Ancelmo Gois

Caducou

A ponte aérea Rio—São Paulo (um cartel de 38 anos que já transportou uma França — 60 milhões de passageiros) está chegando ao fim. Deve fechar em trinta dias. Agora é cada um por si.

Salva de números

Tem muito economista precisando voltar à escola para aprender a tabuada. Sabe aquela babel de números sobre a quantidade de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza? Já houve quem dissesse que eram 64 milhões, depois 32 milhões e, mais recentemente, 16 milhões. Agora tem gente no Ipea refazendo tudo. Descobriu-se que 16 milhões também é pouco demais. Vão incluir mais alguns milhões na conta dos pobres.

Pilantropia

Quando o ricaço Ted Turner resolveu doar 1 bilhão de dólares para os pobres, o mundo se encheu de admiração pelo gesto do marido da atriz Jane Fonda. Mas nosso secretário da Receita, Everardo Maciel, já localizou por aqui treze instituições "filantrópicas" com capital social superior a 1 bilhão de reais. Seria um perfume se não tivesse um forte cheiro de sonegação.

Psicopatia

Collor começa a semana em Minas. De lá vai a Brasília e depois segue para o Rio, com passagem por São Paulo. É sua campanha presidencial que está aterrissando no Brasil.

Quem dá mais

O vendedor de estatais Luiz Carlos Mendonça de Barros acha que o governo pode entesourar 21 bilhões de reais com a venda da Telebrás — melhor negócio que esse não existe no mundo no setor. Mas a avaliação do banco Merrill Lynch, que acaba de sair do forno, fala em 4 bilhões a menos — 17 bilhões.

Petrocifras

Veja por que há tanta notícia desencontrada envolvendo a Petrobrás. É que ali se trava uma disputa de bilhões. Exemplo: uma única empresa (Marítima) fechou, em pouco tempo, contratos com a estatal no valor de 2 bilhões de dólares ­ quase igual ao que fatura por ano a IBM do Brasil.

Para entender

O presidente da Acesita, Wilson Brumer, está tentando criar um fato consumado ao anunciar, com pompa, o aporte de 620 milhões de dólares da Usinor na empresa mineira. Mas o negócio ainda pode melar. É que o "barão" do aço, Benjamin Steinbruch, opera nos bastidores para evitar o desembarque dos franceses. A Acesita tem um terço da Cia. Siderúrgica de Tubarão. Steinbruch teme que a Usinor se alie à japonesa Kawasaki (dona de outro terço da CST) e engula o promissor mercado de chapa de aço para as atuais e futuras montadoras de automóveis.

Vende-se

A Transbrasil está à venda.

Gastança

O ministro Paulo Renato encomendou à Universidade de São Paulo moderno software de administração escolar para distribuir gratuitamente. O governador paulista resolveu desembolsar 3,2 milhões de reais por um software praticamente igual de uma empresa particular (Unisys).

Dever de casa

Aos trancos e barrancos, os bancos estatais vão-se ajustando. Em 1996, a rentabilidade do setor bancário governamental foi negativa (-41%). No mesmo período, bancos privados comemoraram rentabilidade positiva de 16%. Já no ano passado, a banca privada cresceu 11% — menos que a estatal, cuja rentabilidade subiu quase 20%.

Longe do Rio

Um em cada quatro brasileiros (26%) gostaria de mudar de cidade. Vão mais à procura de um bom emprego (48% ) do que à cata de qualidade de vida (29%). Morar no Rio, nem pensar (atrai apenas 6%). Bom mesmo é São Paulo, para 26%, e Minas Gerais, para 13%. Os números são do Vox Populi, numa pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte.

Sinal de alerta

Só neste ano a dengue hemorrágica já causou a morte de 429 pessoas na Indonésia.

Made in Brazil

Na semana passada, o Brasil exportou um jogador (José Francisco Martins, 19 anos, que não chegou a conhecer nem mesmo seus pais) para as Ilhas Faroe — um lugar que fica para lá do fim do mundo. Agora já são 2.256 jogadores brasileiros trabalhando em 64 nações. Jogador de futebol virou um produto de exportação tão conhecido lá fora como o café e o samba.

 


 


Concentração é isso aí. O Brasil tem pouco mais de 1000 salas de cinema. Dessas, algo em torno de 500 estão bloqueadas para os filmes Titanic e O Homem da Máscara de Ferro, ambos com Leonardo DiCaprio. O resto é para dividir com a malta.

O primeiro-filho Paulo Henrique acompanhou o pai na curta viagem à Espanha e depois foi com ele para a fazenda Buritis, em Minas. Desde que assumiu o governo, o presidente Fernando Henrique não tinha ficado tanto tempo junto do filho. Deu para botar a conversa em dia.

O Ibama acertou um golpe nas madeireiras de Mato Grosso. Cortou a autorização de transporte de 60% da frota a serviço das queimadas.

Enfim, juntos. Boni e Marluce vão ficar mais próximos do que nunca. O ex-todo-poderoso e a superintendente executiva da Rede Globo compraram apartamentos em torres gêmeas de nome francês na Praia de São Conrado, no Rio. Um vai encastelar-se na cobertura do edifício Place de la Concorde e o outro ocupará a cobertura do Rive Droite. Ficam de frente uma para a outra.

Colaboraram: David Friedlander, Julio Cesar de Barros e Virginie Leite




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