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Satélites Buraco negroPrograma espacial brasileiro gastou 1 bi sem resultados Você sabia que o Brasil tem uma versão nacional da Nasa, a agência americana que lança ônibus, foguetes, sondas e astronautas ao espaço? Pois tem. É a Agência Espacial Brasileira, que funciona em Brasília, junto do Palácio do Planalto. O negócio da agência é implementar uma certa Missão Espacial Completa Brasileira, um projeto formulado há quase vinte anos para colocar o Brasil entre as nações capazes de lançar foguetes e satélites ao espaço. Até hoje, a Missão construiu poucas coisas visíveis. O país tem uma base de lançamentos de satélites em Alcântara, lançou um satélite que já caducou há mais de um ano e não foi substituído e construiu um foguete, que deu defeito e teve de ser explodido. A contabilidade da Missão Espacial Brasileira é negativa. Ela gastou cerca de 1 bilhão de dólares nos últimos dez anos e apresenta resultados que, com boa vontade, se poderiam chamar de sofríveis. Há dois anos o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inpe, tenta comprar um satélite. Já fez duas licitações. A primeira foi cancelada por ordem do Tribunal de Contas da União, ao constatar que uma das propostas que concorriam ao contrato era assinada por funcionários do próprio Inpe. Meses depois a concorrência foi reaberta, mas está suspensa novamente. O Tribunal de Contas está verificando se funcionários do Inpe favoreceram um dos grupos concorrentes. A Índia também tem sua Nasa, investe 300 milhões de dólares por ano em seu programa espacial e já produz e lança satélites três vezes maiores do que este que o Brasil não consegue comprar. No mundo todo, essa é uma área promissora do ponto de vista dos negócios. Seria bom se o Brasil estivesse investindo e se tornando competente em matéria de tecnologia espacial. Mas por enquanto parece estar despejando o dinheiro num buraco negro. Eliana Simonetti
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