas: a palmada. "Temos uma campanha intitulada Crescer sem Palmada
(www.palmadajaera.com),
com 232 615 assinaturas de cidadãos brasileiros que desejam o fim dessa
prática na educação das nossas crianças", alertou
Maria Amélia. | | |