Edição 1 642 - 29/3/2000

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Tchau, pagode

Depois do axé, é o samba mauricinho que desanda

Sérgio Martins

Realmente o país está melhorando. Primeiro foi a axé music que entrou em decadência. Agora é o pagode mauricinho que começa a dar sinais de cansaço. Os principais artistas do gênero tiveram uma queda média de 50% nas vendagens de seus últimos CDs (veja quadro). Estima-se que em 1999 o mercado de discos encolheu 12,7% em relação a 1998, o que ajudou a derrubar esses grupos. Há, no entanto, outras razões para o fenômeno, na avaliação dos executivos de gravadora. Uma é a superexposição dos cantores do gênero na mídia. Quem ainda agüenta ver pagodeiro participando de gincana televisiva? O segundo motivo é o próprio chororô meloso que o estilo se tornou. A prova disso é que os fãs de samba estão se voltando para os artistas considerados "de raiz". Veteranos como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Beth Carvalho nunca venderam tanto. Aos adeptos do pagode mauricinho resta mudar a maneira de tocar. Alguns já estão se mexendo nesse sentido. O grupo Negritude Júnior, por exemplo, contratou o produtor Lincoln Olivetti para colocar uma pitada de soul music em seu próximo disco.