Edição 1911 . 29 de junho de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Consertar vaso quebrado não é fácil. O mais prático é devolvê-lo ao oleiro, transformá-lo em barro e refazê-lo. Reeleição? Esqueça!"
Eraldo Velasco
Rondonópolis, MT

Crise no governo

Continuo perplexa com tanta corrupção e incrédula na punição dos envolvidos. A estratégica saída do onipotente José Dirceu foi a conveniência da hora, mais nada. Afinal, que papel o presidente Lula escolherá para justificar essa bandalheira petista? Passar por "desinformado" do que acontece dentro da própria casa é o melhor caminho. Mas acredite, presidente, vai ser difícil engolir tamanha distração ("Nocaute", 22 de junho).
Síssi Filassi
Uberaba, MG  

Tive a oportunidade de votar em Lula em duas eleições presidenciais, pois ele era para mim a última esperança para o Brasil. Dois anos e meio depois de Lula ter subido a rampa do Planalto, tenho a impressão de que meu último ídolo foi desmascarado. Eu não tinha essa sensação desde que descobri que o Papai Noel que me trouxe um skate era, na verdade, meu vizinho com bafo de cachaça.
Charley Langkammer
Londres, Inglaterra

A estrela se apagou, o povo ainda não chorou, mas o Brasil está agonizando. Que lástima!
Elionai Lima Machado
Iowell, Massachusetts, Estados Unidos  

A revista VEJA, em sua edição 1 910, no artigo "O amigo oculto", afirma que o empresário Fernando Antônio de Moura "ficou amigo também de Luis Favre". Essa informação é inverídica e solicito que seja retificada. Acredito não conhecer o empresário citado e não sou nem nunca fui amigo dele.
Luis Favre
São Paulo, SP

Ô revistinha... Ô revistinha boa! Parabéns por desmascarar políticos como Roberto Jefferson, ave de rapina cuja laia vem assolando nossa pátria, mãe tão distraída, há séculos ("Nocaute", 22 de junho).
Márcio José de Oliveira
Promotor de Justiça
Divinópolis, MG  

Claro que tem conserto! O Brasil está aprendendo a ser resiliente.
Ricardo Denti Junior
Frederico Westphalen, RS  

Boletim da junta médica brasileira: conserto tem, porém a expectativa de vida será reduzida a quatro anos.
Valter S. Real
São Paulo, SP

Pode até ser que o governo tenha conserto, mas as marcas do remendo estarão sempre lá, visíveis. Uma eterna cicatriz que o tempo não apaga.
Rodrigo Paes Lima
Goiânia, GO  

O deputado Zé Dirceu pode até ter as mãos limpas, como disse, mas não está parecendo. Para a mulher de César não bastava ser honesta, tinha de parecer honesta. O presidente Lula perdeu o trem da história e embarcou na carruagem da mídia quando deixou de dar um chega-pra-lá nesse companheiro no caso da morte de Celso Daniel, prefeito de Santo André, ou até mesmo no caso Waldomiro Diniz. Agora é tarde. O ponto passou e a maionese já desandou.
Adelson Jose Fontes Santos
São Paulo, SP  

É inacreditável que Lula, com toda sua trajetória, seja ainda um homem tão ingênuo, inocente, a ponto de não perceber o que se passa debaixo de suas barbas. Será que uma pessoa assim tem condições de governar um país?
Ruth Brayner
Recife, PE  

Surpreendeu-me a informação de que a popularidade do presidente continua intacta. Espera aí! É chamar o povo brasileiro de masoquista. As próprias cartas que vão para a revista mostram a indignação de seu eleitorado!
Tarcísio Beserra
Sobral, CE

 

Veja essa

"Vou esperar o que o Parreira vai fazer" (Lula, na seção Veja essa de 22 de junho, brincando ao responder sobre a reforma ministerial). Senhor presidente, Parreira trocou meio time.
Ricardo Teixeira da Fonseca
Bom Jesus do Itabapoana, RJ

 

