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Edição 2110

29 de abril de 2009
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Um, dois, três e aumentando

A paternidade serial de Lugo vira caso de chacota,
mas tem um lado nada engraçado: além de desonrar
seus votos, o ex-bispo abusou da posição


Vilma Gryzinski

Miguel Avalos/AP

Nunca antes na história do Paraguai – aliás, na de nenhum país – se viu coisa igual: o governo criou uma comissão informal para lidar com os casos de paternidade atribuídos ao presidente Fernando Lugo. Trabalho não vai faltar: em dez dias, apareceram três mulheres com os respectivos luguinhos e corre que mais três vão entrar na fila do DNA. Tem exagerados falando em dezesseis, dezessete filhos; o céu é o limite, quando se trata da fertilidade presidencial. A quantidade e a qualidade das piadas sobre o assunto são previsíveis – as mais publicáveis falam do seu respeito pelos mandamentos da Igreja, pelo menos quando se trata do interdito à camisinha. A paternidade serial do ex-bispo que virou presidente da conhecida filiação – ops – esquerdista-populista tem um lado nada galhofeiro: Lugo jamais proveu em nada os filhos que fez e, em pelo menos dois casos, abusou de sua posição. Viviana Carrillo, mãe de Guillermo, que completa 2 anos no próximo dia 4, morava com a tia numa casa onde Lugo se hospedava. Não está claro se tinha menos de 16 anos quando o bispo a seduziu, o que constituiria crime – de qualquer maneira, já prescrito. Benigna Leguizamón, de origem muito humilde, procurou ajuda do bispo para conseguir pensão para o primeiro filho fora do casamento. Saiu com o segundo, Lucas, de 6 anos. Damiana Morán, mãe de Juan Pablo, de 1 ano e 4 meses, é o caso mais normal, nas circunstâncias. Era coordenadora da Pastoral Social e teve com Lugo uma história de amor, "de entrega total". Diz que "há grandes interesses políticos não só nacionais, mas internacionais" envolvidos. No Paraguai, "interesses internacionais" são sinônimo de Itaipu. Ainda vai sobrar para nós a conta dos afagos do Lugo.



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