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Quem matou
Lucrécia Roitman?
A Globo
faz versão hispânica da
novela Vale Tudo para os latinos
que moram nos Estados Unidos

Ricardo Valladares
Oscar Cabral
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| As
mexicanas Itatí e Ana Cláudia ganham 15 000 dólares para fazer os
papéis de mãe e filha, que, em 1988, foram Regina Duarte e Glória
Pires |
Os cenários
estão armados em Jacarepaguá, os câmaras da Rede Globo
estão a postos e o diretor Wolf Maya, veterano da casa, dá
a ordem para que a cena comece. Mas ela vem em portunhol: "Atención,
grabando!" Há um mês é assim que Maya se
comunica com seus atores. Eles são 28 ao todo, e vieram do México,
de Cuba, da Colômbia, da Argentina, do Peru, da Venezuela, de Porto
Rico e do Uruguai para trabalhar em Vale Todo, uma recriação
da novela Vale Tudo, que fez sucesso por aqui em 1988. Produzida
em parceria com a emissora americana Telemundo, a novela está sendo
especialmente formatada para cativar o público de língua
hispânica que vive nos Estados Unidos, onde ela deve estrear em
17 de junho. Antes de Wolf Maya assumir as gravações, quarenta
cenas foram jogadas no lixo. "Estava esquisito, uma mistura de dramaturgias",
diz uma atriz que conhece bem a televisão mexicana. Mas aos poucos
a novela vai tomando forma. Os pilares da trama foram mantidos, com o
acréscimo de alguns personagens novos, como uma família
de mexicanos que vai discutir o problema da imigração ilegal
para os Estados Unidos. Outras adaptações foram feitas.
Por exemplo, a cruel Odete Roitman (cuja morte criou um enigma que eletrizou
o Brasil) teve de ser rebatizada como Lucrécia, já que se
constatou que Odete não funcionava como nome de vilã entre
os hispânicos. Vale Todo será uma novela ambientada
no Rio de Janeiro, mas a bebida mais popular será a tequila e,
na hora de pedir ajuda aos céus, os personagens invocarão
Nossa Senhora de Guadalupe. As cenas internas ganharam tons mais fortes
e avermelhados e os atores têm carta branca para assumir aquele
ar intenso dos galãs latinos.
Depois que
Vale Tudo foi exibida no Brasil, a Globo conseguiu vendê-la
para 33 países. Por que, então, recriar agora a novela?
A resposta é que uma produção feita especialmente
para o mercado americano poderá brigar por publicidade local. Há
hoje cerca de 32 milhões de hispânicos nos Estados Unidos.
Com um poder de compra estimado em mais de 440 bilhões de dólares
ao ano, eles estão na mira de toda a indústria de entretenimento.
"É um mercado enorme, que pode ser uma fonte nova e muito
importante de dinheiro para a emissora", afirma o diretor de produções
internacionais da Globo, José Paulo Vallone. A Globo acredita que
terá lucro de 3 milhões de dólares com a exibição
de s. O número corresponde a 10% do faturamento obtido com
a venda de 65 programas para o estrangeiro no ano passado. Se essas expectativas
se concretizarem, Globo e Telemundo deverão fazer dez novelas nos
próximos cinco anos.
Oscar Cabral
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| A
uruguaia Nadia: "Se o dinheiro for bom, por que não posar para a Playboy?"
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Para a seleção do elenco de Vale Todo, mais de 700
testes foram realizados. Por causa da miscelânea de países
de origem dos atores escolhidos, um profissional foi contratado para cuidar
dos sotaques. "Trabalhamos o que se chama de espanhol neutro, para
amenizar as diferenças de pronúncia", diz Fidel Monroy,
responsável pelo treinamento. Os mexicanos são maioria no
time de 28 artistas. As duas protagonistas, Itatí Cantoral e Ana
Cláudia Talancon, são dessa nacionalidade - e recebem também
os maiores salários, de 15 000 dólares por mês. Itatí,
que interpretará a batalhadora Raquel, é uma estrela da
televisão mexicana. Foi a vilã de Maria del Barrio (que
também fez sucesso no Brasil, exibida pelo SBT). Ana Cláudia,
de apenas 21 anos, será a inescrupulosa Maria de Fátima,
que é filha de Raquel. Por motivos diferentes, as duas estão
apreciando a experiência de trabalho no Brasil. Itatí está
feliz de se ver livre do ponto eletrônico, por meio do qual as falas
são ditadas aos atores de novelas mexicanas. "Aquilo atrapalha.
Usar a memória dá mais vida ao personagem", diz. Já
Ana Cláudia acha que o ritmo de trabalho é mais leve no
Brasil. "Aqui eu tenho mais tempo para dormir", revela. O restante
do elenco reúne atores veteranos e outros que estão começando
a despontar em seus países. Entre os mais experientes estão
os cubanos Zully Montero, que fará a vilã Lucrécia,
e Germán Barrios, que fugiu de Cuba há 22 anos para se exilar
em Miami. "Pior que novela malfeita, só o regime de Fidel
Castro", brinca ele. A menos experiente da turma é Nadia Rowinsky,
indicada pela direção da Telemundo. A bela uruguaia de 26
anos (1,69 metro de altura, 58 quilos, 93 centímetros de busto
e 90 centímetros de quadris) terá a função
de dar um tempero erótico à trama. Em suas cenas, é
comum ouvir o diretor Wolf Maya dar comandos do tipo "Foco nos seios!".
Nadia, aliás, parece ter entendido instintivamente como funciona
o mundo das celebridades no Brasil. "Se o dinheiro fosse bom, eu
posaria para a Playboy, sim. Por que não?", afirma
ela.
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