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(superlativo de PhD) acabou de lançar A História que Vivi,
699 páginas. Sensacional livro de auto-ajuda. Pra ele mesmo. |
A Glória, tão perto da Lapa Escrevi, há
tempos, um artigo sobre Dom Casmurro. Não me considero crítico,
sou no máximo um erúdito, isto é, uma pessoa que pensa sobre
o que lê e discute com os livros. Não confundir com erudito, toda
uma outra coisa, não digo o quê. No
artigo que escrevi mostrei o que achava estar na cara. O Escobar, um dos três
personagens principais do livro, tinha deglutido Capitu, a "dos olhos de ressaca",
que Machado não esclarece se ressaca do mar ou de porre. Gostaria de um
esclarecimento já que olhos de ressaca de porre já vi muitos, mas
de mar vi muito poucos. Os eruditos vivem discutindo se Capitu foi ou
não foi com o Escobar, se Casmurro era ou não era comborço
do dito. Falta do que fazer. Sem adjetivar, sem
analisar, sem vilipendiar, mostrei que o Dom talvez fosse "chegadão". Apenas
reproduzi 12 frases do livro, mostrando que o Dom nem se escondia no armário.
Gritava pro mundo o seu encanto pelo amigo. Alguns
leitores, de bom nível, concordaram com o que escrevi. Já tinham
percebido o desmunhecamento do Dom. Outros caíram de pau. Volta e meia
ainda leio que não gosto de Machado. Calma, pessoal. Tenho mais que fazer
do que ficar lendo Machado. Por que digo isso?
É que agora, pela milésima vez, caiu sob meus olhos de ressaca aquela
frasezinha medíocre que Machado colocou como lema da ABL (fundada
por ele) no pé da cadeira na qual está sentado. E que, naturalmente,
chamaria de curul. A frase: Esta é
a glória que fica, eleva, honra e consola.
Eta frasezinha xumbrega. Quatro verbos qualificando a glória. Se fosse
apenas Esta é a glória que fica a frase teria
mais força. A força precisa. E todo mundo saberia a que glória
o cara e a Instituição se referiam, a maravilhosa glória
literária. Mas, inseguro, o maior escritor brasileiro da rua do Livramento
(eu também comecei na imprensa ali, 100 anos depois) cercou pelos sete
lados. Botou eleva. Se não elevasse, pra que ficar?
Honra. Haveria uma outra glória, que desonra? E consola.
De quê? Das frustrações pessoais do autor e dos acadêmicos
em geral? Ou seria um consolador de borracha, consolo-de-viúva?
Impossível pensar que o autor se referisse a isso, ele tão pudico,
vivendo numa das nossas épocas mais hipócritas, sem sombra de permissividade.
Camões escrevia melhor. Comparemos. Vejam
a perfeita hierarquia dos verbos camonianos: A
disciplina militar prestante Não se aprende,
senhor, na fantasia, Mas vendo, tratando
e pelejando. E, saibam, a
medíocre frase de Machado nem era nova nem improvisada.
Machado a tinha escrito em 1864, trinta anos antes. Pô, o Grande Escritor
podia ter dado uma guaribada. Em nossa eterna
insegurança (de nóis, brasileiros), quando queremos dizer que um
artista é importante dizemos (a televisão é mestra nisso)
que ele é muito premiado, como se isso quisesse dizer alguma coisa.
Outro título de glória é dizermos que um escritor foi traduzido
em várias línguas. Ora, Guimarães Rosa sempre piora numa
tradução. E o conde de Afonso Celso sempre melhora.
Mostrando, ou não, a excelência universal de Machado, traduzi sua
frase em várias línguas. Pra não pensarem que agi de má-fé
usei o tradutor eletrônico. Resultado: EM
PORTUGUÊS Esta é a glória que fica, eleva, honra
e consola. Do português para
o inglês This is the glory that is, raises, honor and consoles.
Do inglês para o francês
C'est les augmenter, l'honneur et les consoles de gloire c'estdire.
Do francês pro alemão Es
ist, sie zu erhöhen, die Ehre und die Ehrenkonsolen, das heißt.
Do alemão para o inglês It
is to increase them the honour and the honour consoles, i.e.
Do inglês de volta para o português Deve
aumentá-los a honra e os consoles da honra, isto é.
Não acham que ficou melhor? |