Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 753 - 29 de maio de 2002
Geral Beleza
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
  Ministério revela os hábitos dos melhores alunos
Novo sistema de alerta para colisões evita acidentes
Pilotos querem investigar avião da Airbus
Uma trilha sobre as árvores
A pesca de truta no Rio Grande do Sul
Fábricas investem na beleza interna
Excesso de tecnologia atrapalha motorista
Hells Angels viram grife e se metem em confusão
Médicos que são vitrines de seus tratamentos
Dubai passa por revolução urbanística
Pesquisa revela as razões que afastam jovens do vício
Balanço de uma década de globalização
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

VEJA na copa
Para usar
VEJA on-line
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Faça o que eu faço

Médicos da área estética são
vitrines dos tratamentos que
receitam a seus pacientes

Silvia Rogar

 
Oscar Cabral

ROSANA GONÇALVES
37 anos, clínica-geral com pós-graduação em dermatologia
Ficha pessoal: oito aplicações de Botox, quatro preenchimentos ao redor da boca e injeções para eliminar gordura do abdome.
Agenda: atende diariamente quinze a vinte pessoas (40% homens), nas quais faz dez aplicações de Botox e entre cinco e dez dos ácidos hialurônico e polilático.

Quando a cirurgiã plástica paulistana Loriti Breuel instrui seus pacientes sobre os resultados, benefícios, riscos e desconfortos de uma operação, sabe perfeitamente do que está falando. Sua primeira plástica foi aos 25 anos, para corrigir o nariz. De lá para cá, levantou a testa para deixar o olhar menos caído, fez um minilifting na face e no pescoço, tirou bolsas de gordura das pálpebras, colocou prótese de silicone nas maçãs do rosto, levantou os seios e, ufa, passou por duas lipoaspirações. Em contrapartida a tanta supressão de materiais, acumulou um vasto aprendizado prático, que lhe permitiu, por exemplo, compor uma escala pessoal de dor, que vai de zero a 10. "Fiz tudo o que fiz porque sou vaidosa mesmo, mas hoje consigo entender o que os operados sentem. A lipo é a pior: fica entre 7 e 8 na escala", afirma. Aos 47 anos, orgulha-se, e muito, dos elogios que diz ouvir em seu consultório e compartilha generosamente com os pacientes suas experiências em matéria de tratamentos de pele e cirurgias plásticas.

Loriti faz parte do numeroso time de médicos ligados à área estética que aplicam em si mesmos as plásticas, os preenchimentos de rugas e os tratamentos para rejuvenescer que receitam a seus pacientes. Nos procedimentos mais simples, tipo uma injeção e pronto, costumam se auto-aplicar. Nas cirurgias, o trabalho em geral fica a cargo da equipe que os acompanha. Mais além da pura vaidade, a testa sem uma linhazinha sequer e os lábios explosivos funcionam nos médicos como vitrines para atrair clientes, num país onde a vaidade tem enorme poder de fogo: segundo a Allergan, empresa que produz o onipresente Botox, o Brasil é atualmente o segundo maior mercado mundial na área cosmética, atrás apenas dos Estados Unidos. No quesito plásticas, somos campeões – no ano passado, em cada 100 000 brasileiros, 207 fizeram uma cirurgia estética.

 
LORITI BREUEL,
47 anos, cirurgiã plástica
Ficha pessoal:
afinou a ponta do nariz. Depois, levantou a testa, fez minilifting no pescoço e rosto, tirou bolsas de gordura das pálpebras, pôs prótese de silicone nas maçãs do rosto, levantou os seios e fez duas lipoaspirações.
Agenda: atende vinte a trinta pessoas por dia, nas quais realiza pelo menos uma cirurgia e cerca de dez procedimentos mais simples.
Claudio Rossi

