Edição 1 642 - 29/3/2000

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Capitalismo verde

A nova aventura do Greenpeace é
comprar ações para forçar empresas
a investir no meio ambiente

Rodrigo Vieira da Cunha

Eduardo Issa
Ativistas do Greenpeace: as ações em alto-mar ganham um reforço engravatado

 

O movimento ambientalista Greenpeace é conhecido no mundo inteiro pelo barulho que costuma fazer nos protestos ecológicos. Os ativistas da organização já ficaram pendurados em baleias, foram arremessados de barcos e acamparam no Alasca sob temperatura de 40 graus negativos. Todas atividades com alto grau de adrenalina e audácia suficiente para garantir espaço na mídia. Agora, no entanto, o Greenpeace está se especializando em outro front. Bem menos arriscado, diga-se de passagem. Há quinze dias, o grupo anunciou o investimento de aproximadamente 250.000 dólares na compra de um lote de ações da poderosa multinacional Shell, um de seus maiores adversários. A quantia é mínima se comparada aos 2 bilhões de ações da Shell, mas suficiente para garantir ao Greenpeace uma cadeira no encontro anual de acionistas minoritários, marcado para maio. Nessa reunião, o grupo vai apresentar um estudo encomendado à empresa de consultoria KPMG, que aponta a produção em escala de painéis solares como um ótimo negócio, além de poupar o meio ambiente. A idéia é convencer os executivos da Shell a fabricar 5 milhões de painéis solares por ano, o suficiente para abastecer de energia 250.000 residências.

A estratégia de usar armas capitalistas para conseguir seus objetivos é uma novidade que vem ganhando espaço dentro do grupo. No ano passado, foi criada na Alemanha a Greenpeace-Energy, uma empresa que vai repassar a chamada energia limpa – obtida sem prejuízos ambientais – para consumidores interessados. Foi feito um acordo com uma geradora de energia que já possui uma carteira de 100.000 clientes. Em 1992, a ONG já havia comprado ações da indústria química francesa Rhone-Poulenc. O objetivo dos ecologistas era impedir que os franceses continuassem contaminando com lixo industrial uma área de Cubatão, município brasileiro próximo de São Paulo. Deu certo. "Não estamos abandonando o campo de batalha", garante Roberto Kishinami, diretor-geral do Greenpeace no Brasil. "Apenas utilizamos outras armas para o mesmo fim: defender as causas ecológicas."

Protestar em condições adversas é uma proeza típica de ativistas do Greenpeace, uma ONG que atua em 33 países e tem 2,8 milhões de associados. O grupo é conhecido como um dos mais radicais do mundo, ativo principalmente na defesa de espécies em extinção, da proibição de alimentos transgênicos e da Floresta Amazônica. Em 1998, o orçamento para financiar as ousadias da organização foi de 120 milhões de dólares. O próximo ataque com a nova estratégia já tem alvo marcado: a petrolífera British Petroleum-Amoco. No lugar de comprar participação, os ambientalistas querem convencer um grupo de 100 pessoas que possui mais de 150.000 ações da empresa a ajudar a impedir a construção de um oleoduto no Mar Beaufort, no Alasca. Eles vão conversar com um a um dos acionistas e tentar influenciá-los. Foi lá no Ártico que os ativistas do Greenpeace estiveram acampados, sob temperaturas de até 40 graus negativos. Os dias de agruras, contudo, podem estar no fim. O lema do grupo agora parece ser o velho: "Se não pode vencê-los, una-se a eles".

 
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Da internet
  Greenpeace
Shell - Brasil
Shell.com
Bpamoco.com