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Leitor
Genética A reportagem "Genética
não é espelho" (22 de abril) ficou incrível!
Sempre admirei os mistérios que envolvem a genética
e por isso vou prestar neste ano vestibular para biomedicina!
Espero que um dia possa fazer parte do grupo de pesquisadores
que deram base a essa reportagem! Parabéns! Como clínico,
valorizo muito os antecedentes familiares. A reportagem "Genética
não é espelho" mostra como a medicina está
abrindo novos e largos caminhos para o futuro. Chegamos à
conclusão de que o patrimônio genético
é fundamental e decisivo para o desenvolvimento das
características somáticas e, em menor grau,
dos distúrbios psíquicos. Uma nova era começou. Valorizar apenas
a genética, principalmente no caso de gêmeos,
é descartar ou mesmo negar a complexa "rede de
relações" em que o sujeito se encontra
imerso durante toda a sua vida, uma rede formada pela cultura
do indivíduo, pelo seu grupo social, por sua religião,
entre outros fatores. Além disso, a família
o mesmo pai, a mesma mãe, por exemplo
pode se relacionar das mais distintas formas com os mesmos
filhos. Não haveria nenhuma carga genética que
pudesse dar conta dessa maravilhosa complexidade que são
as redes de relações humanas e a unicidade do
ser humano.
Não concordo
com o raciocínio do deputado Michel Temer (Amarelas,
22 de abril) quando ele diz ser vital separar os "equívocos"
de A, B ou C do comportamento correto da maioria dos parlamentares.
É sabido que na política brasileira prevalecem
os equívocos e o comportamento correto só de
uns poucos. É preciso, assim, preservar a instituição
dos erros de muitos, e não de poucos. A população
espera por mudanças. Ninguém suporta mais tanta
falcatrua. O deputado Michel
Temer deve ter se enganado. Naquela modesta relação
em que mostra que A, B ou C cometem aquilo que eufemisticamente
ele chama de equívocos, poderia incluir o restante
do alfabeto. E ainda faltariam letras. Após a publicação
da entrevista do nobre deputado Michel Temer, a imprensa noticiou
que ele também usou as passagens aéreas dadas
pela Câmara para levar parentes numa viagem de férias
à Bahia, em 2008. Se a questão é a falta
de clareza da ordem jurídica da Câmara em considerar
ilegal ou não essa farra, como alegado na entrevista,
por que não se consultou a vigente Constituição
Federal para observar que, além da legalidade, se devem
respeitar outros princípios como, por exemplo, o da
moralidade no trato da coisa pública? É chegada
a hora de os legisladores buscarem a legalidade e a moralidade
não apenas nos discursos, mas em suas atitudes, para
que possam reconquistar o respeito da sociedade brasileira. As declarações
do senhor Michel Temer me deixaram indignada. Só cego
não enxerga que há falta de ética, moral
e decência em nosso meio político. Infelizmente,
não vejo solução para os abusos cometidos
por nossos parlamentares. O deputado Temer
tenta diminuir as acusações do senador Jarbas
Vasconcelos classificando-as de genéricas. Genérico
é o PMDB, um partido sem identidade, sem programa e
sem moral. Genéricas, generalizadas, temerárias
e notórias são as formas como a corrupção,
o patrimonialismo e a promiscuidade dos peemedebistas com
o Erário já vinham perdendo a capacidade de
nos chocar. Genéricas são as palavras proferidas
pelo senhor Temer nas Páginas Amarelas de VEJA, que
de tão genéricas poderiam ter sido ditas a qualquer
tempo por qualquer um dos "Paraguaçus" que
com ele esbarram no Congresso.
Farra aérea dos políticos Oh, deputado...
Oh, senador... Como é incrível vossa capacidade
de tornar o público privado ("Virou agência
de viagem", 22 de abril). Tenham pena do nosso país.
Deixem de pilantragem e sejam apenas deputados e senadores. Já que nossos
ilustres deputados e senadores gostam de viajar, levando familiares
e amigos, à nossa custa, acho-me no direito de sugerir
alguns roteiros aos nobres congressistas: cruzeiro pela costa
da Somália, com direito a abordagem de piratas de verdade;
city tour pela Faixa de Gaza, de preferência quando
o Exército de Israel estiver atacando; visita aos campos
de refugiados em vários países da África,
com hospedagem e alimentação nos próprios
campos; passeio pelo Iraque e pelo Afeganistão, com
direito a homens-bomba e a uma pequena batalha com soldados
do Tio Sam. Ah, um pequeno e importante detalhe: todas as
passagens serão somente de ida!
MST Li com preocupação
a reportagem "Abatido pelo radicalismo" (22 de abril).
