Edição 1911 . 29 de junho de 2005

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A mão no maço de dinheiro: uma imagem resume toda a crise

Mais conhecido por sua afirmação de que "o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente", o historiador inglês John Emerich Edward Dalberg (1834-1902), lorde Acton, nunca esteve tão atual no Brasil. Embora não tenha escrito um único livro, suas palestras garantiram-lhe a imortalidade. Em uma delas, ele deixou registrado que "o perigo não está em que uma determinada classe seja incapaz de governar. O fato é que nenhuma classe é capaz de governar sozinha". Como uma reportagem da presente edição de VEJA mostra, a atualidade de lorde Acton está em que a raiz da crise na qual se enfiou o PT pode ser buscada justamente na tentativa de fazer um governo dominado por uma única classe de pessoas, a dos petistas. Para não ter de dividir a determinação dos rumos do país com outras forças políticas, foi preciso "comprar um exército de mercenários no Congresso", como denuncia o deputado Roberto Jefferson, o grande êmulo do PT.

O custo dessa linha oficial de ação está sendo alto para o país e para o próprio governo. Confrontados com as evidências crescentes de corrupção na administração direta e nas estatais, os políticos do PT enveredaram por uma desgastante rota de fuga, que inclui a auto-ilusão e a negação pública da realidade. Para esses políticos, está-se diante de uma conspiração das elites, de um conluio para encurtar o mandato do presidente Lula. Obviamente, isso é um absurdo. Nem eles mesmos acreditam na tese que defendem. Mas a propagam assim mesmo, na vã esperança de que só o discurso espante o problema.

A outra opção seria encarar a crise em toda a sua assustadora simplicidade, consubstanciada naquele gesto quase automático do funcionário dos Correios que aparece, no vídeo revelado por VEJA, embolsando um maço de cédulas. Mas isso implicaria admitir que a corrupção se alastrou capilarmente até pelos escalões inferiores do mundo oficial. Às portas de uma nova eleição presidencial, o PT é incapaz de reconhecer que perdeu a aura de honestidade, justamente a característica que levou o partido ao Planalto. Por isso tenta colocar de pé tolas teorias conspiratórias. O resultado disso tudo, como mostra outra reportagem da revista, é uma enorme decepção popular e a ânsia de que tomem as medidas efetivas para conter a corrupção. No próximo ano, esses anseios se manifestarão nas urnas. Eis a beleza da democracia.

 
 
 
 
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