Túnel do tempo

Saem em CD gravações históricas feitas nos anos 70

Um belo acervo de música brasileira, registrado pela Funarte nos anos 70 e que corria o sério risco de virar peça de museu, está voltando ao mercado. Uma parceria entre a gravadora Atração Fonográfica e o Instituto Cultural Itaú vem repondo, desde o ano passado, no formato CD, uma coleção de LPs históricos que haviam sumido das lojas e até dos sebos. Nesta semana sai a terceira fornada da série, somando trinta títulos já disponíveis, alguns fundamentais. Os recém-lançados não formam um bloco homogêneo, mostrando que a recuperação do acervo quer premiar todos os gostos. A música clássica — Carlos Gomes, Camargo Guarnieri e Guerra Peixe — chega em grandes interpretações, puxadas pelos pianistas Fernando Lopes e Laís de Souza Brasil. O samba, bem representado no repertório de Candeia e Ismael Silva, é defendido com paixão por Aniceto do Império e Jards Macalé. Há ainda um mapa da música folclórica e até uma missa, a de Santa Cecília, escrita em 1826 pelo padre José Maurício Nunes Garcia.

Se a coleção traz documentos históricos e gravações curiosas, não está isenta de deslizes. Falhos, alguns encartes estorvam o ouvinte, comprometendo o caráter pedagógico da coleção, que envia 2.000 unidades de cada CD gratuitamente a bibliotecas e centros culturais. Faltam dados importantes sobre várias das gravações, enquanto outras carecem de melhor contextualização. O CD do Projeto Vitrine, que reuniu Zizi Possi, Oswaldo Montenegro e Grande Otelo, é um exemplo. Não traz uma linha sobre Terezinha de Jesus, Cláudia Savaget e Mongol, artistas que cantam no disco e cujos nomes hoje soam obscuros. Quem optar pelos CDs de Jararaca e Ratinho, de Ismael Silva ou da Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco, porém, não terá do que reclamar. Destaques da coleção, sintetizam bem as obras enfocadas e não traem o comprador com encartes desleixados. Que os próximos tenham maiores cuidados.

Celso Masson




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