O perigo norueguês

3 por 1

era a cotação do Brasil na casa de apostas londrina William Hill na semana passada. Em segundo lugar apareciam França e Alemanha, que pagavam 7 libras para quem apostasse 1 libra em suas chances, seguidas de Itália (8:1), Inglaterra e Holanda (12:1) e Argentina (14:1).

Noruega e Estados Unidos, responsáveis pelas duas últimas derrotas do Brasil, não estão para brincadeira. Em um dos catorze jogos preparatórios para a Copa disputados na quarta-feira, os EUA derrotaram a Áustria por 3 a 0, em Viena. Também como visitante, a Noruega, terceiro adversário da seleção brasileira na França, bateu a Dinamarca por 2 a 0. Um dos gols (de cabeça, é claro) foi do centroavante Tore Andre Flo, de 1,93 metro, o mesmo que infernizou Márcio Santos e Célio Silva no ano passado. A Noruega, único time a marcar quatro gols no Brasil nos últimos nove anos, fez campanha impecável nas eliminatórias e permanece invicta há dez partidas. Continua exibindo muito mais futebol do que as outras equipes que ficarão na mesma chave: Escócia e Marrocos.

"Poucos Mundiais tiveram tantas possibilidades
de destaques individuais como este. Temos Zidane,
da França, um jogador maduro com talento superior.
Também Kluivert e Bergkamp, da Holanda, Kanu,
da Nigéria, Del Piero, da Itália, Raul, da Espanha,
Ortega, da Argentina, Ronaldo e Denílson, do Brasil.
Quase todas as seleções contarão com um craque
para se observar e admirar."

Jorge Valdano, ex-jogador da Argentina
e ex-técnico do Real Madrid

Bola torta

Embora confie nos gols de Alan Shearer e Ian Wright, a Inglaterra trata de tomar outras precauções. A CBF inglesa convocou o entortador de garfos Uri Geller, conhecido por seus supostos poderes paranormais, e a curandeira Eileen Drewery para colaborarem na preparação da equipe. Velho amigo do técnico Glenn Hoddle, Geller prestou assessoria parapsíquica à seleção na Copa da Europa em 1996. Naquela ocasião, a Inglaterra perdeu o campeonato mas não a fé em seu guru. A Eileen caberá cuidar da integridade física dos atletas, ameaçada por contusões nos últimos tempos. "Mais da metade dos jogadores andou se consultando com ela", explicou Hoddle.

Última esperança

O artilheiro italiano Roberto Baggio, esquecido nas últimas convocações do técnico Cesare Maldini, continua esperançoso: "Não sei se os dezesseis gols que marquei neste campeonato são suficientes para convencer Maldini a me dar uma chance, mas vou continuar tentando". Baggio, que deu o título ao Brasil ao perder sua cobrança na disputa de penalidades que definiu a última Copa, já marcou nove gols de pênalti nesta temporada.


Túnel do tempo

O lateral colombiano Escobar, autor do gol contra que abriu o placar na vitória de 2 a 1 dos Estados Unidos sobre a Colômbia na última Copa, foi assassinado ao retornar ao país dias depois. Em Mundiais, incluindo o dele, ocorreram 21 gols contra. Nunca um jogador brasileiro passou por essa situação. Numa única ocasião a seleção foi beneficiada por um adversário que marcou contra sua meta. Aconteceu em 1950, na vitória por 6 a 1 contra a Espanha. Autor da façanha: o zagueiro Parra.

 



 

Editado por Maurício Cardoso




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line