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A guerra dos megajatos
Boeing e Airbus lançam seus modelos
de avião executivo. Eles são de arrasar
Christian Schwartz
A briga promete ser feia. A americana Boeing e a européia
Airbus, os dois maiores fabricantes de aviões do
mundo, resolveram entrar para valer no mercado dos jatos
executivos. E estrearam bem ao seu estilo: com dois verdadeiros
colossos voadores cujo preço, dependendo de como
o cliente resolve decorar o amplo espaço interno,
pode chegar a 50 milhões de dólares. Tradicionais
concorrentes no mercado de aviões de grande porte,
as duas empresas projetaram seus primeiros modelos executivos
a partir de um know-how de décadas. Criaram, assim,
uma categoria superior à dos já suntuosos
superjatos, como o Gulfstream V, ainda o preferido de milionários
e homens de negócios. Boeing Business Jet e Airbus
Corporate Jetliner, ambos inspirados em modelos da aviação
comercial, são o que se poderia chamar de megajatos.
São máquinas incríveis capazes de fazer
o percurso São PauloMoscou em apenas treze
horas. Sem escala.
O modelo da Boeing fez o vôo inaugural ainda no final
de 1998, mas só em setembro do ano passado um dos
novos aparelhos chegou às mãos do primeiro
comprador. O milionário sortudo pediu sigilo sobre
sua identidade. Até o início deste ano, a
empresa contava mais de cinqüenta encomendas do BBJ,
como é conhecido o jato, mas apenas cinco já
tinham sido entregues. A máquina é mesmo um
luxo para poucos: com 75 metros quadrados de área,
pode carregar a bordo camas, banheiro equipado com chuveiro,
um cômodo para reuniões e até uma pequena
sala de ginástica tudo montado e decorado
ao gosto do freguês. Na configuração
mais confortável, é projetado para oito passageiros,
mas apertando um pouco pode levar até cinqüenta.
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O jato da Airbus, que tem 79 metros
quadrados de área e quatro modelos voando:
configurações que variam de dez a 43
passageiros conforme a decoração interna
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O jato da Airbus oferece espaço um pouquinho maior:
tem 79 metros quadrados e carrega entre dez e 43 passageiros
de acordo com a decoração interna. A divisão
de cômodos e equipamentos também é definida
pelo comprador. O privilégio de voar num ACJ (sigla
para Airbus Corporate Jetliner) está restrito, por
enquanto, aos executivos de duas grandes corporações
cujas marcas são mantidas em segredo e aos membros
do primeiro escalão do governo italiano, que comprou
dois aparelhos no início deste mês. No total,
são apenas quatro modelos como esses cruzando os
céus.
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O modelo da Boeing
é mesmo um luxo para poucos: pode carregar
a bordo camas, banheiro equipado com chuveiro, um
cômodo para reuniões e até uma
sala de ginástica
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Concorrentes na briga pelos clientes, os jatos da Boeing
e da Airbus têm a mesma tecnologia de bordo. São
aeronaves que praticamente não dependem da ajuda
das torres de controle dos aeroportos para se orientar.
Atingem velocidades de até 900 quilômetros
por hora e navegam totalmente via satélite. Essa
conexão é também mais um conforto para
os passageiros, que podem plugar-se à internet para,
por exemplo, resolver os negócios mais urgentes.
Com todo o arsenal tecnológico e os assessores mais
próximos a bordo, um executivo ou chefe de Estado
pode começar a fechar acordos e transações
a 15.000 metros de altitude,
horas antes de chegar ao destino da viagem. Ou simplesmente
aproveitar para relaxar assistindo à TV, que funciona
perfeitamente graças à conexão com
o satélite.
A
guerra dos megajatos aparece num momento em que as vendas
no mercado da aviação civil estão em
baixa. Na semana passada, o governo americano apontou a
queda nas exportações de aviões como
uma das principais causas do déficit de 28 bilhões
de dólares na balança comercial do país
verificado em janeiro. No primeiro mês do ano, a Boeing
exportou apenas dezesseis de seus aviões de carreira,
vinte menos que em dezembro. Com os novos jatões
executivos, a indústria aeronáutica espera
poder reaquecer as turbinas.
Um presente para jobs
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Gulfstream V:
o preferido de milionários e homens de
negócios
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Enquanto as gigantes Boeing e Airbus se engalfinham
por um primeiro naco do mercado de jatos executivos,
o fabricante líder do setor vai de vento em
popa. Há quarenta anos produzindo aviões
de luxo que servem a grandes empresas, governos dos
quatro cantos do mundo e gente muito, muito rica,
a empresa americana Gulfstream parece não estar
nem aí para os novos concorrentes. Por uma
razão simples: o Gulfstream V, modelo de ponta
da empresa, que custa 42 milhões de dólares,
é disparado o preferido de quem se arrisca
a comprar máquinas tão caras. Desde
1997, mais de oitenta desses aviões foram entregues,
segundo o representante da empresa no Brasil. Outros
trinta estão em fase de acabamento, quase prontos
para voar, o que fará com que a frota em atividade
dos G-V, como são conhecidos, em breve ultrapasse
uma centena de aparelhos.
O jato executivo mais vendido no mundo é,
além de um assombro tecnológico, um
charme. Tem menos da metade do tamanho dos novos jatões
e, na configuração mais pedida pelos
clientes, capacidade para treze a quinze pessoas.
Em geral dividido em três cômodos, o avião
oferece o conforto de um pequeno apartamento. Também
é capaz, como os aparelhos da Boeing e da Airbus,
de fazer a rota São PauloMoscou sem escalas,
navegando via satélite e orientado por sensores
que avisam a aproximação de outras aeronaves.
Voa a até 850 quilômetros por hora.
A preferência de celebridades e executivos
pela marca Gulfstream é um fenômeno que
já se verificava com o modelo anterior ao G-V,
o Gulfstream IV. A liderança é absoluta
entre as grandes empresas americanas: das cinqüenta
maiores, segundo o ranking da revista Fortune,
45 utilizam o G-IV ou o G-V. O último alto
executivo a aderir foi Steve Jobs, o homem que tirou
a Apple do buraco com seus computadores de cores berrantes,
os iMac. Jobs voltou à empresa que ajudou a
fundar para receber um salário simbólico
de 1 dólar por ano. Cumpriu a missão
de recuperar o negócio e, por decisão
do conselho de executivos, agora tem um G-V para se
deslocar de seu escritório na Apple para a
empresa de animação que mantém
em San Francisco. Um mimo mais do que merecido.
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