Mais uma vez o MST fez valer métodos revolucionários
para atingir seus objetivos. Maior preocupação
veio com a mensagem de desesperança do promotor de
Justiça Gilberto Thums, que não teve o respaldo
da administração pública para dar continuidade
ao seu trabalho. A administração pública,
estadual e federal, está deixando o "ovo da serpente"
crescer! Vamos ver passivamente isso acontecer? Parabéns,
senhor Gilberto Thums, pelo trabalho realizado no Rio Grande
do Sul. É uma vergonha para um país como o Brasil
deparar com a afirmação: "Cansei. Esta
luta não pode ser apenas minha". Ninguém
que paga seus impostos e que trabalha para que os filhos tenham
melhor educação pode ficar de braços
cruzados diante de tantas barbaridades causadas por esse movimento
que se diz social.
Peter Löscher "É fundamental
praticar negócio limpo, o tempo todo, em todos os lugares.
Não se podem tolerar negócios obscuros. O desempenho
não é contraditório com a ética."
Essas palavras do austríaco Peter Löscher, presidente
da Siemens ("Punimos 1 400
por má conduta", 22 de abril), deveriam ser a
principal regra de conduta dos homens que ocupam instituições
públicas e privadas, que recebem dinheiro público
no Brasil. Não existe palavra mais elucidativa para
classificar tanto escândalo com a coisa pública:
intolerável. O hábito atávico de levar
vantagem é cultural no Brasil. As pessoas reclamam,
dizem-se ultrajadas, mas é comum ouvir o seguinte comentário
sobre atos de corrupção: "Se eu tivesse
oportunidade, também faria o mesmo". Quando a
ética e a civilidade se popularizarão neste
país?
Favelas muradas O escritor português
José Saramago criticou a construção de
muros nas favelas. Convide esse senhor a se mudar da ilha
paradisíaca onde mora para a favela do Alemão.
Ele vai adorar.
Maranhão Depois de quarenta
anos de atraso com a oligarquia Sarney, o Maranhão
conseguiu finalmente se libertar em 2007. Com essa decisão
pela cassação de Jackson Lago, vemos que o Brasil
é um país de poucos (Datas, 22 de abril).
Piratas da Somália O mundo ocidental
fechou os olhos para o Afeganistão e a Somália,
e agora está pagando o preço de sua omissão.
No primeiro caso, a fatura chegou em 11 de setembro de 2001,
e uma permanente nuvem de insegurança após esse
dia paira sobre o Ocidente e seus aliados. No caso da Somália,
a fatura chegou há dois anos, com a intensificação
da pirataria na costa leste da África, afetando o comércio
marítimo mundial ("A nova era da pirataria",
22 de abril).
Susan Boyle A escocesa Susan
Boyle ("Todo mundo quer chorar com Susan", Gente,
22 de abril) provou ao mundo, de forma emocionante e surpreendente,
que a verdadeira beleza é invisível aos olhos.
Fernando Lugo Depois de ficarmos
sabendo da paternidade reconhecida pelo presidente Fernando
Lugo, ainda como membro da Igreja Católica (Veja Essa,
22 de abril), nos é permitido fazer a pergunta: no
Paraguai até o bispo é falso?
Roberto Pompeu de Toledo O jornalista Roberto
Pompeu de Toledo mostrou aos leitores um ponto de vista mais
humano em relação à decisão do
jogador Adriano ("De volta ao lar", 22 de abril).
A tendência geral a lhe atribuir "distúrbios
psíquicos" para justificar sua decisão
de deixar o futebol, além de calar o sofrimento de
Adriano, tenta nos convencer de que a lógica do dinheiro,
do sucesso e da juventude é irrefutável, e quem
a ela escapa, como o jogador em questão, deve ter problemas
de saúde. É quase inconcebível à
maioria que alguém realmente possa querer voltar às
suas raízes familiares, humildes, ao lugar encravado
em sua "memória afetiva", onde sentiu os
primeiros cheiros e ouviu os primeiros sons, como bem apontou
Toledo. Parabenizo o autor pela sensibilidade, assim como
Adriano pela coragem.
Maílson da Nóbrega Muito oportuno o
debate proposto por Maíl-son da Nóbrega, em
seu artigo "É hora de privatizar o Banco do Brasil?"
(22 de abril). Por que não estender a questão
para outras estatais que também atuem em áreas
em que não existam falhas de mercado que exijam que
permaneçam estatais? O setor privado brasileiro prova-se
cada vez mais competitivo, pujante e meritocrático,
enquanto o setor público, salvo raríssimas exceções,
está cada vez mais ineficiente, burocrático,
inchado e improdutivo. Por que não se espelhar nos
exemplos bem-sucedidos de Vale, Usiminas, CSN e transferir
a gestão de outras empresas públicas ao setor
privado, utilizando os impostos criados por elas para investimentos
em saúde, educação e segurança
pública? Espero que o articulista esteja errado quando
diz que "a mudança mental requer tempo, talvez
mais de uma geração", e que as ondas de
privatização recomecem o mais breve possível
no Brasil.
Correção: o avô materno, e não o paterno, do empresário Marcelo Rodrigues Afonso sofria com o alcoolismo ("Genética não é espelho", 22 de abril).
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