Lotação esgotada
Micos-leões-dourados abarrotam reservas
e podem sair da lista de alto risco de extinção
Alexandre Mansur, de Silva Jardim
Espécie que só existe num trecho de Mata
Atlântica no Rio de Janeiro, o mico-leão-dourado
é um dos símbolos mundiais da destruição
ambiental, ao lado do urso panda e da baleia-azul. Hoje,
graças aos primeiros resultados de um esforço
internacional para salvá-lo da extinção,
o futuro do macaquinho mostra-se menos sombrio. Nos próximos
meses, a população de micos-leões-dourados
na mata fluminense deve chegar a 1.000
representantes, quantidade suficiente para tirá-los
da lista de animais criticamente ameaçados. O sucesso
dos programas de preservação e reprodução
da espécie pode ser medido por um fato espantoso:
as duas reservas fluminenses, Poço das Antas e União,
já atingiram o limite populacional que podem suportar.
Nas áreas próximas às reservas, o programa
de reintrodução dos macacos em seus habitats
vai tão bem que está na terceira geração
de filhotes. É uma recuperação impressionante.
Em seu momento mais crítico, no final dos anos 60,
contabilizou apenas 100 micos sobreviventes. "Chegamos a
um ponto que nosso problema não é mais ter
bichos para soltar, mas, sim, encontrar lugares que possam
recebê-los de forma adequada", resume a engenheira
florestal Denise Rambaldi, diretora da Associação
Mico-Leão-Dourado, organização que
coordena o programa de salvamento.
O mais famoso primata brasileiro tornou-se estrela do
movimento ecológico no início dos anos 80.
A imagem simpática do macaquinho de pêlos avermelhados
converteu-se no símbolo da fauna ameaçada
pela caça e pela destruição de seu
habitat. Nada menos que 135 zoológicos em todo o
mundo estão envolvidos no esforço de preservação
dos micos-leões-dourados. Eles promovem o acasalamento
e enviam os filhotes nascidos em cativeiro para ser reintroduzidos
em dezesseis áreas florestais escolhidas a dedo em
fazendas dos municípios de Silva Jardim e Rio Bonito.
O mico-leão-dourado é um animal exigente,
que só sobrevive na Mata Atlântica a menos
de 100 metros de altitude. A reprodução é
igualmente complexa, pois é preciso evitar que cruzamento
consangüíneo ameace a saúde genética
da população.
Trata-se de uma operação caríssima,
25.000 a 30.000
dólares por animal, bancada por instituições
como a National Geographic Society, o Fundo Mundial para
a Natureza (WWF) e a Smithsonian Institution. Cento e setenta
micos chegaram ao país vindos de pontos distantes,
como Atlanta e Frankfurt. Junto com seus filhos e netos
formam uma população de 320 indivíduos.
Boa parte deles já é totalmente independente
e se vira bem no mato. Outros ainda precisam ser vigiados
e ajudados constantemente pelos biólogos para que
não se percam do lado de fora das fazendas e caiam
nas garras de predadores ou de traficantes de animais.
Oscar Cabral
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| O mico-leão-dourado,
um símbolo internacional das espécies
ameaçadas de extinção, tem sua
imagem usada em publicações de todo o
mundo (fotos). Perto de 150 centros de pesquisas
desenvolvem programas para preservar a espécie.
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