Edição 1 642 - 29/3/2000

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A onda árabe

O cantor argelino Khaled é o rei
das pistas de dança

Sérgio Martins

São raras as músicas que estouram primeiro nas pistas de dança para depois virar sucesso no rádio. El Arbi, do cantor argelino Khaled, é um desses casos atípicos. O CD nem havia sido ainda lançado no Brasil e El Arbi, cuja letra é em árabe, já tocava nas casas noturnas em versão importada. "É daquelas músicas que fazem a pista lotar", diz o DJ Ricardo Guedes, responsável pela programação do clube paulistano U-Turn. "A mulherada vai dançar, atraída pelo ritmo oriental, e os homens vão atrás. A gente chama isso de 'efeito Feiticeira'.." Motivada pela animação, a gravadora Universal resolveu lançar o disco de Khaled no Brasil. Sucesso instantâneo: 200.000 cópias vendidas em dois meses. O argelino é mesmo bom. Considerado um dos melhores músicos do norte da África, seus discos vendem bastante na Europa, principalmente na França. Suas composições fazem parte do gênero raï, uma espécie de rap que chama a atenção para a situação dos imigrantes árabes. Os paulistanos poderão conferir a performance de Khaled ao vivo, no início de abril. Ele será uma das principais atrações do festival Heineken Concerts.


A dançarina do ventre Izlene: partindo para a carreira-solo

O "efeito Feiticeira" tem provocado a desova de produtos curiosos no mercado. Um deles é a coletânea Arabian Nights, uma miscelânea que, além de El Arbi, traz o tema da personagem Feiticeira no programa O+, remixes orientalizados feitos por DJs brasileiros e a participação de uma dançarina do ventre, Izlene Cristina, de 28 anos. Ela rebola no anúncio do disco na televisão e canta em uma das faixas. Izlene, que vivia de fazer cinco apresentações por semana como dançarina do ventre no Rio de Janeiro, pretende agora montar uma banda e lançar um CD só dela. Outra mandracaria é a música Ojos Así, da colombiana Shakira. Para que a canção estourasse no Brasil, a gravadora Sony encomendou ao DJ carioca Memê um arranjo com tinturas orientais. Ele caprichou. Chegou a incluir na música seu velho tio, um libanês que é cantor, para declamar um refrão em árabe. A mutreta ajudou a fazer com que Ojos Así chegasse às paradas.