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Meninas, mudei
Em seu primeiro filme, Britney
Isabela Boscov
Já na primeira cena, Britney Spears mostra aonde quer chegar: de calcinhas (ou melhor, cuequinhas) e top de pijama, a colher do cereal matinal fazendo as vezes de microfone, a cantora dubla uma música de Madonna na intimidade do seu quarto de adolescente. Ao contrário de sua predecessora, porém, que teve de inventar as estratégias do marketing pessoal para a era moderna, Britney, de 20 anos, conta com a vantagem de já ter esse caminho palmilhado. Sabe, portanto, da necessidade de preparar o terreno para certas mudanças de imagem a que a idade já a obriga. Nesse sentido, Crossroads Amigas para Sempre (Crossroads, Estados Unidos, 2002), desde sexta-feira em cartaz no país, é uma peça promocional adequada. Em seu primeiro filme, Britney faz Lucy, uma adolescente certinha e estudiosa, que vive só com o pai e namora um rapaz direito. Lucy conhece a importância da palavra "não". Apesar do extenso planejamento, que inclui uma lista de prós e contras, ela desiste na última hora de dar um passo definitivo com o rapaz. É supérfluo dizer que o filme contém também recomendações contra o álcool, o tabaco e a irresponsabilidade em geral. Pelo menos até a página dois.
Por causa de um pacto firmado anos antes com duas amigas, Lucy ganha a
chance de viajar e conhecer a mãe, que a abandonou ainda pequena.
As três meninas pegam carona com um desconhecido bonitão
e tatuado, sobre quem correm rumores de que teria cumprido pena por assassinato.
Não demora para que Lucy esteja trocando olhares quentes com o
recém-chegado. E não tarda também para que os boatos
sobre o passado dele se mostrem infundados: ele fez o que fez para salvar
a irmãzinha do padrasto violento, o que equivale a um sinal verde
para que Lucy/Britney se anime a perder a virgindade, assumir seu lado
sensual e seguir seu próprio nariz, sem a interferência paterna.
Crossroads é, assim, uma prestação de contas
à platéia de sua estrela previsivelmente embalada
pela canção I'm Not a Girl, Not Yet a Woman (Não
Mais Menina, Ainda Não Mulher) , com um enredo que fica
entre um episódio de A Família Dó-Ré-Mi
e um capítulo de Maria do Bairro. Pelo menos nisso, na qualidade
dos roteiros que escolhe, Britney já está à altura
de Madonna.
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