Agora é para valer
Brasil estréia nas eliminatórias
mais longas
que já enfrentou para chegar ao Mundial
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A seleção comemora:
só uma derrota
desde 1954
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Até o final do ano que vem, a Seleção
Brasileira de Futebol vai estar ocupada com uma competição
de verdade. Na terça 28, o time começa a corrida
em busca de uma vaga para a Copa de 2002, enfrentando a
Colômbia, em Bogotá. A disputa por uma das
quatro vagas em jogo na América do Sul só
termina em novembro de 2001, contra a Venezuela, em São
Paulo. Será o mais longo caminho que a equipe já
percorreu numa eliminatória, com um total de dezoito
partidas, em jogos de ida e volta contra as outras nove
forças do continente. É uma boa solução
para um dos maiores problemas da seleção canarinho.
Em vez de disputar amistosos sem interesse e contra adversários
como a Tailândia ou a Coréia do Sul, o Brasil
entra em clima de campeonato. Pela primeira vez na história,
vai enfrentar os arqui-rivais argentinos na fase classificatória.
Apesar disso, é quase impossível que não
ocupe uma das vagas. "Embora seja muito mais cansativo,
o novo sistema permite que o time se recupere de um mau
resultado, coisa que não ocorria antigamente", afirma
o ex-jogador Casagrande, que participou das eliminatórias
de 1986.
Até 1994, as equipes do continente eram divididas
em vários grupos, de forma a evitar o cruzamento
entre as grandes forças, Argentina e Brasil. A Argentina,
por exemplo, foi tirada da Copa de 1970 por causa de um
surpreendente empate com o Peru. Para chegar ao Mundial
de 1994, sofreu a humilhação de disputar uma
vaga na repescagem contra a Austrália. O Brasil sempre
teve um desempenho irrepreensível durante as oito
eliminatórias que disputou. Desde 1954, quando o
funil das rodadas classificatórias foi instituído
para definir os participantes do campeonato, a seleção
garantiu sua vaga sem maiores sobressaltos. Foram 38 jogos,
29 vitórias e apenas uma derrota, sofrida contra
a Bolívia na cidade de La Paz, na asfixiante altitude
de 3.600 metros acima do nível
do mar, em 1993.

Mesmo passando pelo desafio, a seleção
brasileira já viveu grandes momentos de emoção
em jogos de eliminatórias. Em 1969, a partida final
contra o Paraguai, com vitória brasileira de 1 a
0, foi assistida por mais de 183.000
pessoas, recorde oficial de público do Maracanã.
Na disputa para a Copa de 1990, estava ganhando de 1 a 0
do Chile, no mesmo estádio, mas o jogo foi interrompido
quando o goleiro adversário simulou ter sido atingido
por um rojão. No julgamento, a Fifa, órgão
máximo do futebol, deu a vitória ao time canarinho.
Durante a campanha para 1994, a equipe dependia de um empate
na partida final, dessa vez contra o Uruguai, também
no Maracanã. O artilheiro Romário, que estava
afastado do time por indisciplina, foi convocado para a
decisão pelo técnico Carlos Alberto Parreira.
E acabou marcando os dois gols da partida. A principal dificuldade
do time canarinho agora será reunir os jogadores.
Para não perder por um longo período os craques
brasileiros que atuam na Europa, os clubes estrangeiros
exigiram o direito de só os liberar três dias
antes da estréia contra a Colômbia. Nas outras
partidas, esse prazo deve ser estendido para, no máximo,
cinco dias. "Toda a preparação ficou prejudicada",
afirma Renato Lotufo, fisiologista da seleção.
Resta a Luxemburgo reunir o time no avião e confiar
no talento de estrelas como Rivaldo e Roberto Carlos.