Edição 1 642 - 29/3/2000

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Agora é para valer

Brasil estréia nas eliminatórias mais longas
que já enfrentou para chegar ao Mundial

 

A seleção comemora: só uma derrota
desde 1954


Até o final do ano que vem, a Seleção Brasileira de Futebol vai estar ocupada com uma competição de verdade. Na terça 28, o time começa a corrida em busca de uma vaga para a Copa de 2002, enfrentando a Colômbia, em Bogotá. A disputa por uma das quatro vagas em jogo na América do Sul só termina em novembro de 2001, contra a Venezuela, em São Paulo. Será o mais longo caminho que a equipe já percorreu numa eliminatória, com um total de dezoito partidas, em jogos de ida e volta contra as outras nove forças do continente. É uma boa solução para um dos maiores problemas da seleção canarinho. Em vez de disputar amistosos sem interesse e contra adversários como a Tailândia ou a Coréia do Sul, o Brasil entra em clima de campeonato. Pela primeira vez na história, vai enfrentar os arqui-rivais argentinos na fase classificatória. Apesar disso, é quase impossível que não ocupe uma das vagas. "Embora seja muito mais cansativo, o novo sistema permite que o time se recupere de um mau resultado, coisa que não ocorria antigamente", afirma o ex-jogador Casagrande, que participou das eliminatórias de 1986.

Até 1994, as equipes do continente eram divididas em vários grupos, de forma a evitar o cruzamento entre as grandes forças, Argentina e Brasil. A Argentina, por exemplo, foi tirada da Copa de 1970 por causa de um surpreendente empate com o Peru. Para chegar ao Mundial de 1994, sofreu a humilhação de disputar uma vaga na repescagem contra a Austrália. O Brasil sempre teve um desempenho irrepreensível durante as oito eliminatórias que disputou. Desde 1954, quando o funil das rodadas classificatórias foi instituído para definir os participantes do campeonato, a seleção garantiu sua vaga sem maiores sobressaltos. Foram 38 jogos, 29 vitórias e apenas uma derrota, sofrida contra a Bolívia na cidade de La Paz, na asfixiante altitude de 3.600 metros acima do nível do mar, em 1993.




Mesmo passando pelo desafio, a seleção brasileira já viveu grandes momentos de emoção em jogos de eliminatórias. Em 1969, a partida final contra o Paraguai, com vitória brasileira de 1 a 0, foi assistida por mais de 183.000 pessoas, recorde oficial de público do Maracanã. Na disputa para a Copa de 1990, estava ganhando de 1 a 0 do Chile, no mesmo estádio, mas o jogo foi interrompido quando o goleiro adversário simulou ter sido atingido por um rojão. No julgamento, a Fifa, órgão máximo do futebol, deu a vitória ao time canarinho. Durante a campanha para 1994, a equipe dependia de um empate na partida final, dessa vez contra o Uruguai, também no Maracanã. O artilheiro Romário, que estava afastado do time por indisciplina, foi convocado para a decisão pelo técnico Carlos Alberto Parreira. E acabou marcando os dois gols da partida. A principal dificuldade do time canarinho agora será reunir os jogadores. Para não perder por um longo período os craques brasileiros que atuam na Europa, os clubes estrangeiros exigiram o direito de só os liberar três dias antes da estréia contra a Colômbia. Nas outras partidas, esse prazo deve ser estendido para, no máximo, cinco dias. "Toda a preparação ficou prejudicada", afirma Renato Lotufo, fisiologista da seleção. Resta a Luxemburgo reunir o time no avião e confiar no talento de estrelas como Rivaldo e Roberto Carlos.