
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Na dúvida,
fique
com o vermelho
Um mestre
do desenho de móveis
ensina os princípios para quem
quer decorar com inteligência
Maurício
Oliveira
Fotos divulgação
 |
Mais
de 8 000 reais
Algumas
das criações clássicas de Vladimir Kagan comercializadas
no Brasil: o que é bom custa caro |
 |
Menos
de 2 000 reais
Peças encontradas nas grandes lojas brasileiras de decoração: design
moderno a preços camaradas |

Veja também |
|
|
|
Móveis
são como casamentos. Antigamente, eram feitos para durar a vida
inteira. Hoje em dia, só vale a pena mantê-los enquanto estiverem
agradando. Diante da grande variedade de modelos, materiais e preços
disponíveis no mercado, dar uma geral no ambiente doméstico
é uma tentação que acomete muita gente. No entanto,
todas essas opções podem transformar a escolha em um tormento.
As dúvidas começam já na definição
da matéria-prima. A madeira, que reinava absoluta na preferência
de fabricantes e consumidores, concorre agora com uma série de
outros compostos, como metal, plástico, vidro, acrílico,
mármore, vime, couro e tecido, cada um com suas virtudes e contra-indicações.
Outra causa freqüente de percalços são peças
com aparência moderna que pecam pelo desconforto ou pela falta de
funcionalidade. Há ainda o risco de decepcionar-se com a qualidade
da mão-de-obra ao descobrir, já em casa, pequenos defeitos
que passam despercebidos no momento da compra. Qual a solução
para tudo isso? "Jamais escolher um móvel por impulso", disse a
VEJA o designer americano Vladimir Kagan, 74 anos.
Tido como
um dos mais importantes criadores de móveis de todos os tempos,
com trabalhos vendidos a preço de ouro em leilões e uma
lista de celebridades entre os clientes, ele considera que a pressa é
inimiga cruel de quem planeja comprar um móvel. "Deve-se pesquisar,
comparar orçamentos e conhecer muito bem a peça antes de
bater o martelo", aconselha. Para o experiente designer, mais vale confiar
nos próprios instintos que dar ouvido às opiniões
de parentes, amigos, vizinhos, enfim, aquele pessoal que adora dar palpite
nessas horas. Sempre que possível, é aconselhável
consultar um decorador, mas é um erro dar-lhe plenos poderes
afinal, não é ele quem vai pagar a conta e conviver todos
os dias com aquela peça. Quando o modelo já está
escolhido mas a dúvida persiste em relação à
cor, Vladimir Kagan não hesita em sugerir o vermelho. "É
perfeito para destacar objetos e vai bem com qualquer outra cor", considera.
Remanescente
do tempo em que os móveis eram para a vida toda, Kagan ressalta
que não há como desvincular a qualidade do preço.
Ou seja: o que é bom custa caro. No caso da maior parte das peças
assinadas por ele, acima de 10.000 reais. Para
quem precisa encontrar um meio-termo por força das limitações
orçamentárias, no entanto, o designer recomenda as grandes
lojas de decoração. "Elas são úteis porque
permitem acesso a um bom design com baixo custo e oferecem grande variedade
de opções sob o mesmo teto", diz. Se as peças não
têm lá aquela durabilidade que se sonhou, pode-se transformar
isso em uma vantagem: dá para estar no pique da moda em decoração
a cada cinco anos.
Os fabricantes
já descobriram que os brasileiros vêm abandonando de vez
a idéia de que móveis devem ser tão duráveis
quanto antigamente. "As pessoas mudam e querem que o lugar em que vivem
acompanhe essa transformação", observa Eliana Bussab, superintendente
do D&D Shopping, que reúne 120 lojas em São Paulo. "Comprar
móveis é um investimento em qualidade de vida." Dos 9,7
bilhões de reais faturados pela indústria moveleira do Brasil
no ano passado, 60% vieram da venda de peças destinadas a residências.
De olho no filão, as maiores empresas estão investindo no
desenvolvimento de desenhos exclusivos, cientes de que isso pode ser o
diferencial na disputa com a concorrência. "Mas o consumidor não
se deve deixar seduzir apenas pela aparência", lembra o fundador
das lojas Tok & Stok, Regis Dubrule. "Design é um conceito
bem mais amplo, que leva em conta não apenas a beleza mas também
a funcionalidade, o conforto e o custo das peças."
|
|
 |