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Carta ao leitor Escolha
simples  | | A
mão no maço de dinheiro: uma imagem resume toda a crise |
Mais
conhecido por sua afirmação de que "o poder corrompe e o poder absoluto
corrompe absolutamente", o historiador inglês John Emerich Edward Dalberg
(1834-1902), lorde Acton, nunca esteve tão atual no Brasil. Embora não
tenha escrito um único livro, suas palestras garantiram-lhe a imortalidade.
Em uma delas, ele deixou registrado que "o perigo não está em que
uma determinada classe seja incapaz de governar. O fato é que nenhuma classe
é capaz de governar sozinha". Como uma reportagem da presente edição
de VEJA mostra, a atualidade de lorde Acton está em que a raiz da crise
na qual se enfiou o PT pode ser buscada justamente na tentativa de fazer um governo
dominado por uma única classe de pessoas, a dos petistas. Para não
ter de dividir a determinação dos rumos do país com outras
forças políticas, foi preciso "comprar um exército de mercenários
no Congresso", como denuncia o deputado Roberto Jefferson, o grande êmulo
do PT. O custo dessa linha oficial de ação
está sendo alto para o país e para o próprio governo. Confrontados
com as evidências crescentes de corrupção na administração
direta e nas estatais, os políticos do PT enveredaram por uma desgastante
rota de fuga, que inclui a auto-ilusão e a negação pública
da realidade. Para esses políticos, está-se diante de uma conspiração
das elites, de um conluio para encurtar o mandato do presidente Lula. Obviamente,
isso é um absurdo. Nem eles mesmos acreditam na tese que defendem. Mas
a propagam assim mesmo, na vã esperança de que só o discurso
espante o problema. A outra opção
seria encarar a crise em toda a sua assustadora simplicidade, consubstanciada
naquele gesto quase automático do funcionário dos Correios que aparece,
no vídeo revelado por VEJA, embolsando um maço de cédulas.
Mas isso implicaria admitir que a corrupção se alastrou capilarmente
até pelos escalões inferiores do mundo oficial. Às portas
de uma nova eleição presidencial, o PT é incapaz de reconhecer
que perdeu a aura de honestidade, justamente a característica que levou
o partido ao Planalto. Por isso tenta colocar de pé tolas teorias conspiratórias.
O resultado disso tudo, como mostra outra reportagem da revista, é uma
enorme decepção popular e a ânsia de que tomem as medidas
efetivas para conter a corrupção. No próximo ano, esses anseios
se manifestarão nas urnas. Eis a beleza da democracia. |