Holofote

Gostaria de esclarecer que, em minha palestra na Uniderp, em Campo Grande, relatei as razões que me levaram a assinar o requerimento da CPI dos Correios. Isso havia levado o meu líder, senador Delcídio Amaral, com quem tenho mantido uma relação de amizade e respeito, a dizer que eu o tinha decepcionado por tomar uma decisão diferente daquela da maioria da bancada. Ao fim da palestra, pedi que se perguntasse aos presentes se recomendariam aos senadores do PT assinar o requerimento da CPI. Todos no auditório levantaram a mão, positivamente. Isso ocorreu em 6 de junho, quando saiu a primeira entrevista do deputado Roberto Jefferson na Folha. No dia seguinte, felizmente, o líder e todos os senadores do PT assinaram o documento que apoiou a realização da CPI ("Com amigos como esses...", Holofote, 22 de junho).
Senador Eduardo Matarazzo Suplicy
Brasília, DF

 

Ayaan Hirsi Ali

Fiquei muito feliz ao ler a entrevista com a política holandesa Ayaan Hirsi Ali (Amarelas, 22 de junho), que demonstrou personalidade e força para superar os preconceitos e absurdos praticados pelos fundamentalistas islâmicos contra as mulheres. Que sirva de exemplo e que seus filmes possam denunciar esses abusos e sensibilizar o mundo islâmico com a percepção de que a verdadeira essência de qualquer religião é de amor ao próximo e respeito às diferenças.
Alex Vilanova Bispo
São Paulo, SP  

Eu gostaria de expressar minha indignação com as opiniões veiculadas nesta revista com respeito à religião do Islã na edição 1.910. Refiro-me, primeiramente, à entrevista com a senhora Ayaan Hirsi Ali. Em seguida, ao artigo sobre o novo livro do escritor Salman Rushdie e à reportagem "Quando a religião é um mal". Acredito ser democrático e socialmente justo dar-nos o direito da réplica, mesmo que no espaço destinado aos leitores. Acredito que comparar o Islã ao fascismo é algo leigo, coisa de alguém que desconhece as ciências políticas e os costumes tribais de seu próprio país, a Somália. Sendo ela uma universitária tão brilhante como dito na reportagem, tenho de deixar aqui o meu protesto com respeito a essa manifestação de ignorância ou fragoroso engano de colocação.
Abdullah Buanamade
Líder religioso da Mesquita Bilal Al Habachi
São Paulo, SP  

Solidarizei-me com o sofrimento de Ayaan desde sua infância conturbada. Mas gostaria de esclarecer que a clitorectomia, ao contrário do citado na entrevista, é uma prática tribal africana muito anterior ao islamismo. Em nossa religião, a mulher tem não só o direito como o dever de estudar, e não apenas decorar o Alcorão sem nada entender. Eu gostaria de registrar aqui, numa revista que luta sempre pela verdade e contra os preconceitos, a minha indignação, como milhares de muçulmanos e muçulmanas pelo mundo, com o estigma que vem sendo dado a essa brilhante e próspera religião. E, como várias muçulmanas do Brasil, estudei, me formei (em medicina, há seis meses), não fui clitorectomizada e tenho toda a liberdade para escolher quem será meu marido! Que Allah tenha misericórdia de sua alma e piedade de suas palavras.
Abir Faissal Ellakkis
Campo Grande, MS  

Mesmo com seu sexo violado no âmago, a menina Ayaan se transformou em uma mulher cuja admirável firmeza é um exemplo para muitas brasileiras vítimas dos mesmos absurdos machistas que são praticados no Islã.
Ubiratan Soares
São Paulo, SP

Idéias opostas que causam discussões, ameaças. A senhora Ayaan Hersi Ali defende um "ideal" e por isso quer que o mundo islâmico a respeite; a população do Islã, por sua vez, tem sua crença, e como todos (inclusive Ayaan) merece respeito. Defender suas idéias sem atacar o "adversário". É disso que o mundo precisa, é isso que a gente quer. Paz!
Camila Matos
Teresina, PI

 

Religião

Em relação ao artigo "Quando a religião é um mal" (22 de junho), é preciso que se registre que o Novo Testamento nunca incita à violência. Jesus Cristo disse ter vindo trazer a espada (Mt 10,34; Lc 12,5). Mas a simples leitura do contexto faz entender que Ele só falou da divisão que seria conseqüência de seu ensinamento, e da oposição e rejeição que seus seguidores sofreriam, inclusive por parte dos familiares. Mas vendo que os discípulos não atinavam que havia falado em sentido metafórico, o Senhor interrompeu-se imediatamente com um simples "Basta". Empregou ainda a mesma expressão quando um discípulo feriu o servo do pontífice (Lc 22,51). E exprimiu toda a sua indignação contra o uso da espada, ou seja, da violência, geradora de outras violências, repreendendo o discípulo: "Guarda a tua espada na bainha! Pois todos os que usam a espada, pela espada morrerão". (Mt 26,52).
Spártaco Francesco Ciccotti
São Paulo, SP

