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A beleza está
no interior
Fabricantes
agora tentam
atrair os compradores com
painéis mais bonitos
Fotos divulgação
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| Audi
TT Roadster: painel e bancos misturam Bauhaus com beisebol |

Veja também |
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A decisão
de comprar este ou aquele carro novo é, tradicionalmente, a soma
de algumas considerações práticas. O comprador avalia
a aparência, a potência do motor e os recursos mecânicos.
O que os fabricantes estão fazendo agora é acrescentar um
novo item a ser considerado: o design interno. São detalhes que
raramente recebiam atenção, como formato dos botões
no painel, materiais de acabamento e iluminação dos mostradores.
Tanto o interior dos carros luxuosos quanto o dos mais simples estão
repletos de novidades capazes de encher os olhos dos motoristas. Mas,
evidentemente, é nos modelos de luxo que está a melhor vitrine.
Um exemplo é o TT Roadster, um conversível esportivo de
dois lugares produzido pela Audi alemã que é vendido no
Brasil por 165.000 reais. As saídas
de ar e os botões de alumínio escovado com formato saliente
e arredondado são inspirados no estilo Bauhaus, a célebre
escola alemã de design desaparecida em 1933 mas ainda hoje referência
para a arte e a arquitetura. Os bancos de couro avermelhado têm
uma costura que lembra uma luva de beisebol. O resultado é tão
bonito que impressiona até mesmo quem nunca ouviu falar em Bauhaus
e jamais assistiu a uma partida de beisebol.
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| Novo
Mini, da BMW: detalhes copiados do ônibus espacial e câmbio que lembra
o dos antigos carros de corrida |
"O interior
do carro é uma homenagem aos esportivos dos anos 50 e 60 que estão
no imaginário de qualquer amante do automobilismo", diz Lothar
Werninghaus, chefe de treinamento técnico da Audi no Brasil. Do
outro lado do Atlântico, o novo Lincoln Navigator, um grande jipe
de luxo de 50.000 dólares produzido
pela Ford americana, traz detalhes como iluminação dos mostradores
do painel idêntica à dos jatinhos executivos. Em vez da tonalidade
amarela dos modelos anteriores, a luz emitida por lâmpadas especiais
é de uma tonalidade branca levemente azulada. O acabamento combina
metais como níquel com madeiras como carvalho, e os mostradores
copiam o desenho. Veículos que custam um terço do preço
do Lincoln Navigator também têm acabamento interno requintado.
O Mini, carrinho popular produzido pela BMW, mistura tradição
com modernidade. Os mostradores redondos, os detalhes de metal e o câmbio
lembram um carro de corrida antigo. Já os botões do painel
e as alavancas ao redor do volante foram inspirados nos interruptores
que existem no ônibus espacial americano. O conjunto faz do Mini
o melhor exemplo daquilo que está sendo chamado de "chique e barato".
Há
quatro anos, a Volkswagen surpreendeu ao instalar um vasinho com uma margarida
ao lado do volante do New Beetle, reminiscência dos primeiros automóveis
europeus, que contavam com amenidades como essa. "Nos anos 70 e 80, as
fábricas de carro pararam de pensar no motorista", diz Emilio Paganoni,
chefe de desenvolvimento de produto da Chrysler no Brasil. "O requinte
se restringia ao estilo da carroceria." Hoje não é mais
assim. As pessoas querem carros que sejam tão bonitos por dentro
quanto por fora. Não se trata de uma mudança sem motivo.
Estudos encomendados pelos fabricantes concluíram que, devido ao
trânsito infernal das grandes cidades, os motoristas passam em média
82 minutos por dia dentro do carro. É mais que o dobro do que ocorria
vinte anos atrás. Os compradores também estão fartos
da padronização excessiva que marcou a indústria
automobilística nas últimas décadas.
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