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Edição 1 753 - 29 de maio de 2002
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Os efeitos da globalização

Protesto de desempregados: nem todos os males vêm de fora

Um saldo significativo do processo de globalização para o Brasil talvez tenha sido o aprendizado de não mais atribuir todos os nossos problemas apenas a fatores externos adversos. Num momento hostil da economia mundial, com a acentuação do protecionismo dos países ricos e a diminuição do fluxo de capitais do norte rico para o sul pobre, é grande a tentação de culpar as potências econômicas por todos os males locais. Parece convidativo, como forma de retaliação, adotar medidas protecionistas ou exacerbar o nacionalismo travestido de defesa dos interesses brasileiros. São tentações ilusórias que precisam ser muito bem pensadas e discutidas antes de se transformar em medidas efetivas. O que está em jogo são as conquistas da modernização, conseqüência, em última análise, da abertura franca para o mundo.

A reportagem especial de VEJA desta semana mostra que as forças envolvidas na globalização dos mercados não podem ser definidas como neutras. Há nelas um claro viés favorável aos países que já atingiram alto grau de poupança interna, educação e níveis tecnológicos superiores – em especial os Estados Unidos. Mas o processo em si oferece a um bom número de nações a mesma gama de riscos e oportunidades. A compreensão dessa realidade foi um passo positivo da sociedade brasileira nos anos 90. Como ocorre na Copa do Mundo de Futebol, que começa nesta semana, os grandes perdedores são as seleções que nem chegam a participar do torneio. Na globalização, os países que mais perderam na década foram justamente aqueles que fugiram do jogo do capitalismo global por ideologia, caso de Cuba e Coréia do Norte, ou por não preencher os requisitos mínimos para o embate, caso de quase toda a África. O Brasil ficou no purgatório. Foi penalizado, embora tenha lucrado no processo. E, desde que se esforce, brigando inclusive com os outros participantes do mercado global, é possível que tire mais proveito ainda de um jogo que pode ser duro em certos momentos, mas é também irreversível.

 
 

 

   
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