Uma estrela a mais
Nova categoria de hotéis e resorts
luxuosos
espalha-se pelo mundo
As redes internacionais de hotéis e resorts de alto
luxo acham que cinco estrelas é pouco. Para convencer
turistas endinheirados de que as diárias salgadíssimas
valem cada centavo, estão adotando uma nova classificação
mais estrelada para seus empreendimentos. Querem ser chamados
agora de seis-estrelas ou cinco-estrelas plus. A terminologia
não tem nenhum caráter oficial e funciona
apenas como instrumento de marketing. Cerca de cinqüenta
estabelecimentos ao redor do mundo já concederam
a si próprios a estrela extra. São locais
extravagantes, que chegam a cobrar diárias de vários
milhares de dólares em troca de uma incrível
série de comodidades. Os hóspedes se esbaldam
em suítes servidas por mordomos, tomam sol em praias
artificiais e passeiam por corredores decorados com telas
legítimas de grandes mestres da pintura. A rede alemã
Kempinski, que tem em seus planos a construção
de um seis-estrelas no Brasil (veja
quadro), é conhecida por ter o maior número
de castelos transformados em hotéis na Europa. Uma
de suas jóias é o deslumbrante Ciragan Palace,
localizado em Istambul, na Turquia. O teto do salão
de entrada do prédio, que já serviu como sede
do Império Otomano, é enfeitado com ouro.
Nas doze suítes mais luxuosas os hóspedes
contam com serviço de mordomo, secretária
e limusine. As diárias podem chegar a exagerados
7.500 dólares.
Divulgação
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O George V, em Paris: reforma para acrescentar tecnologia
ao luxo
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A grande concorrente mundial da Kempinski é a cadeia
Four Seasons. Ela foi a responsável pela recente
reforma do George V, em Paris, que é considerado
uma espécie de Titanic dos hotéis.
A comparação refere-se ao luxo, não
ao naufrágio. Em seus momentos mais gloriosos, o
local hospedou estrelas do quilate da atriz Rita Hayworth
e dos presidentes americanos Richard Nixon e Jimmy Carter.
Nos últimos tempos, o George V andava meio caído,
fruto de setenta anos praticamente sem reformas. O hotel
foi fechado em 1997 e passou por um grande processo de recuperação,
que durou dois anos e custou 125 milhões de dólares.
A operação manteve a fachada art déco
do prédio, mas reconstruiu todo o interior. Somente
5% do que lá havia foi mantido, especialmente obras
de arte, como esculturas de bronze e peças de madeira,
caso de uma imponente lareira trazida de um castelo francês
do século XVII. O George V reabriu suas portas recentemente.
A diária mais barata, num apartamento de 45 metros
quadrados, custa a bagatela de 550 dólares.
A definição de seis-estrelas é bastante
elástica. Cabem nela desde os classudos e requintados
hotéis europeus, caso do George V, como também
os resorts exuberantes, com um pé na cafonice, que
lembram versões da Disney Word. "A denominação
é uma jogada de propaganda", desdenha Henry Maksoud,
dono do Maksoud Plaza, um dos melhores cinco-estrelas de
São Paulo. "Se eu quisesse, chamava meu hotel de
sete-estrelas plus." Igualmente luxuosos, esses empreendimentos
cinematográficos apostam no exagero para cativar
os turistas. O primeiro estabelecimento do tipo foi o The
Palace, inaugurado em 1992 em Sun City, na África
do Sul. Localizado numa área de 250.000
metros quadrados, possui um hall de entrada inspirado na
Capela Sistina, do Vaticano, e mistura elefantes com pirâmides
na decoração. Sua piscina tem ondas, praia
de areia e coqueiros em volta. Seus concorrentes espalham-se
pelo mundo. O Atlantis, nas Bahamas, possui um aquário
gigante, com 13.000 peixes. O
Bellagio, um dos mais luxuosos hotéis-cassinos de
Las Vegas, erguido a um custo de 1,6 bilhão de dólares,
apresenta outro tipo de atração: uma galeria
de arte com telas de pintores de primeiro time, como Monet,
Renoir e Picasso. A visita ao local é grátis
para os hóspedes. Nada mais justo para quem já
está pagando diárias de até 500 dólares.
Torres
suntuosas em São Paulo
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| O projeto: 85 milhões
de dólares |
São Paulo poderá ser a primeira cidade
brasileira a abrigar um hotel seis-estrelas. A rede
alemã Kempinski, dona de hotéis de luxo
em vários países, já anunciou
a intenção de investir 85 milhões
de dólares na construção de um
mega-hotel a ser inaugurado em 2002. O local escolhido
fica no encontro das avenidas Brigadeiro Faria Lima
e Juscelino Kubitschek, um ponto valorizado na Zona
Sul da cidade. O prédio de 25 andares terá
275 apartamentos e suítes, com diárias
médias de 700 reais. É pouco mais do
que atualmente se paga nos cinco-estrelas da cidade,
como o tradicional Maksoud. "Cerca de 70% de nosso
público vai ser composto de executivos estrangeiros",
diz José Ernesto Marino, presidente da BSH
Consultoria Hoteleira, que presta serviços
à cadeia alemã. No hotel paulistano,
batizado de Kempinski Palace, a estrela a mais não
virá de cenários mirabolantes, mas dos
serviços. Isso significa restaurantes internacionais,
heliponto, mordomos e limusines. "Num cinco-estrelas
tradicional, somente os clientes de alguns andares
recebem tratamento desse tipo", diz Marino. "A diferença
de nossos hotéis é que eles oferecem
essas regalias a todos os hóspedes."
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