 

Edemar Cid Ferreira

É inegável que o senhor Edemar Cid Ferreira deve ser contratado para protagonizar dramalhões mexicanos. Como ele se refere à "nossa casa" quando ela não está em sua relação de patrimônio? Ele se faz de vítima, e no entanto existem muitas outras: cada ex-funcionário que teve de encarar parentes, amigos e clientes que acreditaram em seu "sonho" e perderam suas economias.
Ana Paula Batista
Belo Horizonte, MG

 

Crise no governo 2

Esclareço que, ao contrário do que diz a reportagem "O pagador do mensalão" (22 de junho), o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza em nenhum momento participou, direta ou indiretamente, da campanha eleitoral do hoje ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, à Presidência da República, em 2002. Para ser mais exato, afirmo que o ministro não conhece o referido publicitário nem jamais teve algum contato com ele.
Egídio Serpa
Assessor especial de imprensa do ministro da Integração Nacional
Brasília, DF  

Na reportagem "Nocaute" (22 de junho) sou citado como um dos beneficiários de acordos financeiros para trocar de legenda – à época, havia saído do PSDB para o PTB. Esclareço que minha ida para o PTB não envolve interesses financeiros nem fisiológicos. Não tenho cargo no governo e voto independentemente de acordos políticos, seguindo apenas as minhas convicções.
Jovair Arantes
Deputado federal (PTB-GO)
Brasília, DF

Há alguns meses essa revista me "brindou" com uma reportagem intitulada "O 'resolvedor da República'" (8 de setembro de 2004). Choveram "potenciais clientes" em meu escritório e eu perdi um longo tempo explicando a cada um deles que era apenas um advogado. Novamente, os 6 milhões de leitores de VEJA foram erradamente informados de que sou "especialista em 'embargos auriculares', e outras modalidades que não constam dos manuais jurídicos mais ortodoxos". Peço que seja esclarecido aos leitores que a informação não é verdadeira. As maiores testemunhas disso são os ministros dos tribunais nos quais tenho a honra de advogar. A tribuna é minha única arma, e eu quero evitar outra leva de "clientes" indesejáveis. Quanto ao restante da matéria, no que diz respeito a mim, gostaria de registrar que, se um repórter tivesse me contatado, saberia que não apoiei nenhuma tentativa de demissão de ninguém, até porque só estive com o senhor Marcos Valério em uma única ocasião, por não mais que dois minutos, na qual ele se apresentou a mim e trocamos cartões. Nunca nos relacionamos nem sequer falamos ao telefone. Mesmo o Silvio Pereira, apontado como meu "amigo do peito", ressalto que, infelizmente, não o é; estive com ele apenas quatro ou cinco vezes. Por fim, afirmo que sou advogado do senhor Daniel Dantas apenas em matéria penal, sem jamais ter tentado convencer o ex-ministro José Dirceu (este, sim, meu amigo, e por quem nutro grande admiração e respeito) a defender seus interesses comerciais junto ao governo.
Antônio Carlos de Almeida Castro
Por e-mail

 

Corrupção

Confirmo o recebimento de contribuições.
Zé Geraldo
Deputado federal (PT-PA)

 

