Ela tem até capota
Lambretas se modernizam e a BMW entra na
disputa entre as motos de baixa cilindrada
AFP
BMW C1, com teto de vidro: cinto de
segurança numa moto de 125 cc e preço
de 20 000 reais |
Nos anos 60, elas faziam sucesso entre os jovens rebeldes.
Quarenta anos depois, as lambretas foram rebatizadas como
scooters, ganharam cara nova e retornam com força total.
Em 1994, apenas 10
.000 dessas motos
saíram das fábricas para as garagens dos brasileiros.
No ano passado, foram vendidas mais de 88
.000
unidades em todo o país e as estimativas do mercado
indicam mais de 100
.000 para este
ano. Tamanho crescimento tem levado os fabricantes a uma verdadeira
corrida pela modernização de suas motonetas.
As novidades incluem linhas arredondadas, partida elétrica,
freio a disco e câmbio automático. Nada, porém,
que se compare ao moderníssimo modelo que a BMW venderá
a partir de abril na Europa. De tão inovadora, a scooter
C1, de 125 cilindradas, mais parece um veículo híbrido.
Tem uma cabine protetora de vidro de alta resistência
e cinto de segurança. De comum com as demais scooters
só mesmo as duas rodas e a plataforma de apoio para
os pés, a característica mais marcante desse
tipo de moto. Projetada no início dos anos 90 como
protótipo, a C1 deve aportar no Brasil no começo
do ano que vem. Só é preciso preparar o bolso
para uma facada de 20
.000 reais,
cinco vezes mais que uma scooter comum. "É um modelo
caro, mas marca definitivamente nossa entrada numa categoria
da qual não podemos ficar de fora", diz José
Carlos Tadeu, gerente de motos da BMW do Brasil.
PRIMA
Kasinski Prima, a brasileira: desenho
que lembra um besouro por 3550 reais |
A conclusão do executivo da BMW é compreensível.
O mercado nacional de motonetas está numa ebulição
nunca antes vista, nem mesmo na época em que a Vespa
foi relançada. Com quase uma dezena de modelos nacionais
e importados à venda, o perfil dos pilotos dessas
máquinas também vem se ampliando. "Atualmente,
não é apenas a garotada que anda de scooter.
Muitas mulheres e jovens executivos estão optando
por essa ágil e econômica opção
de transporte", diz o gerente executivo da Associação
Brasileira de Ciclomotores, Franklin de Mello Neto. Dados
da Kasinski, a única empresa nacional a produzir
esse tipo de motoneta, confirmam a informação.
De cada dez scooters vendidas pela montadora brasileira,
três são adquiridas por mulheres. A Kasinski
está lançando, na próxima semana, a
Prima, de 50 cilindradas, que chegará às lojas
por 3.550 reais. De frente, devido
aos dois faróis, ela tem a aparência de um
besouro. Os pneus também são mais largos que
os encontrados na maioria das concorrentes. O crescimento
do mercado é tanto que já existem oito fabricantes
atuando no país. A liderança absoluta está
com a Honda. O modelo Biz, de 100 cilindradas, custa 2.800
reais e vendeu 72.500 unidades
no ano passado, o que representa mais de 82% de todas as
scooters comercializadas no período. Correndo por
fora, a Kasinski vendeu 1.900
dessas pequenas motos no ano passado, mas iniciou o ano
com aumento de 100% na produção. "Em menos
de um ano no mercado, passamos de 300 para 600 unidades
fabricadas por mês", comemora o diretor comercial
da empresa, Rogério Scialo. Os fabricantes acreditam
que o preço convidativo, a facilidade de pilotar
e a agilidade no caótico trânsito brasileiro
devem consolidar as scooters no país. É esperar
para ver.