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Edição 1 753 - 29 de maio de 2002
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Pelo silêncio

Tucano evita depoimento
de Ricardo Sérgio à CPI

 
Milton Michida/AE

O ex-caixa: formas discretas

Na semana passada, a CPI que apura a privatização do Banespa transferiu-se de Brasília para São Paulo. Os deputados pretendiam ouvir o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira, também ex-tesoureiro das campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, sobre um empréstimo supostamente irregular concedido pelo banco. O depoimento, porém, não aconteceu. Na véspera, o deputado Julio Semeghini, tucano de São Paulo, conseguiu suspender a audiência. Argumentou que o tal empréstimo aconteceu em 1992 e as investigações da CPI cobrem apenas o período de 1994 em diante. Assim, o caso Ricardo Sérgio não poderia ser apurado pela comissão. Na prática, Semeghini operou uma manobra do governo para manter o ex-caixa tucano distante dos holofotes

O pedido do deputado só foi protocolado à noite, minutos antes do encerramento da sessão, quando não havia mais ninguém em plenário para contraditá-lo. Ricardo Sérgio é suspeito de ter cobrado – e recebido – propina no processo de privatização da Vale do Rio Doce. As lideranças do PSDB temiam que o empréstimo do Banespa servisse apenas como pretexto para que a oposição questionasse o ex-diretor do Banco do Brasil sobre o caso da propina. Ricardo Sérgio não está interessado em falar. Convidado a depor no Senado, ele avisou que não iria e enviou uma carta informando que prefere se explicar "num clima de serenidade, de forma discreta". É uma pena. Barreiras de silêncio nunca dissipam suspeitas. Ao contrário. Deixam-nas no ar.

 

 
 
   
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