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O
grande marqueteiro
"Numa
eleição, use a tática de Silvio
Berlusconi. Faça um contrato com seus
eleitores e registre suas promessas num
cartório. Sem estipular nenhuma pena em
caso de descumprimento"
Duda Mendonça é um amador. Nizan Guanaes também.
Se você quer ser eleito, siga os conselhos de Silvio Berlusconi,
o primeiro-ministro italiano. Ele é melhor do que todos os nossos
marqueteiros juntos. Outro dia, preparando os candidatos de seu partido
para as eleições municipais, ele explicou o que cada um
precisava fazer para virar prefeito. Umas regrinhas muito simples definidas
como "estratégia do sorriso". Antes de mais nada, o candidato deve
chamar todos os eleitores pelo nome, "música para seus ouvidos".
Depois, tem de cativá-los com elogios: "Que aspecto saudável!",
"Que linda gravata!", "Que belo sorriso!". Também é recomendável
presentear a bandeira nacional aos recém-casados, mandar lembranças
aos casais que comemoram bodas de ouro e dar uma cópia da Constituição
a quem completa 18 anos.
A melhor idéia que Berlusconi deu aos candidatos de seu partido,
porém, foi fazer um contrato com os eleitores, colocando as promessas
de campanha numa folha de papel e registrando-as num cartório.
Foi o que ele próprio fez, com grande sucesso, nas eleições
do ano passado. Os italianos, como os brasileiros, têm um temperamento
burocrático. Acreditam em qualquer documento que contenha firma
reconhecida e um punhado de carimbos. Em seu contrato, Berlusconi prometeu,
por exemplo, que diminuiria os impostos. Até agora, os impostos
só aumentaram. Mas, como o contrato não estipulava uma pena
caso suas cláusulas não fossem cumpridas, o fato tornou-se
irrelevante. Lula deveria imitar Berlusconi. Todo mundo tem medo dos desastres
que ele irá provocar na economia brasileira. Seu assessor econômico,
Guido Mantega, chegou a admitir que a principal política do governo
petista será relaxar o controle da inflação. Por
que confessar uma coisa dessas? Mesmo que seja mentira, mesmo que Lula
provoque uma nova onda de hiperinflação, não é
melhor assinar um documento jurando o contrário?
Outra promessa de campanha de Berlusconi era combater a imigração
clandestina e a criminalidade. Em seu primeiro ano de governo, tanto a
imigração clandestina quanto a criminalidade aumentaram.
Em compensação, diminuiu drasticamente o espaço que
os noticiários de TV dedicaram ao assunto, criando a reconfortante
sensação de que os problemas melhoraram. Anthony Garotinho
manipulou descaradamente os índices de criminalidade do Rio de
Janeiro, mas ele é fichinha perto de Berlusconi. Além de
possuir as três únicas redes de TV privadas da Itália,
Berlusconi, depois de eleito, passou a controlar as três redes públicas.
A maior delas, RAI 1, foi entregue a um ex-deputado de seu partido. E
o diretor do telejornal é um ex-funcionário de sua TV.
Nossos pobres candidatos têm muito a aprender com Berlusconi em
matéria de dinheiro de campanha. Veja o que aconteceu com Roseana
Sarney. Veja o que está acontecendo com José Serra. Berlusconi
cortou o problema pela raiz. Correndo o risco de ser condenado à
cadeia pelos tribunais italianos, ele candidatou oito de seus advogados
ao Parlamento. Assim que foram eleitos, esses advogados simplesmente mudaram
as leis que incriminavam Berlusconi, livrando-o de uma série de
processos. Existe solução mais rápida e definitiva
do que essa? Ou seja: Berlusconi para presidente do Brasil! O país
continuará uma bomba, mas pelo menos ele elogiará nossas
gravatas.
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