Edição 1 642 - 29/3/2000

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Micos-leões-dourados abarrotam reservas
e podem sair da lista de alto risco de extinção

Alexandre Mansur, de Silva Jardim

Espécie que só existe num trecho de Mata Atlântica no Rio de Janeiro, o mico-leão-dourado é um dos símbolos mundiais da destruição ambiental, ao lado do urso panda e da baleia-azul. Hoje, graças aos primeiros resultados de um esforço internacional para salvá-lo da extinção, o futuro do macaquinho mostra-se menos sombrio. Nos próximos meses, a população de micos-leões-dourados na mata fluminense deve chegar a 1.000 representantes, quantidade suficiente para tirá-los da lista de animais criticamente ameaçados. O sucesso dos programas de preservação e reprodução da espécie pode ser medido por um fato espantoso: as duas reservas fluminenses, Poço das Antas e União, já atingiram o limite populacional que podem suportar. Nas áreas próximas às reservas, o programa de reintrodução dos macacos em seus habitats vai tão bem que está na terceira geração de filhotes. É uma recuperação impressionante. Em seu momento mais crítico, no final dos anos 60, contabilizou apenas 100 micos sobreviventes. "Chegamos a um ponto que nosso problema não é mais ter bichos para soltar, mas, sim, encontrar lugares que possam recebê-los de forma adequada", resume a engenheira florestal Denise Rambaldi, diretora da Associação Mico-Leão-Dourado, organização que coordena o programa de salvamento.

O mais famoso primata brasileiro tornou-se estrela do movimento ecológico no início dos anos 80. A imagem simpática do macaquinho de pêlos avermelhados converteu-se no símbolo da fauna ameaçada pela caça e pela destruição de seu habitat. Nada menos que 135 zoológicos em todo o mundo estão envolvidos no esforço de preservação dos micos-leões-dourados. Eles promovem o acasalamento e enviam os filhotes nascidos em cativeiro para ser reintroduzidos em dezesseis áreas florestais escolhidas a dedo em fazendas dos municípios de Silva Jardim e Rio Bonito. O mico-leão-dourado é um animal exigente, que só sobrevive na Mata Atlântica a menos de 100 metros de altitude. A reprodução é igualmente complexa, pois é preciso evitar que cruzamento consangüíneo ameace a saúde genética da população.

Trata-se de uma operação caríssima, 25.000 a 30.000 dólares por animal, bancada por instituições como a National Geographic Society, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e a Smithsonian Institution. Cento e setenta micos chegaram ao país vindos de pontos distantes, como Atlanta e Frankfurt. Junto com seus filhos e netos formam uma população de 320 indivíduos. Boa parte deles já é totalmente independente e se vira bem no mato. Outros ainda precisam ser vigiados e ajudados constantemente pelos biólogos para que não se percam do lado de fora das fazendas e caiam nas garras de predadores ou de traficantes de animais.

 
Oscar Cabral
O mico-leão-dourado, um símbolo internacional das espécies ameaçadas de extinção, tem sua imagem usada em publicações de todo o mundo (fotos). Perto de 150 centros de pesquisas desenvolvem programas para preservar a espécie.