A ameaça digital
Excesso
de computação inferniza
a vida de quem dirige os novos
automóveis de luxo
Fotos divulgação
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O
painel do 745i da BMW, com a tela do iDrive (acima) e o joystick
(à esq.): recursos complicados |
Bonitos e
confortáveis, os carros de luxo são também o laboratório
tecnológico das fábricas de automóveis. Neles são
instalados pela primeira vez os equipamentos que mais tarde podem chegar
aos veículos comuns. Isso explica, em parte, por que são
tão caros. No momento, a briga entre os fabricantes é para
ver qual deles coloca a maior quantidade de chips a bordo. Os modelos
da série 7 da BMW e o conversível SL 500 da Mercedes-Benz,
por exemplo, dispõem de monitores no painel similares aos de um
computador. Quase tudo nesses carros é regulado eletronicamente,
da sintonia das estações de rádio à altura
dos encostos de cabeça nos bancos. A complicação
repete no carro o que se vê nos videocassetes. Vêm com mil
e uma funções programáveis, mas a maioria das pessoas
só precisa realmente de dois botões: gravar e reproduzir.
Antes de
dirigir o BMW 745i, carrão de 350.000
reais, o comprador é convidado a uma aula de quatro horas na concessionária
e à leitura atenta de um manual de 300 páginas. É
a introdução ao sistema computadorizado chamado iDrive,
que executa 700 funções dentro do carro. Há poucas
coisas no mundo da eletrônica tão intuitivas quanto girar
um botão. Para mudar uma estação de rádio
é preciso navegar por três menus do computador de bordo,
girando e apertando um joystick no formato de uma tampa de garrafa térmica
instalado no console central do carro. Experimente fazer isso no trânsito
intenso da cidade. Em lugar da velha chave, o motorista insere um cartucho
magnético numa fresta no painel e aperta o botão de partida
próximo ao volante. É um sistema engenhoso, mas o cartucho
é delicado. Se for guardado no bolso, como a velha chave, pode
ter os circuitos internos danificados. Se isso acontecer, o motorista
não pode entrar no veículo, e não adianta chamar
o chaveiro da esquina.
O computador
no automóvel é como qualquer outro: trava inesperadamente,
e ninguém sabe a razão. Um repórter do jornal The
New York Times que testou o BMW 745i enfrentou o seguinte problema:
sempre que movia o banco para a frente, para poder alcançar os
pedais, o sistema de regulagem automática do banco subia exageradamente
o encosto da cabeça. Entendeu, com bom humor, que o computador
estava programado para só aceitar motorista alto mas de pernas
curtas.
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