Imagem da Semana
Um, dois, três e aumentando
A paternidade serial
de Lugo vira caso de chacota,
mas tem um lado nada engraçado: além de desonrar
seus votos, o ex-bispo abusou da posição

Vilma Gryzinski
Miguel Avalos/AP
 |
Nunca antes na história
do Paraguai aliás, na de nenhum país
se viu coisa igual: o governo criou uma comissão
informal para lidar com os casos de paternidade atribuídos
ao presidente Fernando Lugo. Trabalho não vai faltar:
em dez dias, apareceram três mulheres com os respectivos
luguinhos e corre que mais três vão entrar na
fila do DNA. Tem exagerados falando em dezesseis, dezessete
filhos; o céu é o limite, quando se trata da
fertilidade presidencial. A quantidade e a qualidade das piadas
sobre o assunto são previsíveis as mais
publicáveis falam do seu respeito pelos mandamentos
da Igreja, pelo menos quando se trata do interdito à
camisinha. A paternidade serial do ex-bispo que virou presidente
da conhecida filiação ops esquerdista-populista
tem um lado nada galhofeiro: Lugo jamais proveu em nada os
filhos que fez e, em pelo menos dois casos, abusou de sua
posição. Viviana Carrillo, mãe de Guillermo,
que completa 2 anos no próximo dia 4, morava com a
tia numa casa onde Lugo se hospedava. Não está
claro se tinha menos de 16 anos quando o bispo a seduziu,
o que constituiria crime de qualquer maneira, já
prescrito. Benigna Leguizamón, de origem muito
humilde, procurou ajuda do bispo para conseguir pensão
para o primeiro filho fora do casamento. Saiu com o segundo,
Lucas, de 6 anos. Damiana Morán, mãe
de Juan Pablo, de 1 ano e 4 meses, é o caso mais normal,
nas circunstâncias. Era coordenadora da Pastoral Social
e teve com Lugo uma história de amor, "de entrega
total". Diz que "há grandes interesses políticos
não só nacionais, mas internacionais" envolvidos.
No Paraguai, "interesses internacionais" são
sinônimo de Itaipu. Ainda vai sobrar para nós
a conta dos afagos do Lugo.