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Concertos
para a juventude
Gravadora alemã põe mulheres
sensuais
nas capas de CDs para tentar
renovar
o público da música erudita
Sérgio
Martins
A
música clássica sempre ocupou uma fatia estreita, mas estável,
no mercado de discos. Isso vem mudando nos últimos anos. Calcula-se
que, desde 1997, a venda de CDs eruditos tenha caído 19% no mundo.
Renovar seu público tornou-se, por isso, uma prioridade para as
gravadoras, que estão adotando estratégias inusitadas. A
tradicionalíssima Deutsche Grammophon, por exemplo, lançou
há pouco na Alemanha uma coleção que traz nas capas,
em vez de músicos de fraque, modelos provocantes dos anos 70, retratadas
pelo fotógrafo de moda F.C. Gundlach. "Os regentes e músicos
costumam ser feios. Já as modelos de Gundlach são lindas
e a estética dos anos 70 está de novo na moda", justifica
Anne Olschewski, gerente de marketing da gravadora. A série fez
sucesso nas lojas e abriu caminho para outras "ousadias". Diretor da Deutsche
Grammophon e mentor das mudanças, Christian Kellersmann contratou
jovens artistas gráficos para criar novas capas para obras célebres.
A ópera Madame Butterfly, de Puccini, será relançada
trazendo na capa uma ninfeta seminua veste somente uma camisa estampada
com borboletinhas. Para um CD com o Sonho de Amor, de Liszt, será
usada a imagem de uma cama desfeita, que exibe as marcas deixadas por
uma noite de sexo. "É a melhor interpretação visual
da obra de Liszt que já vi", diz Kellersmann.
Além de reembalar seus produtos, a Deutsche Grammophon está
investindo no filão das compilações. Criou uma série
chamada Yellow Lounge, com "clássicos para relaxar". O nome
foi escolhido tendo os jovens em mira: lounge é a subdivisão
mais tranqüila do tecno, com músicas que a garotada ouve estirada
no sofá, depois de uma noite no clube. Em outra coleção,
personalidades polêmicas são convidadas para apresentar seu
compositor favorito. O primeiro lançamento cumpriu o objetivo de
causar discussão. Nele, o diretor de teatro Christoph Schlingensief,
conhecido na Alemanha como um opositor feroz do nacionalismo, organizou
um pot-pourri das óperas de Richard Wagner um notório
anti-semita e cultor do arianismo. Essa idéia já está
sendo copiada em outros lugares. Na Inglaterra, o selo Naxos convidou
o técnico da seleção inglesa de futebol, Sven-Göran
Eriksson, para pinçar suas obras eruditas prediletas. O CD está
nas principais colocações da parada de clássicos
do país. Entre os músicos e os maestros, compilações
desse tipo são execradas. "São pedaços de obra que
não dizem nada, um verdadeiro minestrone", rosna Claudio Abbado,
regente da Filarmônica de Berlim. Para os executivos das gravadoras,
a questão é renovar ou morrer.
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DIVAS
REMIXADAS
Embora
não enfrentem tantos problemas de mercado como os selos de
música clássica, os selos tradicionais de jazz também
fazem esforços de renovação uma vez
que o gênero freqüentemente é acusado de estar
estagnado. Responsável pelo lançamento de discos históricos
de artistas como Billie Holiday e Ella Fitzgerald, entre outros,
a gravadora americana Verve está franqueando seus arquivos
a DJs de música tecno. Acaba de lançar Verve Remixed,
em que canções clássicas são desconstruídas
e sofrem o acréscimo de efeitos e batidas eletrônicas.
Em alguns casos, o resultado é curioso. O inglês Tricky,
por exemplo, fez uma recriação soturna e cheia de
distorções de Strange Fruit, desenvolvendo
um novo contexto para os vocais de Billie Holiday. Mas a maioria
dos DJs, embora tenha procurado valorizar a beleza da voz de cantoras
como Carmen McRae e Shirley Horn, deixou que as interpretações
das divas se perdessem pelo caminho. Até os fãs menos
tradicionalistas terão do que reclamar.
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