Edição 1 642 - 29/3/2000

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Praia do ano 2000

A Ilha do Mel, no Paraná, quer brigar pelo
turista que vai a Búzios e Arraial d'Ajuda

Janaina Degraf

 

J. Carneiro

Ilha do Mel, no Paraná: 35 quilômetros de lindas praias, água tranqüila e golfinhos


De tempo em tempo, um novo balneário aparece no país como a mais perfeita tradução do paraíso. Búzios, no Rio de Janeiro, Arraial d'Ajuda, na Bahia, e Jericoacoara, no Ceará, já ocuparam esse posto. Neste ano, os paranaenses exigem o título para a Ilha do Mel. Com 35 quilômetros de lindas praias, águas tranqüilas para mergulhar e também boas ondas para o surfe, a ilha vem se tornando destino obrigatório para quem gosta de praia, natureza e vida mansa. Quando vão até lá, os visitantes nunca mais se esquecem de, pelo menos, dois bucólicos momentos: os grupos de golfinhos passeando entre os barcos e a visão de inúmeras espécies de aves marítimas. É com esse tipo de encanto que a estação ecológica, localizada na entrada da Baía de Paranaguá, vem recebendo cada vez mais turistas. Só nos três primeiros meses deste ano, 100.000 pessoas já foram conferir a beleza estonteante do lugar. O crescimento do fluxo é impressionante. Em 1998, a ilha recebeu 67.000 pessoas. No ano passado, o número pulou para quase 110.000. "Vamos dobrar a freqüência neste ano", explica José Antonio Andreguetto, presidente do Instituto Ambiental do Paraná, entidade estadual que cuida do lugar.

O fim do verão, na semana passada, não significou o fim dos visitantes. Mesmo fora de temporada, a ilha vem sendo invadida por turistas. Muitos de outros países. Eles representam, em média, 12% dos visitantes. Diferentemente dos brasileiros, ficam mais tempo e preferem alugar um quarto nas pousadas a acampar. Há poucas agências de turismo, quase todas em São Paulo, que oferecem pacotes turísticos para o lugar. Mas a internet tem sido a melhor agência de propaganda da ilha. Na rede, o lugar aparece com grande freqüência nos grupos de discussão de turismo e já é considerado roteiro obrigatório em vários sites especializados, como o www.brasiltur.com.br e o www.uhu.com.br.

Enquanto as reservas de floresta atlântica são destruídas ao longo da costa brasileira, a Ilha do Mel conserva a vegetação quase intocada. Até pouco tempo atrás, o lugar era visitado somente por mochileiros com pouco dinheiro e adolescentes em busca de finais de semana com liberdade total. Hoje, o esquema é mais profissional. A procura é tanta que foi estabelecido um número máximo de 5.000 visitantes na ilha. Cada vez que a marca é atingida, a travessia do continente para a ilha é suspensa. O controle é feito no posto de embarque que fica no município litorâneo de Pontal do Paraná. Há cinco anos, as únicas opções de hospedagem eram nove campings precários, 31 pousadas familiares e um hotel grande, porém rústico, para 130 pessoas. Hoje existem sessenta pousadas e dezesseis campings legalizados.

 

 

Turistas na trilha da Praia Grande: caminhadas

A profissionalização do complexo turístico é recente. O marco dessa transformação foi a chegada da luz elétrica. Antes, os ilhéus eram abastecidos com energia de geradores precários, movidos a diesel, das 7 da manhã às 10 da noite. Os cabos submarinos que levam energia do continente só foram instalados no final de 1998. Hoje o lugar é visitado por grandes famílias e excursões. Gente que perde o fôlego com a paisagem mágica, mas que não abre mão de um frigobar no quarto da pousada e boas refeições.

A Ilha do Mel ocupa uma pequena página na História do Brasil. Ela foi escolhida, no século XVIII, como ponto estratégico na defesa do Porto Dom Pedro II, na baía da então Província de Paranaguá. Por ordem de dom José I, rei de Portugal, em 1766 foi construída a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres. O objetivo era garantir a segurança do porto onde eram embarcados o ouro, a madeira e, mais tarde, a erva-mate, extraídos das terras do continente. Quem chega ao forte fica sabendo que os doze canhões apontados para o oceano já foram usados. Em 1850, o vapor de guerra inglês Cormorant tentava aportar no Brasil para fazer tráfico ilegal de escravos africanos, mas foi expulso pelos canhões do forte. A batalha, que ficou conhecida como Combate Cormorant, foi a última e mais importante da fortaleza. Apesar das agressões do tempo, ela continua sendo uma das grandes atrações da ilha e um dos mais belos monumentos militares do país. É de encher os olhos.