Praia do ano 2000
A Ilha do Mel, no Paraná, quer brigar
pelo
turista que vai a Búzios e Arraial d'Ajuda
Janaina Degraf
J. Carneiro
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Ilha do Mel,
no Paraná: 35 quilômetros de lindas
praias, água tranqüila e golfinhos
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De tempo em tempo, um novo balneário aparece no
país como a mais perfeita tradução
do paraíso. Búzios, no Rio de Janeiro, Arraial
d'Ajuda, na Bahia, e Jericoacoara, no Ceará, já
ocuparam esse posto. Neste ano, os paranaenses exigem o
título para a Ilha do Mel. Com 35 quilômetros
de lindas praias, águas tranqüilas para mergulhar
e também boas ondas para o surfe, a ilha vem se tornando
destino obrigatório para quem gosta de praia, natureza
e vida mansa. Quando vão até lá, os
visitantes nunca mais se esquecem de, pelo menos, dois bucólicos
momentos: os grupos de golfinhos passeando entre os barcos
e a visão de inúmeras espécies de aves
marítimas. É com esse tipo de encanto que
a estação ecológica, localizada na
entrada da Baía de Paranaguá, vem recebendo
cada vez mais turistas. Só nos três primeiros
meses deste ano, 100.000 pessoas
já foram conferir a beleza estonteante do lugar.
O crescimento do fluxo é impressionante. Em 1998,
a ilha recebeu 67.000 pessoas.
No ano passado, o número pulou para quase 110.000.
"Vamos dobrar a freqüência neste ano", explica
José Antonio Andreguetto, presidente do Instituto
Ambiental do Paraná, entidade estadual que cuida
do lugar.
O
fim do verão, na semana passada, não significou
o fim dos visitantes. Mesmo fora de temporada, a ilha vem
sendo invadida por turistas. Muitos de outros países.
Eles representam, em média, 12% dos visitantes. Diferentemente
dos brasileiros, ficam mais tempo e preferem alugar um quarto
nas pousadas a acampar. Há poucas agências
de turismo, quase todas em São Paulo, que oferecem
pacotes turísticos para o lugar. Mas a internet tem
sido a melhor agência de propaganda da ilha. Na rede,
o lugar aparece com grande freqüência nos grupos
de discussão de turismo e já é considerado
roteiro obrigatório em vários sites especializados,
como o www.brasiltur.com.br
e o www.uhu.com.br.
Enquanto as reservas de floresta atlântica são
destruídas ao longo da costa brasileira, a Ilha do
Mel conserva a vegetação quase intocada. Até
pouco tempo atrás, o lugar era visitado somente por
mochileiros com pouco dinheiro e adolescentes em busca de
finais de semana com liberdade total. Hoje, o esquema é
mais profissional. A procura é tanta que foi estabelecido
um número máximo de 5.000
visitantes na ilha. Cada vez que a marca é atingida,
a travessia do continente para a ilha é suspensa.
O controle é feito no posto de embarque que fica
no município litorâneo de Pontal do Paraná.
Há cinco anos, as únicas opções
de hospedagem eram nove campings precários, 31 pousadas
familiares e um hotel grande, porém rústico,
para 130 pessoas. Hoje existem sessenta pousadas e dezesseis
campings legalizados.
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| Turistas na trilha da Praia Grande:
caminhadas |
A profissionalização do complexo turístico
é recente. O marco dessa transformação
foi a chegada da luz elétrica. Antes, os ilhéus
eram abastecidos com energia de geradores precários,
movidos a diesel, das 7 da manhã às 10 da
noite. Os cabos submarinos que levam energia do continente
só foram instalados no final de 1998. Hoje o lugar
é visitado por grandes famílias e excursões.
Gente que perde o fôlego com a paisagem mágica,
mas que não abre mão de um frigobar no quarto
da pousada e boas refeições.
A Ilha do Mel ocupa uma pequena página na História
do Brasil. Ela foi escolhida, no século XVIII, como
ponto estratégico na defesa do Porto Dom Pedro II,
na baía da então Província de Paranaguá.
Por ordem de dom José I, rei de Portugal, em 1766
foi construída a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres.
O objetivo era garantir a segurança do porto onde
eram embarcados o ouro, a madeira e, mais tarde, a erva-mate,
extraídos das terras do continente. Quem chega ao
forte fica sabendo que os doze canhões apontados
para o oceano já foram usados. Em 1850, o vapor de
guerra inglês Cormorant tentava aportar no
Brasil para fazer tráfico ilegal de escravos africanos,
mas foi expulso pelos canhões do forte. A batalha,
que ficou conhecida como Combate Cormorant, foi a
última e mais importante da fortaleza. Apesar das
agressões do tempo, ela continua sendo uma das grandes
atrações da ilha e um dos mais belos monumentos
militares do país. É de encher os olhos.