Pelo
silêncio
Tucano
evita depoimento
de
Ricardo Sérgio à CPI
Milton Michida/AE

O ex-caixa:
formas discretas |
Na
semana passada, a CPI que apura a privatização do Banespa
transferiu-se de Brasília para São Paulo. Os deputados pretendiam
ouvir o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira,
também ex-tesoureiro das campanhas de José Serra e Fernando
Henrique Cardoso, sobre um empréstimo supostamente irregular concedido
pelo banco. O depoimento, porém, não aconteceu. Na véspera,
o deputado Julio Semeghini, tucano de São Paulo, conseguiu suspender
a audiência. Argumentou que o tal empréstimo aconteceu em
1992 e as investigações da CPI cobrem apenas o período
de 1994 em diante. Assim, o caso Ricardo Sérgio não poderia
ser apurado pela comissão. Na prática, Semeghini operou
uma manobra do governo para manter o ex-caixa tucano distante dos holofotes
O pedido do deputado só foi protocolado à noite, minutos
antes do encerramento da sessão, quando não havia mais ninguém
em plenário para contraditá-lo. Ricardo Sérgio é
suspeito de ter cobrado e recebido propina no processo de
privatização da Vale do Rio Doce. As lideranças do
PSDB temiam que o empréstimo do Banespa servisse apenas como pretexto
para que a oposição questionasse o ex-diretor do Banco do
Brasil sobre o caso da propina. Ricardo Sérgio não está
interessado em falar. Convidado a depor no Senado, ele avisou que não
iria e enviou uma carta informando que prefere se explicar "num clima
de serenidade, de forma discreta". É uma pena. Barreiras de silêncio
nunca dissipam suspeitas. Ao contrário. Deixam-nas no ar.
|