"Tá a
fim?"
"Não, tô fora!"
Pesquisa
inédita foi conhecer a
cabeça dos jovens que não se drogam
Entre os
diversos estudos já realizados sobre a relação dos
jovens com as drogas, a grande maioria procura explicar o que leva rapazes
e moças ao vício. Poucos se dedicam a desvendar os motivos
que mantêm uma parte da juventude afastada da maconha, da cocaína
ou das pílulas de ecstasy. Acaba de ser concluído um trabalho
que analisa como funciona o freio da dependência química.
Realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas
Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo,
a pesquisa entrevistou uma centena de jovens de classe média ao
redor dos 20 anos. Metade deles havia experimentado algum tipo de droga,
mas parou logo depois dos primeiros contatos. A outra metade, apesar de
já ter tido a oportunidade, nunca se arriscou no mundo dos tóxicos.
Os pesquisadores se interessaram em saber como esse grupo venceu a guerra.
Nos dois
casos, tanto no grupo dos que provaram drogas mas as abandonaram quanto
naquele dos que jamais as experimentaram, uma justificativa que chamou
a atenção foi o receio de perder o controle. Entre os que
consumiram mas não foram adiante com o uso, predominaram respostas
do tipo: "Usei cocaína e a sensação foi tão
boa que, com medo, não tive coragem de arriscar outra vez". Entre
os que nem sequer experimentaram, o que mais se ouviu foi: "Gosto de ter
domínio sobre meus atos, e as drogas tiram a gente de órbita".
Cerca de 25% dos jovens brasileiros já consumiram algum tipo de
tóxico. Nem todos, porém, estão condenados ao vício.
Grande parte deles usa as drogas algumas vezes e as deixa de lado. Por
que muitos as experimentam e não se tornam usuários freqüentes?
Um dos motivos para o abandono citado na pesquisa do Cebrid são
os efeitos desagradáveis provocados pelos tóxicos. Há
de se levar em conta ainda aqueles que relatam ter desistido porque os
efeitos causados pela droga ficaram aquém de suas expectativas.
Para a psicóloga
Ceres de Araujo Alves, professora da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo, especializada em infância e adolescência,
apesar da suscetibilidade dos jovens à pressão do grupo,
a influência dos pais pode ser decisiva para deixá-los afastados
das drogas. "Esses meninos e meninas que não experimentam drogas
têm em comum o fato de manter um ótimo relacionamento com
os pais", diz Ceres. "O diálogo é aberto e eles são
admirados e valorizados em casa." De nada adianta a repressão pura
e simples, o discurso impessoal e o hábito de vigiar os filhos.
Como não existem regras feitas no campo do relacionamento humano,
há diversos casos conhecidos de filhos que se viciaram mesmo mantendo
um bom entrosamento familiar.

Fonte:
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas
(Cebrid)
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