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Carta ao leitor Duas
razões para otimismo Valter
Campanato/ABR
 | Caio
Guatelli/Folha Imagem
 | Ellen
Gracie Northfleet, do STF, e Raphael de Barros Monteiro, do STJ: duas boas notícias
no Judiciário |
A história
do Brasil republicano é pontuada por crises institucionais de maior ou
menor envergadura. As de mais triste memória resultaram em longos períodos
de autoritarismo a ditadura getulista, que durou de 1930 a 1945, e a militar,
que vigorou de 1964 a 1985. Com o fim desta última, o país entrou
nos trilhos da normalidade e as instituições democráticas
conseguiram fincar bases em terreno sólido. Não existem mais ameaças
de monta nesse campo, é verdade, mas outra crise assombra o país:
a da moralidade. Ela atingiu tal proporção que é possível
dizer que o Brasil conta, hoje, com instituições fortes e mandatários
fracos. Fracos em ética e civilidade, como demonstra o episódio
da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro que incriminou o ministro
Antonio Palocci, mais um momento deplorável que se soma a tantos outros
protagonizados pelos atuais governantes. O poder
renovador das democracias, porém, segue seu curso. Graças a ele
há duas boas notícias: o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal
de Justiça, as mais altas cortes da Justiça brasileira, têm
novos presidentes. São eles, respectivamente, a ministra Ellen Gracie Northfleet
e o ministro Raphael de Barros Monteiro. Ambos assumem as novas funções
com a promessa de trocar as motivações políticas e a exposição
pública, que marcaram as gestões de seus antecessores, por mais
cultura jurídica. Os ministros expressaram também o desejo de aprofundar
e agilizar a reforma do Judiciário um poder que, a despeito dos
avanços obtidos com a entrada em funcionamento do Conselho Nacional de
Justiça, ainda precisa modernizar-se muito em sua concepção
e operação, a fim de melhor atender aos interesses dos cidadãos.
Só com um Judiciário ágil e imparcial se preserva a democracia
tão duramente conquistada e se promove o expurgo de quem a enfraquece pela
prevaricação ou pela inapetência por punir culpados. |