Edição 1 642 - 29/3/2000

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Amigo cibernético

Japoneses criam bicharocos eletrônicos
para substituir os animais de estimação

 
AP

Caravela e peixe robôs: sensores evitam trombadas com o vidro do aquário e com os peixes de verdade

Quem achava o Tamagotchi uma bobagem tecnológica não perde por esperar. Aquele bicho de estimação virtual que implorava por atenção e virou febre no Brasil há três anos está sendo sucedido por uma verdadeira fauna de animais cibernéticos. Cachorros, gatos, peixes, caranguejos e até águas-vivas feitos de plástico e metal foram a grande atração da Feira de Brinquedos de Tóquio, que terminou na semana passada. Há também versões mais sofisticadas do antigo Tamagotchi. A maioria dos produtos expostos deve estar à venda nas lojas japonesas no segundo semestre, por preços que variam de 20 a 500 dólares. Dali, devem ganhar o mundo. "Os robôs não são mais ficção científica", diz Tetsuji Kawakami, do departamento de pesquisa da fábrica de brinquedos Takara.

 
AFP

Patata, protótipo de cachorro eletrônico da Bandai: reage à voz com expressões faciais

A equipe de Kawakami desenvolveu o grupo de bichos artificiais que se tornaram a sensação da feira. Batizados com o nome de Aquaroid Fish, comportam-se com desenvoltura em ambientes aquáticos e podem conviver com animais de verdade. O peixe artificial é dotado de barbatanas movidas a energia solar e tem um cérebro computadorizado que, auxiliado por sensores, evita colisões com as paredes do aquário ou com companheiros de carne e espinha. Há caravelas eletrônicas que flutuam balançando seus tentáculos de mentira e lagostas e caranguejos que se movem pelo fundo dos aquários. O preço de cada um é 140 dólares. Um único porém está no quesito beleza: a maioria dos Aquaroids são muito feios.

 
Reuters
AFP

Chibi Botto, neto dos Tamagotchi: custa 20 dólares e mexe as pernas quando alguém bate em sua cabeça

Gato BN-1, de 470 dólares: movimentos parecidos aos de um felino de verdade

Na geração atual de bichos robôs há vários sucessores do Aibo, o cachorro criado pela Sony. Em junho do ano passado, ele encantou ao responder a comandos de voz e até abanar o rabo. O sucesso foi fulminante. A Sony vendeu em poucos dias, por 2.500 dólares, as 5.000 unidades produzidas. Hoje, há protótipos de cães capazes de sorrir e uma série de bichos que fazem coisas parecidas a preços bem mais acessíveis que o do Aibo. É o caso dos gatos BN-1, que têm movimentos similares aos dos felinos e custarão 470 dólares. "Eles nos dão a sensação de estarmos brincando com animais de verdade", exagera Hiroshi Matsumoto, da empresa ToyBox. "Os gatos, por exemplo, podem até miar." A ToyBox promete para breve a primeira versão mutante desses robôs. Será um ser metade gato e metade cachorro movido a chip e sensores eletrônicos. O que significa exatamente ainda não se sabe. Talvez uma máquina capaz de miar e latir.