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Roberto
Pompeu de Toledo
Os santos
entram na corrida presidencial
Rita
de Cássia e
São José enfrentam
São
Luís e Santo
Inácio; por
fora vai
São
Ciro. Mas Deus
também concorre...
Rita,
natural de Cássia, na região italiana da Úmbria,
não muito longe de Espoleto, sofreu terríveis provações
na vida. Casou-se com um bruto, que a maltratava. O bruto acabou assassinado
por um de seus muitos desafetos, o que a livrou dos sofrimentos, mas sobreveio
outra infelicidade. Os dois filhos de Rita planejaram vingar a morte do
pai. Horror! Um assassinato tramado em sua própria casa! Rita preferia
ter os filhos mortos a vê-los assassinos e rezou para que
morressem antes de perpetrar o crime. Foi atendida: os filhos morreram.
Ela entrou num convento e daí em diante levou vida só de
preces e mortificações. Quatro séculos e meio após
sua morte, em 1457, foi canonizada, e virou Santa Rita de Cássia.
Rita de Cássia Paste Camata foi escolhida para vice na chapa de
José Serra na última quarta-feira. Era o dia 22 de maio
exatamente o dia da santa xará. Só pode ser milagre!
A chapa PSDB-PMDB mostra força, no céu mais que,
por enquanto, no Ibope. O nome de batismo do cabeça de chapa invoca
o mais admirável dos santos, segundo o escritor Carlos Heitor Cony:
o marido de Maria, o homem que recebeu o aviso de que a mulher era virgem
mas ia ter um filho, agüentou firme, continuou na vidinha de carpinteiro
e pouco depois, tendo cumprido seu humilde e misterioso papel, sumiu da
história sem deixar rastro. Mas José Serra tem trunfo suplementar:
um beato com seu nome e sobrenome! Trata-se de Miguel José Serra,
nascido em Petra, na ilha espanhola de Majorca, em 1713. Ao entrar na
ordem franciscana, Miguel José passou a se chamar Junípero,
forma latina do italiano Genebro, nome de um dos companheiros de São
Francisco, aquele que era conhecido como "Jogral de Deus". A obra de Junípero
Serra não foi pequena. Mandado ao Novo Mundo, tornou-se o apóstolo
da Califórnia. Fundou, ali, 23 missões, em lugares como
San Diego, San Francisco e Carmel, onde morreu e está enterrado.
Sua festa é em 1º de julho. Não está longe.
Recomenda-se ficar de olho no Ibope, na ocasião. Pode ocorrer outro
milagre. A menos que...
A menos que se revelem mais fortes ainda os santos invocados no afortunado
nome de Luís Inácio. Entre os muitos santos de nome Luís,
temos Luís Gonzaga, morto jovem, depois de uma vida de penitência
e obediência, e, sobretudo, um rei, Luís IX da França
(1214-1270). São Luís, o rei canonizado, notabilizou-se
pelo ascetismo. Distribuía pessoalmente a justiça sob um
carvalho em Vincennes, nos arredores de Paris. Dispensava atenção
especial aos doentes e aos pobres. Já se vê que seu forte
eram as políticas sociais. Nas relações exteriores,
mostrou-se um desastre. Comandou pessoalmente duas cruzadas. Na primeira
foi feito prisioneiro pelos sarracenos, e só libertado mediante
pagamento de pesado resgate. Na segunda, encontrou a morte, de disenteria
e tifo, no norte da África, muito aquém da cobiçada
Jerusalém. Será essa dupla sorte, boa no social, má
no fronte externo, um sinal para o pretendente de hoje ao Palácio
do Planalto? Em todo caso, para reforçar o Luís, ele carrega
o nome Inácio, igual ao do grande Santo Inácio de Loyola,
fundador da Companhia de Jesus, que deixou a vida de soldado, a serviço
do rei da Espanha, para se converter em chefe de um exército caçador
de almas, a serviço de Jesus. São Luís e Santo Inácio
unidos poderão jamais ser vencidos?
Ciro... Existe um São Ciro? Sim. São Ciro é um menino,
filho de Santa Julita, ambos mártires do princípio do cristianismo.
Julita foi presa, por causa de sua fé, e, interrogada, respondia
apenas: "Eu sou cristã". Mais interrogatório, e mais apenas:
"Eu sou cristã". A teimosia foi castigada com uma sessão
de torturas, na frente do filho. Este, o pequeno Ciro, de apenas 5 anos,
gritava: "Eu também sou cristão". Os algozes irritaram-se
e o atiraram longe, vindo o menino a quebrar a cabeça e morrer
na hora. A mãe regozijou-se e agradeceu a Deus por ter um filho
mártir. Ela própria foi morta em seguida, por decapitação.
Um santo pequenino como São Ciro mais conviria a um candidato Garotinho,
mas vá lá: serve igualmente a Ciro Gomes, o segundo mais
jovem dos candidatos a presidente.
Quanto ao mais jovem, o referido Garotinho... Bem, como evangélico,
Garotinho não aceita a intermediação dos santos.
Se aceitasse, Anthony que é (por que Anthony?), teria dois poderosos
santos antônios a seu serviço, o Santo Antônio Cenobita,
ermitão do deserto, que sofria terríveis tentações
do diabo, inclusive na forma de exércitos de mulheres nuas, e o
Santo Antônio de Pádua, ou Santo Antônio de Lisboa,
pregador que arrebatava multidões, e que uma noite foi contemplado
com o milagre de receber o Menino Jesus no colo. Mas reconheçamos:
Garotinho não precisa de santos. Seu programa é o mais cheio
de prodígios. Ele sabe para quanto vai aumentar o salário
mínimo (400 reais), e quando (2004). Garotinho enxerga o futuro.
Adivinha a situação econômica e as condições
políticas do país com anos de avanço, de forma que
pode cravar com certeza o que fará. Ele não precisa mesmo
de santo. Ele é Deus.
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