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Edição 1 753 - 29 de maio de 2002
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Na dúvida, fique
com o vermelho

Um mestre do desenho de móveis
ensina os princípios para quem
quer decorar com inteligência

Maurício Oliveira

 
Fotos divulgação
Mais de 8 000 reais
Algumas das criações clássicas de Vladimir Kagan comercializadas no Brasil: o que é bom custa caro

Menos de 2 000 reais
Peças encontradas nas grandes lojas brasileiras de decoração: design moderno a preços camaradas


Veja também
A entrevista na íntegra com o designer Vladimir Kagan

Móveis são como casamentos. Antigamente, eram feitos para durar a vida inteira. Hoje em dia, só vale a pena mantê-los enquanto estiverem agradando. Diante da grande variedade de modelos, materiais e preços disponíveis no mercado, dar uma geral no ambiente doméstico é uma tentação que acomete muita gente. No entanto, todas essas opções podem transformar a escolha em um tormento. As dúvidas começam já na definição da matéria-prima. A madeira, que reinava absoluta na preferência de fabricantes e consumidores, concorre agora com uma série de outros compostos, como metal, plástico, vidro, acrílico, mármore, vime, couro e tecido, cada um com suas virtudes e contra-indicações. Outra causa freqüente de percalços são peças com aparência moderna que pecam pelo desconforto ou pela falta de funcionalidade. Há ainda o risco de decepcionar-se com a qualidade da mão-de-obra ao descobrir, já em casa, pequenos defeitos que passam despercebidos no momento da compra. Qual a solução para tudo isso? "Jamais escolher um móvel por impulso", disse a VEJA o designer americano Vladimir Kagan, 74 anos.

Tido como um dos mais importantes criadores de móveis de todos os tempos, com trabalhos vendidos a preço de ouro em leilões e uma lista de celebridades entre os clientes, ele considera que a pressa é inimiga cruel de quem planeja comprar um móvel. "Deve-se pesquisar, comparar orçamentos e conhecer muito bem a peça antes de bater o martelo", aconselha. Para o experiente designer, mais vale confiar nos próprios instintos que dar ouvido às opiniões de parentes, amigos, vizinhos, enfim, aquele pessoal que adora dar palpite nessas horas. Sempre que possível, é aconselhável consultar um decorador, mas é um erro dar-lhe plenos poderes – afinal, não é ele quem vai pagar a conta e conviver todos os dias com aquela peça. Quando o modelo já está escolhido mas a dúvida persiste em relação à cor, Vladimir Kagan não hesita em sugerir o vermelho. "É perfeito para destacar objetos e vai bem com qualquer outra cor", considera.

Remanescente do tempo em que os móveis eram para a vida toda, Kagan ressalta que não há como desvincular a qualidade do preço. Ou seja: o que é bom custa caro. No caso da maior parte das peças assinadas por ele, acima de 10.000 reais. Para quem precisa encontrar um meio-termo por força das limitações orçamentárias, no entanto, o designer recomenda as grandes lojas de decoração. "Elas são úteis porque permitem acesso a um bom design com baixo custo e oferecem grande variedade de opções sob o mesmo teto", diz. Se as peças não têm lá aquela durabilidade que se sonhou, pode-se transformar isso em uma vantagem: dá para estar no pique da moda em decoração a cada cinco anos.

Os fabricantes já descobriram que os brasileiros vêm abandonando de vez a idéia de que móveis devem ser tão duráveis quanto antigamente. "As pessoas mudam e querem que o lugar em que vivem acompanhe essa transformação", observa Eliana Bussab, superintendente do D&D Shopping, que reúne 120 lojas em São Paulo. "Comprar móveis é um investimento em qualidade de vida." Dos 9,7 bilhões de reais faturados pela indústria moveleira do Brasil no ano passado, 60% vieram da venda de peças destinadas a residências. De olho no filão, as maiores empresas estão investindo no desenvolvimento de desenhos exclusivos, cientes de que isso pode ser o diferencial na disputa com a concorrência. "Mas o consumidor não se deve deixar seduzir apenas pela aparência", lembra o fundador das lojas Tok & Stok, Regis Dubrule. "Design é um conceito bem mais amplo, que leva em conta não apenas a beleza mas também a funcionalidade, o conforto e o custo das peças."

 
 
   
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