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Edição 1 753 - 29 de maio de 2002
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A gangue com grife

Hells Angels, os rebeldes que
viraram marca comercial, se
envolvem em rixa sangrenta

 
AP Photo/The Record, Michael Maccollum

Enterro de um angel morto em Nevada: fama de grupo truculento

A polícia dos Estados Unidos anda às voltas com um problema recorrente: as rixas sangrentas entre gangues de motociclistas. Há uma guerra em curso entre os Hells Angels, o grupo mais tradicional e numeroso, com 2 000 membros, e uma coligação de grupos menores, liderada pelos Mongols e envolvida com o crime organizado. No mês passado, dezenas de motoqueiros dos dois bandos envolveram-se numa briga, com tiros e facadas, num cassino no Estado de Nevada. O resultado foram três mortos – dois angels e um mongol. Em fevereiro, num confronto em Nova York entre os Angels e os Pagans (pagãos), aliados dos Mongols, um pagan morreu. A situação é pior no Canadá, onde morreram 150 pessoas nos últimos oito anos. No início do mês, o líder da facção de Quebec foi condenado à prisão perpétua por homicídio. Nos Estados Unidos, o conflito decorre da entrada dos Mongols no norte da Califórnia, tradicional reduto dos Hells Angels.

A violência é inesperada, pois os Hells Angels, que estão na estrada desde 1948, envelheceram e pareciam domesticados. A maioria tem mais de 40 anos, usa celular, trabalha duro todos os dias e curte o fim de semana na única moto que um angel que se preze pode pilotar, a Harley-Davidson. Embora mantenham o visual agressivo e a paixão pela velocidade, pensam duas vezes antes de se meter em encrenca. O mais temido deles, Sonny Barger, passou treze de seus 63 anos na cadeia. Hoje divide o tempo entre sua loja de motos e andanças pelos Estados Unidos para divulgar o livro de memórias. As viagens são demoradas, pois uma persistente dor nas costas impede Barger de pilotar muitas horas seguidas. Que diferença do passado. No auge da fama, em 1969, os Hells Angels foram contratados para fazer a segurança de um concerto ao ar livre dos Rolling Stones, na Califórnia. O pagamento foi feito em cerveja e o resultado, um desastre: um jovem foi morto a facadas diante das câmaras de televisão. Nos anos 70 e 80, facções do grupo enveredaram pelo crime organizado e vários de seus líderes acabaram presos ou assassinados.

É verdade que nunca fizeram questão de se livrar da imagem de truculência. Ao contrário – descobriram na fama de rebeldes sem causa um filão para ganhar dinheiro e novos adeptos. Nos últimos anos, os Hells Angels cresceram nos moldes de uma multinacional. Concederam autorização para a abertura de filiais em 23 países, incluindo o Brasil, todas com autonomia para escolher membros e gerir recursos. É possível comprar em lojas próprias ou pela internet jaquetas de couro, camisetas e até relógios da grife Hells Angels. O faturamento é um segredo guardado pela matriz, na Califórnia. Nos anos 60 e 70, quem se atrevesse a posar de angel vestindo seus símbolos levava uma surra e tinha a moto destruída. Hoje, a turma da pesada que zela pela marca é composta de advogados especializados em direito autoral.

 

ESTA TUDO À VENDA

Até os anos 80, só os membros podiam exibir os símbolos dos Hells Angels. Hoje, a gangue tem filiais em 23 países e uma linha de produtos à venda pela internet até para quem nunca pilotou uma moto

 
Fotos divulgação
Caneca, isqueiro, relógio (fotos) e casaco de couro, alguns produtos da marca Hells Angels: em busca de lucro



   
 
   
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