Edição 1 642 - 29/3/2000

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Uma estrela a mais

Nova categoria de hotéis e resorts luxuosos
espalha-se pelo mundo

As redes internacionais de hotéis e resorts de alto luxo acham que cinco estrelas é pouco. Para convencer turistas endinheirados de que as diárias salgadíssimas valem cada centavo, estão adotando uma nova classificação mais estrelada para seus empreendimentos. Querem ser chamados agora de seis-estrelas – ou cinco-estrelas plus. A terminologia não tem nenhum caráter oficial e funciona apenas como instrumento de marketing. Cerca de cinqüenta estabelecimentos ao redor do mundo já concederam a si próprios a estrela extra. São locais extravagantes, que chegam a cobrar diárias de vários milhares de dólares em troca de uma incrível série de comodidades. Os hóspedes se esbaldam em suítes servidas por mordomos, tomam sol em praias artificiais e passeiam por corredores decorados com telas legítimas de grandes mestres da pintura. A rede alemã Kempinski, que tem em seus planos a construção de um seis-estrelas no Brasil (veja quadro), é conhecida por ter o maior número de castelos transformados em hotéis na Europa. Uma de suas jóias é o deslumbrante Ciragan Palace, localizado em Istambul, na Turquia. O teto do salão de entrada do prédio, que já serviu como sede do Império Otomano, é enfeitado com ouro. Nas doze suítes mais luxuosas os hóspedes contam com serviço de mordomo, secretária e limusine. As diárias podem chegar a exagerados 7.500 dólares.

 
Divulgação


O George V, em Paris: reforma para acrescentar tecnologia ao luxo

A grande concorrente mundial da Kempinski é a cadeia Four Seasons. Ela foi a responsável pela recente reforma do George V, em Paris, que é considerado uma espécie de Titanic dos hotéis. A comparação refere-se ao luxo, não ao naufrágio. Em seus momentos mais gloriosos, o local hospedou estrelas do quilate da atriz Rita Hayworth e dos presidentes americanos Richard Nixon e Jimmy Carter. Nos últimos tempos, o George V andava meio caído, fruto de setenta anos praticamente sem reformas. O hotel foi fechado em 1997 e passou por um grande processo de recuperação, que durou dois anos e custou 125 milhões de dólares. A operação manteve a fachada art déco do prédio, mas reconstruiu todo o interior. Somente 5% do que lá havia foi mantido, especialmente obras de arte, como esculturas de bronze e peças de madeira, caso de uma imponente lareira trazida de um castelo francês do século XVII. O George V reabriu suas portas recentemente. A diária mais barata, num apartamento de 45 metros quadrados, custa a bagatela de 550 dólares.

A definição de seis-estrelas é bastante elástica. Cabem nela desde os classudos e requintados hotéis europeus, caso do George V, como também os resorts exuberantes, com um pé na cafonice, que lembram versões da Disney Word. "A denominação é uma jogada de propaganda", desdenha Henry Maksoud, dono do Maksoud Plaza, um dos melhores cinco-estrelas de São Paulo. "Se eu quisesse, chamava meu hotel de sete-estrelas plus." Igualmente luxuosos, esses empreendimentos cinematográficos apostam no exagero para cativar os turistas. O primeiro estabelecimento do tipo foi o The Palace, inaugurado em 1992 em Sun City, na África do Sul. Localizado numa área de 250.000 metros quadrados, possui um hall de entrada inspirado na Capela Sistina, do Vaticano, e mistura elefantes com pirâmides na decoração. Sua piscina tem ondas, praia de areia e coqueiros em volta. Seus concorrentes espalham-se pelo mundo. O Atlantis, nas Bahamas, possui um aquário gigante, com 13.000 peixes. O Bellagio, um dos mais luxuosos hotéis-cassinos de Las Vegas, erguido a um custo de 1,6 bilhão de dólares, apresenta outro tipo de atração: uma galeria de arte com telas de pintores de primeiro time, como Monet, Renoir e Picasso. A visita ao local é grátis para os hóspedes. Nada mais justo para quem já está pagando diárias de até 500 dólares.

 

Torres suntuosas em São Paulo

O projeto: 85 milhões de dólares

São Paulo poderá ser a primeira cidade brasileira a abrigar um hotel seis-estrelas. A rede alemã Kempinski, dona de hotéis de luxo em vários países, já anunciou a intenção de investir 85 milhões de dólares na construção de um mega-hotel a ser inaugurado em 2002. O local escolhido fica no encontro das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Juscelino Kubitschek, um ponto valorizado na Zona Sul da cidade. O prédio de 25 andares terá 275 apartamentos e suítes, com diárias médias de 700 reais. É pouco mais do que atualmente se paga nos cinco-estrelas da cidade, como o tradicional Maksoud. "Cerca de 70% de nosso público vai ser composto de executivos estrangeiros", diz José Ernesto Marino, presidente da BSH Consultoria Hoteleira, que presta serviços à cadeia alemã. No hotel paulistano, batizado de Kempinski Palace, a estrela a mais não virá de cenários mirabolantes, mas dos serviços. Isso significa restaurantes internacionais, heliponto, mordomos e limusines. "Num cinco-estrelas tradicional, somente os clientes de alguns andares recebem tratamento desse tipo", diz Marino. "A diferença de nossos hotéis é que eles oferecem essas regalias a todos os hóspedes."

 

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