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Volta às origens
O esporte
da moda é fazer
trilha em cima das árvores
José
Edward
Fabio Nunes

Caminhada sobre a Mata Atlântica no Espírito Santo: jeito original
de curtir a natureza |
Há
uns 3 milhões de anos, a humanidade começou a descer das
árvores. De uns tempos para cá, começou a subir de
novo, por pura diversão. Esse é o objetivo do arvorismo,
uma nova modalidade esportiva que faz sucesso entre os adeptos do turismo
de aventura. O esporte é praticado em trilhas aéreas, amarradas
em árvores ou postes com até 30 metros de altura. No meio
do caminho, para dar mais emoção à brincadeira, são
colocados diversos obstáculos, como redes, túneis feitos
de tambor e "falsas baianas" (cordas bambas que dificultam o equilíbrio).
Para subirem até o topo das árvores, os praticantes usam
escadas de corda, paredes de escalada e os chamados troncos indígenas
cheios de reentrâncias, que permitem ao atleta ir se agarrando
na subida. Na descida, os recursos são cadeirinhas de rappel e
carretilhas amarradas a cordas de alpinismo.
"A sensação
de andar no nível da copa das árvores é indescritível",
diz a estudante Talita Ribeiro, 21 anos, que fez sua estréia nesse
tipo de aventura no início de maio, num circuito de duas horas
mantido pela agência Altus Turismo Ecológico, na Serra da
Mantiqueira, em Campos do Jordão. Um dos principais atrativos do
arvorismo é ser uma aventura possível mesmo para quem não
tem o preparo físico exigido em esportes radicais. E também
não apresenta os mesmos riscos. O trajeto é monitorado por
guias, os praticantes ficam o tempo todo presos a cabos de segurança
e pode-se interromper o passeio a qualquer momento. Só cumpre as
etapas mais emocionantes quem quer. As agências geralmente fornecem
um kit com capacete, cadeirinha para escalada, polias, grampos de alpinismo
e travas que impedem tombos durante as escaladas.
Já
existem circuitos do gênero em quase todo o país. Um dos
mais badalados é o Verticália, inaugurado no fim do ano
passado, em Brotas, a 260 quilômetros da capital paulista. Lá,
as trilhas aéreas apresentam cinco níveis de dificuldade,
e o participante pode praticar 36 tipos de acrobacia aérea. No
circuito que a agência Saga Trek mantém em Analândia,
também em São Paulo, é possível fazer vôos
rasantes entre copas de eucalipto a 25 metros do solo, amarrado a um cabo
de aço. Em Guarapari, no Espírito Santo, o circuito Top
Trilha tem parte de seu percurso sobre uma lagoa. Criado na Europa e transformado
em esporte na Nova Zelândia, o arvorismo apareceu no Brasil há
quatro anos, no interior de São Paulo e no sul da Bahia. Pagam-se
para experimentar essa espécie de volta às origens entre
15 e 70 reais, conforme o lugar e a temporada.
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