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Oscar Cabral![]() |
ROSANA
GONÇALVES |
Quando a cirurgiã plástica paulistana Loriti Breuel instrui seus pacientes sobre os resultados, benefícios, riscos e desconfortos de uma operação, sabe perfeitamente do que está falando. Sua primeira plástica foi aos 25 anos, para corrigir o nariz. De lá para cá, levantou a testa para deixar o olhar menos caído, fez um minilifting na face e no pescoço, tirou bolsas de gordura das pálpebras, colocou prótese de silicone nas maçãs do rosto, levantou os seios e, ufa, passou por duas lipoaspirações. Em contrapartida a tanta supressão de materiais, acumulou um vasto aprendizado prático, que lhe permitiu, por exemplo, compor uma escala pessoal de dor, que vai de zero a 10. "Fiz tudo o que fiz porque sou vaidosa mesmo, mas hoje consigo entender o que os operados sentem. A lipo é a pior: fica entre 7 e 8 na escala", afirma. Aos 47 anos, orgulha-se, e muito, dos elogios que diz ouvir em seu consultório e compartilha generosamente com os pacientes suas experiências em matéria de tratamentos de pele e cirurgias plásticas.
Loriti faz parte do numeroso time de médicos ligados à área estética que aplicam em si mesmos as plásticas, os preenchimentos de rugas e os tratamentos para rejuvenescer que receitam a seus pacientes. Nos procedimentos mais simples, tipo uma injeção e pronto, costumam se auto-aplicar. Nas cirurgias, o trabalho em geral fica a cargo da equipe que os acompanha. Mais além da pura vaidade, a testa sem uma linhazinha sequer e os lábios explosivos funcionam nos médicos como vitrines para atrair clientes, num país onde a vaidade tem enorme poder de fogo: segundo a Allergan, empresa que produz o onipresente Botox, o Brasil é atualmente o segundo maior mercado mundial na área cosmética, atrás apenas dos Estados Unidos. No quesito plásticas, somos campeões no ano passado, em cada 100 000 brasileiros, 207 fizeram uma cirurgia estética.
| LORITI
BREUEL, 47 anos, cirurgiã plástica Ficha pessoal: afinou a ponta do nariz. Depois, levantou a testa, fez minilifting no pescoço e rosto, tirou bolsas de gordura das pálpebras, pôs prótese de silicone nas maçãs do rosto, levantou os seios e fez duas lipoaspirações. Agenda: atende vinte a trinta pessoas por dia, nas quais realiza pelo menos uma cirurgia e cerca de dez procedimentos mais simples. |
Claudio Rossi![]() |
Consultar-se com um médico que já passou por agulhadas e cirurgias impressiona bem. "Quem quer mudar normalmente está inseguro e precisa de um bom exemplo. Se não o vê, é como ir a uma manicure que tenha as unhas sujas ou fazer ginástica com um professor obeso", compara a médica carioca Rosana Gonçalves, 37 anos, que participou no início do mês, a convite da própria Allergan, da reunião anual dos 100 médicos que mais empregam Botox a toxina botulínica que alisa a testa e a área em volta dos olhos na América Latina. Em si mesma, Rosana já fez oito aplicações, a primeira há cinco anos. Também já recorreu quatro vezes ao preenchimento com ácido hialurônico de rugas ao redor dos lábios. Satisfeita, mostra aos pacientes de seus dois consultórios suas fotos de antes e depois das mudanças. "Não utilizo nada que não usaria em mim", diz. Há duas semanas, Rosana fez mais uma mexidinha: tomou injeções no abdome de Lipostabil, o medicamento empregado para derreter gordura localizada cujo uso vem se propagando rapidamente nos consultórios de estética. À base de fosfatidil colina, a substância, que era aplicada em pacientes com acúmulo de gordura nas artérias, pode vir a ameaçar a hegemonia da lipoaspiração em matéria de ataque às protuberâncias localizadas. A contra-indicação, reiterada por vários médicos: ainda não existem estudos sobre o efeito a longo prazo das aplicações.
Oscar Cabral![]() |
ANDRÉ
MATTOS, 38 anos, cirurgião plástico Ficha pessoal: implante de cabelos e lipoaspiração para retirar "pneus". Agenda: atende dez pacientes, nos quais faz seis procedimentos simples e duas cirurgias por dia. |
Entre os medalhões da classe médica que continuam a seguir a tradição de discrição, o exibicionismo é visto com má vontade. Não há nada, porém, no código de ética que recrimine o auto-retoque. "O que poderia render uma chamada de atenção seria fazer promoções com fins comerciais, como anunciar numa revista usando o próprio rosto como amostra", diz Júlio Cezar Meirelles, assessor para assuntos de ética do Conselho Federal de Medicina. Apesar do marketing pessoal que eles agregam a uma consulta, contar o que fez é considerado "esclarecimento à sociedade". Pensa exatamente dessa maneira André Mattos, 38 anos, que foi aluno de Ivo Pitanguy e tem duas clínicas no Estado do Rio. Mattos, que entre outras cirurgias faz implantes capilares, pôs-se nas mãos de sua equipe assim que percebeu que seus cabelos rareavam. "O conhecimento dos livros é diferente de passar pela experiência. Agora, dou ânimo aos pacientes", diz.
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O
CASAL BOTOX
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