Edição 1 642 - 29/3/2000

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Homem-objeto,
e com orgulho

Assim é Paulo Zulu, o bonitão
pelo qual todas (todas, mesmo)
as mulheres brasileiras estão babando

Marcelo Marthe

 

Fotos Selmy Yassuda
Zulu em seu habitat, perto de Florianópolis: nem adianta maldar. O negócio dele é mesmo o sexo oposto

Em seus mergulhos submarinos, o modelo carioca Paulo Cézar Fahlbusch Pires caça peixes de montão. Usando pés-de-pato e metido numa roupa emborrachada, finca seu arpão em garoupas, olhetes, anchovas, badejos, robalos e tainhas. Já nas passarelas, sob o nome de Paulo Zulu, o morenaço de olhos verdes vira o peixão que toda mulher quer fisgar, sem distinção de credo, idade, Q.I. ou classe social. "É um cara atraente porque parece homem de verdade, sem nada artificial", opina a atriz Alessandra Negrini. "O Zulu tem aquele jeito de malandro cafajeste, supersensual, mas quando ri mostra que é lindo por dentro", derrete-se a veterana Monique Evans. Beleza interior, frise-se, é um aspecto secundaríssimo nesse caso. Com 1,86 metro de altura, 80 quilos e 100 centímetros de tórax, Zulu é um sujeito que, nos tempos d'antanho, seria chamado de Apolo. Na última edição do MorumbiFashion, em janeiro, bastou o lindão exibir o torso saradíssimo para arrancar gritos histéricos da platéia. E, por tabela, ofuscar a participação do galã Thiago Lacerda no evento. Depois da proeza, obteve seu passaporte para o mundo artístico: um papel na próxima novela global das 8, Laços de Família.

 

 

A mulher, Cassiana: "Em nosso relacionamento não há espaço para o ciúme". O.k.

Zulu, que está com 36 anos, chega ao mundo das novelas com mais quilômetros rodados em desfiles do que outros modelos que tiveram o mesmo destino, como Thiago Lacerda ou Victor Fasano. Há oito anos na estrada, já trabalhou em Paris, Milão e Nova York. No próximo mês, será co-estrela de um editorial da revista Vogue americana, ao lado da top Gisele Bündchen, clicado pelo festejado fotógrafo peruano Mario Testino. Na novela da Globo, Zulu interpretará Romeu, instrutor de esqui aquático que, segundo ele, será introduzido aos poucos na trama. "Se eu for bem, o personagem cresce. Se não for, acho que morre afogado", diz, no seu estilo tranqüilo de pescador de robalo. Ele é realista sobre seus dotes dramáticos: "Mesmo não tendo o mínimo know-how, ofereço aquilo que sou: um personagem que faz a cabeça das mulheres". Não só a cabeça, Zulu, não só a cabeça... Mas há um sólido obstáculo e bota sólido nisso entre Zulu e as tietes: sua mulher, a modelo gaúcha Cassiana Mallmann, de 1,75 metro de altura e outras medidas nota 10. Eles estão juntos faz oito anos e a moça não quer saber de reforma agrária em seu latifúndio. A marcação é cerrada. Tanto que Zulu jura de pés juntos e esta não é apenas uma imagem que nunca, jamais, imagine-que-absurdo, pulou a cerca. "Nosso relacionamento está maduro o suficiente para não haver ciúme", desconversa Cassiana. O.k. Próximo tema, por favor.

Zulu é dado a elucubrações sobre seu universo circunstante e expõe opiniões sobre si próprio com um desembaraço desconcertante. "Sou um produto, assim como certas mulheres são um bem de consumo para os homens", afirma. Pausa para refletir. "O homem perdeu muito de seu instinto, ficou maleável demais perante a vida. Por isso é que o sexo feminino está carente. Elas querem uma imagem máscula como a minha, que possam admirar, correr atrás, fantasiar. E que não seja propaganda enganosa." Ou seja, Zulu é um produto com certificado de garantia. Ele acha que muitos galãs de televisão egressos das passarelas tiveram a reputação arranhada por causa de sua opção sexual (sim, ele acredita que sexualidade é escolha, e não destino). Sem citar nomes, faz questão de deixar claro: "Por mim, cada um faz o que bem entender da vida. Mas meu negócio é mulher".

Filho de um casal de professores de educação física, mãe descendente de alemães, Zulu teve uma juventude típica de garoto da Zona Sul do Rio. Pegava onda num quebra-mar da Barra da Tijuca e, debaixo dos caracóis de seus cabelos (hoje os traz bem rentes), vivia queimadão de sol. Daí vem o apelido. "Meus camaradas diziam que eu era igual aos zulus africanos. Achei legal a comparação porque eles formavam uma raça brava e forte." O modelo parou de estudar ao completar o 2º grau e passou a se dedicar só ao surfe, como profissional. Durante duas ou três temporadas, manteve-se entre 16º e trigésimo no ranking nacional. Mas, quando completou 28 anos, os patrocinadores já o estavam trocando por atletas mais jovens. Incentivado por amigos, Zulu resolveu levar seu book a uma agência de modelos. Deu certo no ato. "Quase caí duro quando vi aquele homem", lembra Sérgio Rocha Mattos, da agência Elite. Em quatro meses, o rapagão estava de viagem marcada para Paris, onde desfilou para estilistas como Jean-Paul Gaultier e Issey Miyake. Na capital francesa, ele conheceu sua mulher, Cassiana. Em apenas um mês, já dividiam o mesmo teto.

Desde que voltaram do exterior, três anos atrás, ambos vivem numa casa rústica na praia catarinense da Guarda do Embaú, a 40 quilômetros de Florianópolis. Lá, Zulu leva uma rotina entre espartana e natureba. Levanta às 6 da manhã, faz exercícios, cuida de sua horta sem agrotóxicos e segue uma dieta rigorosa. Ele deixou de comer carne vermelha há quinze anos, evita alimentos gordurosos, não fuma e não bebe nem um gole de cerveja sequer. "Álcool é fraqueza, deixa você a um passo da doideira das drogas", diz. No mundo da moda, é tido como um sujeito disciplinado, que cumpre os horários direitinho e está sempre de alto-astral. "Ele é correto, clássico e tem um corpão inacreditável", avalia Paulo Borges, diretor do MorumbiFashion. Zulu diz que não faz musculação. Seu condicionamento impecável é mantido à base de natação, jiu-jítsu, surfe e sessões de "ginástica natural" uma estranha modalidade que consiste em imitar os movimentos de bichos como tigre, cobra, jacaré e gorila. Para não falar da excelência genética, é claro. Dono de um corpo perfeito, como é que ele deixa seu espírito em forma? Digamos que se trata de um tipo contemplativo. O moço contempla ondas. E só. Nunca foi ao teatro e raramente vai ao cinema. "O que isso pode trazer para um pescador como eu? O que eu quero é acordar cedo todo dia, ir lá e matar meu peixinho." E emenda: "Pegando peixes, proporciono às pessoas um alimento abençoado por Jesus". Zulu é um santo.