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Beleza Ataque no portãoQuatro
marcas estrangeiras chegam ao país
As vendas de cosméticos e perfumaria dobraram no Brasil nos últimos quatro anos. Sem inflação, com folga maior no orçamento, as mulheres tiveram mais disposição para passar um batonzinho, se perfumar e cuidar da pele. A indústria de cosméticos lançou centenas de novidades nesse período. De esmaltes baratinhos a tratamentos de pele milionários. E vendeu de tudo. Custou um pouco para empresas de outros países perceberem as grandes oportunidades que estão surgindo no mercado brasileiro. A indústria mundial de produtos de beleza é avaliada em 700 bilhões de dólares. Em países europeus e nos Estados Unidos, não tem muito para onde crescer. No Brasil, o crescimento tem sido explosivo. No último ano, quatro grandes marcas desembarcaram no país para aproveitar a onda. Todas campeãs de vendas em seus países de origem. A maior é a americana Mary Kay, que está em 27 países e faturou 2,5 bilhões de dólares no ano passado. A sueca Oriflame, fabricante de cosméticos naturais e antialérgicos, está em 56 países e fatura cerca de 600 milhões de dólares por ano. A Zermat, mexicana, faz sucesso na América Latina vendendo perfumes baratos. E a japonesa Menard vende cosméticos a peso de ouro. Nenhuma delas tem o porte da Avon mundial, que fatura 8 bilhões de dólares por ano. Mas são empresas grandes e chegaram ao Brasil para trabalhar numa faixa que, até agora, era explorada quase que exclusivamente pela Avon e pela Natura: a da venda direta.
Uma pesquisa recente feita pela indústria de cosméticos O Boticário descobriu uma característica peculiar às consumidoras brasileiras. Elas gostam de tocar o produto, de experimentá-lo e de ser paparicadas antes de comprar. Ficam intimidadas quando se vêem diante de um balcão. Por esse motivo, as vendedoras que oferecem cremes, xampus e loções de porta em porta fazem tanto sucesso. Ficam horas explicando para a dona de casa como usar o produto, o que é melhor para sua pele, o que está na moda e coisas desse tipo. A chegada ao Brasil de quatro novas marcas de cosméticos dispostas a espalhar exércitos de vendedoras pelas ruas das cidades assustou as indústrias mais tradicionais. O Boticário começou a fazer uma reforma geral em suas lojas. Primeira novidade: elas não terão mais balcão. Segunda: as vendedoras estão sendo treinadas para tratar a clientela com a maior paciência. "Agora nossas lojas vão prestar consultoria em matéria de beleza", diz Elisabete Furtado Bronholo, gerente de planejamento de lojas da empresa.
Entre as novidades que chegaram ao Brasil, há cosméticos e perfumes para todo gosto. Os mais impressionantes são os da marca japonesa Menard. Sua linha de cremes, loções e tônicos para tratamento de pele, que leva extrato de cogumelo entre os ingredientes, custa 2.500 reais e promete milagres. "Em uma semana, as rugas praticamente desaparecem", jura Nelson Yamakami, diretor da Menard no Brasil. Completamente diferentes são os produtos da mexicana Zermat. São cosméticos tradicionais bases, esmaltes, batons e sombras para sobrancelhas. Custam entre 12 e 25 reais. Vitalizantes para a pele com extrato de ervas, loções com enzimas, bálsamos para lábios feitos com óleo de coco são a especialidade da Oriflame. Os preços variam de 6 a 30 reais. As vendedoras das novas marcas somarão, nos próximos meses, mais de 30.000 mulheres. Isso sem falar nas 700.000 que já vendem produtos Avon e Natura. É um exército e tanto. As donas de casa que se cuidem. O blim-blom das campainhas vai ser enlouquecedor. Cintia Valentini
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