ANP

Sobre as reportagens "Baixinho de 1,85 m" (1º de junho) e "Mais um na mira" (15 de junho), esclareço que não sou filiado a nenhum partido. Minha trajetória na ANP iniciou em 1998, como analista técnico por contrato temporário. Até chegar à posição atual de superintendente de refino, exerci o cargo de assessor de superintendência e o de coordenador-geral de fiscalização, tendo exercido o cargo de superintendente de abastecimento no período de outubro de 2003 a fevereiro de 2005. Se, por diferentes partidos políticos, meu nome chegou a ser cogitado por três vezes para o cargo de diretor técnico da ANP, foi em virtude de minha atuação técnica. Os dados estatísticos disponibilizados no site da ANP relativos a solventes, nos quais VEJA se baseou para indicar o aumento nas importações, não representam toda a importação desse derivado de petróleo, pois diversos outros solventes importados não estão ali computados. Essa tabela faz referência apenas a uma seleção de produtos, conforme nota de rodapé dela constante. Ainda que, com base nesses dados, imputar o aumento de 78% das importações de solventes entre 2002 e 2004 à minha responsabilidade não procede. Minha gestão corresponde somente ao ano fiscal de 2004, período em que ocorreu uma redução de 1%. Foi no ano anterior, 2003, que as importações, com base nos mesmos dados, aumentaram 80%. Quanto a ter autorizado empresas acusadas de sonegação e de adulterar combustíveis a elevar suas importações de solventes, não se deve olvidar o artigo 5º, LVII da Constituição Federal: "Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". A sindicância não é uma "caça às bruxas", ela foi instaurada obrigatoriamente, por força do artigo 144 da Lei nº 8112/1990. O objetivo desse procedimento é a apuração dos fatos divulgados por VEJA. Os fatos sob sindicância dizem respeito não a mim, mas à Agência Nacional do Petróleo, uma vez que todos os atos praticados pela superintendência de abastecimento foram convalidados pela diretoria colegiada da ANP.
Eugênio Roberto Maia
Superintendente de refino e processamento de gás natural
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
Rio de Janeiro, RJ

 

Stephen Kanitz

De maneira brilhante, Stephen Kanitz definiu felicidade, mostrando que a aquisição de bens de consumo não é o melhor caminho para a realização pessoal. O mal do mundo contemporâneo é supervalorizar símbolos de riqueza, que são vendidos como mostras de felicidade ("Uma definição de felicidade", 22 de junho).
Humberto Cavaliere
Por e-mail

 

André Petry

O artigo "Lula em seu labirinto" (22 de junho), de André Petry, é uma síntese exponencial daquilo que se tornou o homem que representava a grande mudança para as camadas mais humildes da população brasileira: um inepto, na melhor das hipóteses. Parabéns, Petry.
Sérgio Tavares
São Luís, MA

 

Diogo Mainardi

Sobre a coluna de Diogo Mainardi (22 de junho), esclareço que o Banco do Brasil "não levará", como não levou, "torcedores a Atenas". Vale lembrar que o Banco do Brasil é o patrocinador oficial do vôlei brasileiro, em todas as categorias, há catorze anos. Nas últimas Olimpíadas, o Brasil conquistou três medalhas na modalidade (duas de ouro e uma de prata).
Henrique Pizzolato
Diretor de marketing e comunicação
Brasília, DF

 

CORREÇÕES: O nome da empresa responsável pela pesquisa citada na matéria "Absolvido, mas enrascado" (22 de junho) é The Gallup Organization (www.gallup.com), e não Instituto Gallup. A Inglaterra não exige visto de estudante para cursos de até seis meses ou cursos de graduação de qualquer duração ("Como obter o visto de estudante", Guia, 22 de junho).

 

Violência contra crianças

No artigo "Flor de Pessegueiro" (15 de junho), André Petry tratou do abuso sexual na infância e na adolescência. Segundo Daniel Gonçalves, coordenador do projeto Jornalista Amigo da Criança, da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (www.andi.org.br), o destaque dado a esse tema "estimula a co-responsabilidade dos profissionais de comunicação no enfrentamento do abuso e da exploração sexual, que afetam milhares de meninos e meninas no país". Ângela Bastos, autora do documentário Flor de Pessegueiro, agradeceu "a sensibilidade de VEJA e de André Petry pelo espaço dedicado ao assunto" e espera que seja possível levar o vídeo a muitas pessoas. As doutoras Maria Amélia Azevedo, professora titular do Instituto de Psicologia da USP e coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança (www.usp.br/ip/laboratorios/lacri), e Viviane Guerra, pesquisadora do laboratório, informam que desde 1994 lutam para livrar as crianças de outra violência de que são vítimas: a palmada. "Temos uma campanha intitulada Crescer sem Palmada (www.palmadajaera.com), com 232 615 assinaturas de cidadãos brasileiros que desejam o fim dessa prática na educação das nossas crianças", alertou Maria Amélia.

 
 
 
 
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