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Edição 1 753 - 29 de maio de 2002
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A ameaça digital

Excesso de computação inferniza
a vida de quem dirige os novos
automóveis de luxo

 
Fotos divulgação
O painel do 745i da BMW, com a tela do iDrive (acima) e o joystick (à esq.): recursos complicados

Bonitos e confortáveis, os carros de luxo são também o laboratório tecnológico das fábricas de automóveis. Neles são instalados pela primeira vez os equipamentos que mais tarde podem chegar aos veículos comuns. Isso explica, em parte, por que são tão caros. No momento, a briga entre os fabricantes é para ver qual deles coloca a maior quantidade de chips a bordo. Os modelos da série 7 da BMW e o conversível SL 500 da Mercedes-Benz, por exemplo, dispõem de monitores no painel similares aos de um computador. Quase tudo nesses carros é regulado eletronicamente, da sintonia das estações de rádio à altura dos encostos de cabeça nos bancos. A complicação repete no carro o que se vê nos videocassetes. Vêm com mil e uma funções programáveis, mas a maioria das pessoas só precisa realmente de dois botões: gravar e reproduzir.

Antes de dirigir o BMW 745i, carrão de 350.000 reais, o comprador é convidado a uma aula de quatro horas na concessionária e à leitura atenta de um manual de 300 páginas. É a introdução ao sistema computadorizado chamado iDrive, que executa 700 funções dentro do carro. Há poucas coisas no mundo da eletrônica tão intuitivas quanto girar um botão. Para mudar uma estação de rádio é preciso navegar por três menus do computador de bordo, girando e apertando um joystick no formato de uma tampa de garrafa térmica instalado no console central do carro. Experimente fazer isso no trânsito intenso da cidade. Em lugar da velha chave, o motorista insere um cartucho magnético numa fresta no painel e aperta o botão de partida próximo ao volante. É um sistema engenhoso, mas o cartucho é delicado. Se for guardado no bolso, como a velha chave, pode ter os circuitos internos danificados. Se isso acontecer, o motorista não pode entrar no veículo, e não adianta chamar o chaveiro da esquina.

O computador no automóvel é como qualquer outro: trava inesperadamente, e ninguém sabe a razão. Um repórter do jornal The New York Times que testou o BMW 745i enfrentou o seguinte problema: sempre que movia o banco para a frente, para poder alcançar os pedais, o sistema de regulagem automática do banco subia exageradamente o encosto da cabeça. Entendeu, com bom humor, que o computador estava programado para só aceitar motorista alto mas de pernas curtas.

   
 
   
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