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Edição 1 753 - 29 de maio de 2002
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EXPOSIÇÃO

 
Mapa de 1606: beleza e valor histórico

O Tesouro dos Mapas – A Cartografia na Formação do Brasil (estréia nesta segunda-feira, no Instituto Cultural Banco Santos) – A mostra, que inaugura um novo museu em São Paulo, reúne 220 peças dos séculos XV a XIX, selecionadas do acervo de mais de 3.000 itens do banqueiro Edemar Cid Ferreira. Há mapas de grande importância histórica, como aqueles do Theatrum Orbis Terrarum, o primeiro atlas moderno, editado em 1570 pelo flamengo Ortelius, e outros raríssimos, como os desenhados em pergaminho animal pela família Oliva, que se destacou na cartografia européia nos séculos XVI e XVII. Mas não é só por mostrar como evoluiu a representação da Terra – e especialmente do Brasil – que a exposição é curiosa. Ela também põe em destaque a qualidade estética dos mapas, muitos deles ricamente adornados. Um módulo especial apresenta instrumentos náuticos de medição, como bússolas, astrolábios e sextantes.

 

DVD

Fellini Oito e Meio (Otto e Mezzo, Itália, 1963. P&b. Continental) – Muito antes do Cidade dos Sonhos de David Lynch, o italiano Federico Fellini já era mestre em fazer filmes nos quais entender o que realmente está acontecendo em cena é o menos importante. O fascinante, aqui, é como as coisas acontecem na mente e à volta de Guido (Marcello Mastroianni), um cineasta que titubeia ante os planos que havia traçado para seu próximo filme. É Fellini em forma comparável à de A Doce Vida: autobiográfico e auto-referente, sem dúvida, mas também (ou por isso mesmo) intoxicante na maneira como realidade e sonho se misturam, na exuberância das imagens, que ele sabia construir como nenhum outro, e na sintonia quase sobrenatural com Mastroianni. Entre os outros grandes atores em cena, destaque para a francesa Anouk Aimée, então musa da nouvelle vague, que interpreta a infeliz mulher de Guido.

 

DISCOS

 
Divulgação/Virgin

Bryan Ferry: o Sr. Elegância, de volta à melhor forma

Frantic, Bryan Ferry (EMI) – O cantor inglês Bryan Ferry já foi chamado de "o último homem elegante da Inglaterra". Nos últimos dez anos, contudo, deixou de fazer jus ao elogio por várias vezes, interpretando canções românticas de gosto no mínimo duvidoso. Este disco impecável marca sua volta por cima. Produzido por Ferry e por Dave Stewart, ex-integrante do duo Eurythmics, Frantic tem baladas classudas, bons rocks e releituras de alguns clássicos, como Goodnight Irene, do bluesman Leadbetter, e It's All Over Now, Baby Blue e Don't Think Twice It's Alright, ambas de Bob Dylan. O CD tem duas participações importantes. Jonny Greenwood, do Radiohead, uma sdas principais bandas da atualidade, criou efeitos de guitarra para Hiroshima. Na dolente I Thought, Ferry se reencontra com o tecladista Brian Eno – seu parceiro no Roxy Music, grupo que ajudou a dar forma à música pop nos anos 70.

The Very Best of, Soft Cell (Universal) – Formada pelo vocalista Marc Almond e pelo tecladista David Ball, essa dupla é uma prova de que os anos 80 não foram tão descartáveis quanto se imagina. Não são poucas as músicas do Soft Cell – que se reagrupou recentemente para gravar um disco inédito e registrar sua nova turnê em DVD – que se mantêm atuais até hoje, como mostra esta coletânea. O segredo está na mistura de soul com teclados eletrônicos e, principalmente, nos vocais teatrais de Marc Almond. The Very Best of tem canções para chacoalhar nas discotecas, como Bedsitter, Sex Dwarf e Tainted Love (regravação de um sucesso da cantora Gloria Jones que acabou ficando melhor – e mais famosa – que a original).Há também boas baladas eletrônicas, como Say Hello, Wave Goodbye e Where the Heart Is. O CD tem dois remixes do Soft Cell feitos por DJs da moda – mas eles são até dispensáveis.

 

VÍDEO

Divulgação
Histórias: análise da mediocridade


Histórias Proibidas
(Storytelling, Estados Unidos, 2001. Warner) – Mais no espírito do excelente Bem-Vindo à Casa de Bonecas do que no do superestimado Felicidade (mas com a crueldade de costume), o diretor americano Todd Solondz dá prosseguimento, em seu quarto filme, à sua autópsia da mediocridade. No primeiro episódio, intitulado Ficção, uma aspirante a escritora transa com seu professor negro, um ganhador do Prêmio Pulitzer. Acaba humilhada não só pela falta de talento, mas também sexualmente. Na segunda parte, Não-Ficção, um sujeito se vinga de seus fracassos fazendo um documentário sobre um adolescente completamente alienado, com o qual arranca gargalhadas da platéia. O tema comum aos dois episódios é como uma pessoa insegura de si sempre acha outra, mais coitada, a quem diminuir – algo de que o próprio Solondz já foi acusado em diversas ocasiões, e que ele faz questão de discutir abertamente aqui.

 

LIVRO

 
Jack London: conto inédito no Brasil

O Outro, vários autores (tradução de Heloisa Seixas e Ana Lúcia Salazar Jensen; Dantes; 127 páginas; 15 reais) – O tema do duplo, ou do "outro", tem rica história na literatura. Esta coletânea reúne três autores que o abordaram de modo bem diferente: o dinamarquês Hans Christian Andersen, o escocês Robert Louis Stevenson e o americano Jack London. Andersen (célebre por suas compilações de contos de fadas) narra a história de um homem que é subjugado pela própria sombra. Markheim, de Stevenson,fala de um assassino confrontado com uma presença que pode ser a encarnação do Mal, ou talvez sua própria consciência. O conto lembra outra obra do autor, O Médico e o Monstro, talvez a mais famosa das histórias de duplo. Em A Sombra e o Brilho, London mostra dois personagens iguais em quase tudo, que desenvolvem o mais ferrenho antagonismo desde a infância e lutam até a morte tentando desvendar o mistério da invisibilidade. É a primeira vez que esse texto é traduzido no Brasil – e os outros só constavam de coletâneas fora de catálogo. Leia trechos do conto A Sombra e o Brilho, de Jack London.

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler.
   
 
   
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