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Edição 1 753 - 29 de maio de 2002
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Suspeita no ar

Pilotos americanos pedem
inspeção em avião da Airbus

Há seis meses, a cauda de um Airbus modelo A300-600, da American Airlines, desprendeu-se misteriosamente da fuselagem, provocando a queda do avião nas vizinhanças do bairro do Queens, em Nova York, e a morte de 265 pessoas. O desastre assustou os moradores da cidade, ainda traumatizados pelos ataques terroristas ocorridos dois meses antes, e provocou uma reação inédita entre os pilotos da companhia aérea. Eles se uniram para pedir que o FAA, o órgão que fiscaliza a aviação civil nos Estados Unidos, faça uma vistoria especial nas 93 aeronaves desse tipo existentes no país, porque acreditam que o acidente foi provocado por defeitos estruturais. Na semana passada, ganharam o apoio da Coalizão das Associações de Pilotos de Companhias Aéreas, que representa 20.000 pilotos profissionais nos Estados Unidos – mas nem por isso a inspeção será realizada.

O FAA diz que seria o pior a fazer, pois desmontar e montar a cauda para o exame pode comprometer de vez a segurança dos Airbus. "Defeitos estruturais em aviões não são novidade. A reação dos pilotos é o fato novo nesse episódio", diz Ricardo Durazzo, especialista em aviação da consultoria A.T. Kearney, de São Paulo. Exceto por esse acidente estranho, o A300-600 é uma boa aeronave. Mas a história da aviação é cheia de erros de projeto. Na década de 50, o Comet, da companhia DeHavilland, foi protagonista de vários desastres decorrentes de problemas de pressurização. Já a fadiga de materiais foi a causa de acidentes com a primeira versão do Electra, da Lockheed. Os defeitos foram corrigidos, e o Electra II se tornou um dos aviões mais seguros já fabricados.

   
 
   
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