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VEJA Recomenda
DVDs
AFP
 | | Um
Dia de Cão: reflexão sobre a era da mídia |
Um
Dia de Cão (Dog Day Afternoon, Estados Unidos, 1975. Warner)
O entregador de pizza aquela figura indefectível de todo assalto
a banco com reféns cansados e famintos acena para a câmera
de televisão que um repórter enfia em sua cara e comemora: "Ei,
sou um astro!". É exatamente esse o ponto a que o diretor Sidney Lumet
quer chegar: na era da mídia, um roubo que deveria durar dez minutos se
arrasta por horas porque todos os envolvidos no show, dos assaltantes aos reféns
e policiais, estão intoxicados pela sensação de ser o centro
das atenções. Com atuações antológicas de Al
Pacino e do seu parceiro de O Poderoso Chefão, o grande John Cazale
(que morreria não muito depois, em 1978), Um Dia de Cão é
uma das obras-primas do vibrante cinema americano dos anos 70. Ou, para falar
a verdade, de qualquer década.
Desafiando
os Limites (The World's Fastest Indian, Nova Zelândia/Estados Unidos,
2005. Focus) Em 1967, pilotando uma lata-velha de 1920, o sexagenário
Burt Munro estabeleceu um recorde de velocidade para motos abaixo de 1.000 cilindradas
que até hoje ninguém conseguiu derrubar. O filme do diretor Roger
Donaldson, de Sem Saída, é uma celebração saborosa
e bem-humorada da criatividade tipicamente neozelandesa de Munro, um vovô
viciado em velocidade que saiu do seu barracão de ferramentas na minúscula
Invercargill para entrar na história como o piloto mais pobre, teimoso
e boa-praça de que se tem notícia. É também o primeiro
trabalho em muito tempo em que Anthony Hopkins mostra aquela centelha que fez
dele um ator tão prestigiado.
DISCOS Road
to Rouen, Supergrass (EMI) Em 1995, o Supergrass despontou nas
paradas com a canção Alright. Ela tinha uma levada engraçadinha
de piano e um clipe em que os integrantes da banda faziam palhaçadas. Muitos
críticos suspeitaram que eles não iriam durar mais do que um verão.
Porém, o Supergrass refinou seu som e ampliou em muito suas referências,
pesquisando instrumentos e a tradição do folclore inglês.
Tudo isso aparece em Road to Rouen, quinto disco da banda. Canções
como a instrumental Coffee in the Pot e a balada St. Petersburg
certamente vão chamar atenção nas apresentações
que o Supergrass logo fará no Brasil.
Cruel,
Sérgio Sampaio (Saravá Discos) O capixaba Sérgio Sampaio
participou de Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta: Sessão
das Dez (1970), o primeiro disco-solo de Raul Seixas, e dois anos depois estourou
nas rádios brasileiras com a canção Eu Quero É
Botar Meu Bloco na Rua. Seus trabalhos posteriores não repetiram o
sucesso da música de estréia e Sampaio acabou no ostracismo. Ele
morreu em 1994, no início da gravação de um disco de canções
inéditas. O CD está chegando às lojas por iniciativa do cantor
Zeca Baleiro, fã declarado de Sampaio. O disco tem catorze faixas. Duas
delas a faixa-título e Rosa Púrpura do Cubatão
foram gravadas por Luiz Melodia e pelo próprio Baleiro. Sampaio
era intérprete e letrista inspirado, como mostram os sambas Polícia
Bandido Cachorro Dentista e Pavio Curto. Siberia,
Echo and the Bunnymen (Indie Records) De 1978 a 1988, esse quarteto reinou
na cena alternativa da Inglaterra. O Echo tinha como atrativos o carisma de Ian
McCulloch, cantor e letrista, e Will Sergeant, guitarrista de poucos solos mas
bastante inventivo. Eles retomaram as atividades em 1997 e Siberia é
seu melhor disco desde então. McCulloch não alcança os graves
e agudos de outrora, mas compensa na interpretação. Sergeant brilha
como de costume ouça as guitarras contagiantes de Parthenon Drive.
All Because of You Days e Stormy Weather, duas baladas de cortar
o coração, são outros destaques do CD.
LIVROS A
Morte de um Estranho, de Andrei Kurkov (tradução de Nivaldo
Santos; A Girafa; 288 páginas; 42 reais) .Logo na primeira página
desse romance, o leitor é informado de que o protagonista, Viktor, tem
um pingüim de estimação, adotado quando o zoológico
de Kiev, em crise financeira, distribuiu seus animais famintos. Esse é
um dos detalhes mais corriqueiros na esquisita história criada pelo autor
ucraniano. Escritor frustrado, Viktor ganha a vida redigindo necrológios
de figuras famosas para um jornal. Para se antecipar a qualquer eventualidade,
faz textos sobre personalidades que estão vivas, inventando fantasiosas
causas para cada morte. A história ganha cores bizarras quando as mortes
imaginadas por Viktor começam a acontecer de fato, como se ele produzisse
o roteiro para uma gangue de assassinos. Leia
trecho. W.W.
Norton, Joyce Ravid/AP
 |  | | Nicole
Krauss: livro dentro do livro | |
A
História do Amor, de Nicole Krauss (tradução de Paulo
Schiller; Companhia das Letras; 316 páginas; 45 reais) Em seu segundo
romance, a americana Nicole Krauss mulher do também escritor Jonathan
Safran Foer recorre a um expediente bastante comum na literatura contemporânea:
o livro dentro do livro. Mas ela soube usar esse velho recurso com competência.
O romance acompanha a trajetória de um livro fictício chamado A
História do Amor. Escrita por um judeu polonês, a obra professa
uma curiosa teoria sobre diferentes eras da evolução humana, na
qual se incluiria uma Era do Silêncio, quando as pessoas conversavam apenas
com gestos. O livro é um fracasso da tiragem inicial de 2.000 exemplares,
só um sobrevive. Esse único livro, porém, altera a vida de
todos os que o lêem. Leia
trecho.
EXPOSIÇÃO
Divulgação
 | | O
poeta Aretino, segundo Ticiano |
Luz
e Sombra na Pintura Italiana entre o Renascimento e o Barroco (de 29 de
março a 30 de abril na Pinacoteca de São Paulo; de 4 de maio a 8
de junho no Paço Imperial) Organizada a partir do gigantesco acervo
do italiano Luigi Koelliker, essa mostra reúne 65 telas de grandes mestres
da pintura européia. O forte são os retratos, e Ticiano a espinha
dorsal da seleção. Ele comparece com três quadros de períodos
e concepção diversa uma representação intimista
do poeta Pietro Aretino, ao lado de imagens mais solenes de nobres italianos.
Os muitos caminhos pelos quais a arte renascentista e barroca explorou a luz e
a sombra, refletiu sobre o poder mundano e procurou desvendar a vida interior
de seus retratados podem ser apreciados nas telas de pintores tão célebres
quanto Veronese, Lorenzo Lotto, El Greco e Van Dyke. Embora essa mostra não
traga, a rigor, obras-primas aquele tipo de quadro que transformou a história
da arte , a qualidade das pinturas é elevada. Um programa imperdível.
Veja
galeria de imagens. |