Consultar-se com um médico que já passou por agulhadas e cirurgias impressiona bem. "Quem quer mudar normalmente está inseguro e precisa de um bom exemplo. Se não o vê, é como ir a uma manicure que tenha as unhas sujas ou fazer ginástica com um professor obeso", compara a médica carioca Rosana Gonçalves, 37 anos, que participou no início do mês, a convite da própria Allergan, da reunião anual dos 100 médicos que mais empregam Botox – a toxina botulínica que alisa a testa e a área em volta dos olhos – na América Latina. Em si mesma, Rosana já fez oito aplicações, a primeira há cinco anos. Também já recorreu quatro vezes ao preenchimento com ácido hialurônico de rugas ao redor dos lábios. Satisfeita, mostra aos pacientes de seus dois consultórios suas fotos de antes e depois das mudanças. "Não utilizo nada que não usaria em mim", diz. Há duas semanas, Rosana fez mais uma mexidinha: tomou injeções no abdome de Lipostabil, o medicamento empregado para derreter gordura localizada cujo uso vem se propagando rapidamente nos consultórios de estética. À base de fosfatidil colina, a substância, que era aplicada em pacientes com acúmulo de gordura nas artérias, pode vir a ameaçar a hegemonia da lipoaspiração em matéria de ataque às protuberâncias localizadas. A contra-indicação, reiterada por vários médicos: ainda não existem estudos sobre o efeito a longo prazo das aplicações.

 
Oscar Cabral
ANDRÉ MATTOS,
38 anos, cirurgião plástico
Ficha pessoal: implante de cabelos e lipoaspiração para retirar "pneus".
Agenda: atende dez pacientes, nos quais faz seis procedimentos simples e duas cirurgias por dia.

Entre os medalhões da classe médica que continuam a seguir a tradição de discrição, o exibicionismo é visto com má vontade. Não há nada, porém, no código de ética que recrimine o auto-retoque. "O que poderia render uma chamada de atenção seria fazer promoções com fins comerciais, como anunciar numa revista usando o próprio rosto como amostra", diz Júlio Cezar Meirelles, assessor para assuntos de ética do Conselho Federal de Medicina. Apesar do marketing pessoal que eles agregam a uma consulta, contar o que fez é considerado "esclarecimento à sociedade". Pensa exatamente dessa maneira André Mattos, 38 anos, que foi aluno de Ivo Pitanguy e tem duas clínicas no Estado do Rio. Mattos, que entre outras cirurgias faz implantes capilares, pôs-se nas mãos de sua equipe assim que percebeu que seus cabelos rareavam. "O conhecimento dos livros é diferente de passar pela experiência. Agora, dou ânimo aos pacientes", diz.

 

O CASAL BOTOX

Danielle Levitt

Jean e Alastair, os pioneiros: na própria pele


O casal de médicos canadenses na foto ao lado não esconde quantos anos tem, muitos menos o que usa para manter o ar jovial. Com a pele esticadíssima, Jean, 54 anos, e Alastair Carruthers, 57, são propagandas ambulantes dos efeitos de sua grande descoberta: o Botox. Os dois foram os pioneiros na aplicação para fins estéticos da substância à base de toxina botulínica que atenua temporariamente as marcas do tempo no rosto. Até 1987, o produto era empregado para tratar espasmos musculares ao redor dos olhos. A oftalmologista Jean observou que, depois das injeções, seus pacientes ficavam livres das rugas. O marido, dermatologista, aplicou uma dose na testa da recepcionista de seu consultório. E criou-se o Botox. Desde então, os Carruthers, em sua clínica em Vancouver, continuam as pesquisas sobre o produto, que, segundo estimativas americanas, foi usado em 1,6 milhão de procedimentos estéticos no ano passado em todo o mundo. O casal se dedica de cútis e alma ao assunto. Jean aplica-se Botox a cada quatro meses há quinze anos; Alastair faz o mesmo há dez. "É maravilhoso poder dividir a própria experiência com as pessoas", maravilha-se ela, que também já se rendeu a dois liftings.

 

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS