Suspeita no ar
Pilotos
americanos pedem
inspeção em avião da Airbus
Há
seis meses, a cauda de um Airbus modelo A300-600, da American Airlines,
desprendeu-se misteriosamente da fuselagem, provocando a queda do avião
nas vizinhanças do bairro do Queens, em Nova York, e a morte de
265 pessoas. O desastre assustou os moradores da cidade, ainda traumatizados
pelos ataques terroristas ocorridos dois meses antes, e provocou uma reação
inédita entre os pilotos da companhia aérea. Eles se uniram
para pedir que o FAA, o órgão que fiscaliza a aviação
civil nos Estados Unidos, faça uma vistoria especial nas 93 aeronaves
desse tipo existentes no país, porque acreditam que o acidente
foi provocado por defeitos estruturais. Na semana passada, ganharam o
apoio da Coalizão das Associações de Pilotos de Companhias
Aéreas, que representa 20.000 pilotos
profissionais nos Estados Unidos mas nem por isso a inspeção
será realizada.
O FAA diz
que seria o pior a fazer, pois desmontar e montar a cauda para o exame
pode comprometer de vez a segurança dos Airbus. "Defeitos estruturais
em aviões não são novidade. A reação
dos pilotos é o fato novo nesse episódio", diz Ricardo Durazzo,
especialista em aviação da consultoria A.T. Kearney, de
São Paulo. Exceto por esse acidente estranho, o A300-600 é
uma boa aeronave. Mas a história da aviação é
cheia de erros de projeto. Na década de 50, o Comet, da companhia
DeHavilland, foi protagonista de vários desastres decorrentes de
problemas de pressurização. Já a fadiga de materiais
foi a causa de acidentes com a primeira versão do Electra, da Lockheed.
Os defeitos foram corrigidos, e o Electra II se tornou um dos aviões
mais seguros já fabricados.
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