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Os
efeitos da globalização
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| Protesto
de desempregados: nem todos os males vêm de fora |
Um
saldo significativo do processo de globalização para o Brasil
talvez tenha sido o aprendizado de não mais atribuir todos os nossos
problemas apenas a fatores externos adversos. Num momento hostil da economia
mundial, com a acentuação do protecionismo dos países
ricos e a diminuição do fluxo de capitais do norte rico
para o sul pobre, é grande a tentação de culpar as
potências econômicas por todos os males locais. Parece convidativo,
como forma de retaliação, adotar medidas protecionistas
ou exacerbar o nacionalismo travestido de defesa dos interesses brasileiros.
São tentações ilusórias que precisam ser muito
bem pensadas e discutidas antes de se transformar em medidas efetivas.
O que está em jogo são as conquistas da modernização,
conseqüência, em última análise, da abertura
franca para o mundo.
A reportagem especial de VEJA
desta semana mostra que as forças envolvidas na globalização
dos mercados não podem ser definidas como neutras. Há nelas
um claro viés favorável aos países que já
atingiram alto grau de poupança interna, educação
e níveis tecnológicos superiores em especial os Estados
Unidos. Mas o processo em si oferece a um bom número de nações
a mesma gama de riscos e oportunidades. A compreensão dessa realidade
foi um passo positivo da sociedade brasileira nos anos 90. Como ocorre
na Copa do Mundo de Futebol, que começa nesta semana, os grandes
perdedores são as seleções que nem chegam a participar
do torneio. Na globalização, os países que mais perderam
na década foram justamente aqueles que fugiram do jogo do capitalismo
global por ideologia, caso de Cuba e Coréia do Norte, ou por não
preencher os requisitos mínimos para o embate, caso de quase toda
a África. O Brasil ficou no purgatório. Foi penalizado,
embora tenha lucrado no processo. E, desde que se esforce, brigando inclusive
com os outros participantes do mercado global, é possível
que tire mais proveito ainda de um jogo que pode ser duro em certos momentos,
mas é também irreversível.
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