Edição 1 642 -29/3/2000

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Lauro Jardim

Chico Caruso/O Globo
E no domingão do Rubão,
a nova dupla

Shumaquinho e Shumakão

 

ECONOMIA

Roendo as unhas

A decisão sobre a criação da AmBev fará uma tremenda e, até agora desconhecida, diferença nos cofres de alguns empresários. Se o Cade vetar a fusão Brahma/Antarctica, fabricantes de Coca-Cola donos de participação na Kaiser poderão embolsar 400 milhões de reais. Mas, se o governo aprovar a AmBev sem muitas restrições (a hipótese mais provável, aliás), esse valor cai para 250 milhões de reais. Esse é o teor das duas propostas que a Heineken botou diante dos engarrafadores da Coca para comprar 38% dos 80% que eles possuem na Kaiser.

Deixa para lá

É forte a pressão dos escalões superiores da Aeronáutica para que a Infraero faça corpo mole na cobrança das dívidas das empresas aéreas com a estatal. São débitos de 570 milhões de reais. Ah, como é bom dever ao governo...

O chuchu da vez

De tempo em tempo, os governos elegem alguns vilões para a inflação. Nos anos 70, até o inofensivo e insípido chuchu foi responsabilizado pela elevação do custo de vida. Agora, o governo andou fazendo uns cálculos e descobriu que a energia elétrica foi sozinha a responsável por 7% dos 17% de inflação medida pelo IGP-M nos últimos doze meses.

Ligação complicada

A participação societária do Opportunity na Telemar voltou para a alça de mira do presidente da Anatel, Renato Guerreiro. Ele quer que o banco de Daniel Dantas bata as asas e saia dali. – ou da Tele Centro Sul. Ou uma ou outra.

De saída

A Previ está estudando a melhor forma de fazer seu desembarque da Bombril, empresa da qual possui 19% do capital total. Considera que é heterodoxo demais para seu gosto o tratamento que a Bombril dá aos acionistas minoritários.

Sem pressa

A privatização do Banespa está emperrada na Justiça desde fevereiro. Um banqueiro de investimento que conhece a cabeça e o cofre de seus colegas tem certeza de que Bradesco, Unibanco e Itaú estão adorando essa história. O Banespa vai sair caro e, para a banca nacional, quanto mais tempo passar, melhor para conseguir mais liquidez para a disputa.

Idéia fixa

O canto de sereia da internet fez o chefe do escritório do J.P. Morgan no Brasil, Leonardo Corrêa, largar a instituição. Ele está virando sócio do Banco Pactual, com a missão de olhar exclusivamente para o pote de ouro da Nova Economia.

 

POLÍTICA

Mosca azul

Para quem ainda tem dúvida, não custa repetir: Pedro Malan é, sim, candidato a presidente – embora ainda continue tendo crises de urticária sempre que lhe perguntam sobre o assunto.

Laços de ternura

O eterno líder do PC do B, João Amazonas, está com a popularidade lá no alto. Não no Brasil, na Albânia. Na semana passada, o embaixador Paulo Tarso Fecha de Lima foi ao país apresentar suas credenciais (ele é embaixador na Itália e na Albânia), e a cúpula do governo albanês não se cansava de pedir informações sobre o velho comunista. Pelo menos lá, Amazonas teve seu dia de Pelé.

 

GOVERNO

O rei da verba

Tem gente na Petrobras irritadíssima com o secretário da Comunicação, Andrea Matarazzo, que tem mandado e desmandado nas verbas publicitárias da estatal. O mais recente motivo de mal-estar foi a imposição de Matarazzo de destinar 2 milhões de reais do dinheirinho da Petrobras a uma festa cívica em Brasília, incluída na comemoração dos 500 anos do Descobrimento.

 

FUTEBOL

Campo minado

O incansável lobby da CBF para barrar a instalação da CPI da Nike, que investigaria o contrato entre a entidade e a empresa americana, já teve acolhida melhor na Câmara. Na semana passada, o PT proibiu que seus deputados participassem de uma pelada entre parlamentares, marcada para o campo de futebol da mansão da CBF em Brasília.

 

CINEMA

A volta da morta-viva

A ressurreição da Embrafilme foi o assunto de uma reunião realizada na semana passada, com ares de sigilo, na sede do Ministério da Cultura no Rio. Estavam lá os produtores Luiz Carlos Barreto e Anibal Massaini, o ministro Francisco Weffort e o secretário do Audiovisual, José Álvaro Moisés. Todos pareciam animados com a possibilidade da volta aos bons tempos da velha Embra, quando sobrava dinheiro para as fitas nacionais – e não havia tanta implicância com prestações de conta...

Aos piratas, com carinho

AP

Coelho: dedicatória em edição pirata



Paulo Coelho participará em maio das noites de autógrafo mais esquisitas de sua vida. Serão no Irã, onde ele também é um formidável fenômeno editorial. O país é o único, além do Brasil, no qual todos os livros do escritor foram lançados. Até aí, nada de mais. O problema é que todas as edições de O Alquimista, O Diário de um Mago e companhia são piratas. Ou seja, são livros pelos quais ele não recebe um centavo sequer. Coelho aceitou um convite do presidente Mohammed Khatami para conhecer o país.

Colaborou Marcelo Camacho