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Edição 1 753 - 29 de maio de 2002
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Quem matou
Lucrécia Roitman?

A Globo faz versão hispânica da
novela Vale Tudo para os latinos
que moram nos Estados Unidos

Ricardo Valladares


Oscar Cabral
As mexicanas Itatí e Ana Cláudia ganham 15 000 dólares para fazer os papéis de mãe e filha, que, em 1988, foram Regina Duarte e Glória Pires

Os cenários estão armados em Jacarepaguá, os câmaras da Rede Globo estão a postos e o diretor Wolf Maya, veterano da casa, dá a ordem para que a cena comece. Mas ela vem em portunhol: "Atención, grabando!" Há um mês é assim que Maya se comunica com seus atores. Eles são 28 ao todo, e vieram do México, de Cuba, da Colômbia, da Argentina, do Peru, da Venezuela, de Porto Rico e do Uruguai para trabalhar em Vale Todo, uma recriação da novela Vale Tudo, que fez sucesso por aqui em 1988. Produzida em parceria com a emissora americana Telemundo, a novela está sendo especialmente formatada para cativar o público de língua hispânica que vive nos Estados Unidos, onde ela deve estrear em 17 de junho. Antes de Wolf Maya assumir as gravações, quarenta cenas foram jogadas no lixo. "Estava esquisito, uma mistura de dramaturgias", diz uma atriz que conhece bem a televisão mexicana. Mas aos poucos a novela vai tomando forma. Os pilares da trama foram mantidos, com o acréscimo de alguns personagens novos, como uma família de mexicanos que vai discutir o problema da imigração ilegal para os Estados Unidos. Outras adaptações foram feitas. Por exemplo, a cruel Odete Roitman (cuja morte criou um enigma que eletrizou o Brasil) teve de ser rebatizada como Lucrécia, já que se constatou que Odete não funcionava como nome de vilã entre os hispânicos. Vale Todo será uma novela ambientada no Rio de Janeiro, mas a bebida mais popular será a tequila e, na hora de pedir ajuda aos céus, os personagens invocarão Nossa Senhora de Guadalupe. As cenas internas ganharam tons mais fortes e avermelhados e os atores têm carta branca para assumir aquele ar intenso dos galãs latinos.

Depois que Vale Tudo foi exibida no Brasil, a Globo conseguiu vendê-la para 33 países. Por que, então, recriar agora a novela? A resposta é que uma produção feita especialmente para o mercado americano poderá brigar por publicidade local. Há hoje cerca de 32 milhões de hispânicos nos Estados Unidos. Com um poder de compra estimado em mais de 440 bilhões de dólares ao ano, eles estão na mira de toda a indústria de entretenimento. "É um mercado enorme, que pode ser uma fonte nova e muito importante de dinheiro para a emissora", afirma o diretor de produções internacionais da Globo, José Paulo Vallone. A Globo acredita que terá lucro de 3 milhões de dólares com a exibição de s. O número corresponde a 10% do faturamento obtido com a venda de 65 programas para o estrangeiro no ano passado. Se essas expectativas se concretizarem, Globo e Telemundo deverão fazer dez novelas nos próximos cinco anos.

Oscar Cabral
A uruguaia Nadia: "Se o dinheiro for bom, por que não posar para a Playboy?"


Para a seleção do elenco de Vale Todo, mais de 700 testes foram realizados. Por causa da miscelânea de países de origem dos atores escolhidos, um profissional foi contratado para cuidar dos sotaques. "Trabalhamos o que se chama de espanhol neutro, para amenizar as diferenças de pronúncia", diz Fidel Monroy, responsável pelo treinamento. Os mexicanos são maioria no time de 28 artistas. As duas protagonistas, Itatí Cantoral e Ana Cláudia Talancon, são dessa nacionalidade - e recebem também os maiores salários, de 15 000 dólares por mês. Itatí, que interpretará a batalhadora Raquel, é uma estrela da televisão mexicana. Foi a vilã de Maria del Barrio (que também fez sucesso no Brasil, exibida pelo SBT). Ana Cláudia, de apenas 21 anos, será a inescrupulosa Maria de Fátima, que é filha de Raquel. Por motivos diferentes, as duas estão apreciando a experiência de trabalho no Brasil. Itatí está feliz de se ver livre do ponto eletrônico, por meio do qual as falas são ditadas aos atores de novelas mexicanas. "Aquilo atrapalha. Usar a memória dá mais vida ao personagem", diz. Já Ana Cláudia acha que o ritmo de trabalho é mais leve no Brasil. "Aqui eu tenho mais tempo para dormir", revela. O restante do elenco reúne atores veteranos e outros que estão começando a despontar em seus países. Entre os mais experientes estão os cubanos Zully Montero, que fará a vilã Lucrécia, e Germán Barrios, que fugiu de Cuba há 22 anos para se exilar em Miami. "Pior que novela malfeita, só o regime de Fidel Castro", brinca ele. A menos experiente da turma é Nadia Rowinsky, indicada pela direção da Telemundo. A bela uruguaia de 26 anos (1,69 metro de altura, 58 quilos, 93 centímetros de busto e 90 centímetros de quadris) terá a função de dar um tempero erótico à trama. Em suas cenas, é comum ouvir o diretor Wolf Maya dar comandos do tipo "Foco nos seios!". Nadia, aliás, parece ter entendido instintivamente como funciona o mundo das celebridades no Brasil. "Se o dinheiro fosse bom, eu posaria para a Playboy, sim. Por que não?", afirma ela.

 

OS CLONES

Oscar Cabral
Jorge Cysne
GALÃS LATINOS
O peruano Diego Bertie será Ivan, papel de Antonio Fagundes, que gravará participação especial de um capítulo na novela

Divulgação
Jorge Cysne
VILÃ REBATIZADA
A cubana Zully Montero terá a missão de interpretar a cruel Odete Roitman, anteriormente vivida por Beatriz Segall. A morte da personagem foi o grande mistério de Vale Tudo


   
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