|
|
|
Edição
1 642 -29/3/2000
|
|
|
Nem sempre os jornalistas conseguem fazer boas reportagens simplesmente com perguntas aos entrevistados. Muitas vezes é preciso passar um tempo vivendo como os personagens que se deseja retratar. Foi o que fez a repórter Tatiana Chiari, 23 anos, escalada para escrever sobre como funcionam os cursos preparatórios de noivos ministrados pela Igreja Católica. Todos os anos 700.000 casais tomam a decisão de subir ao altar numa cerimônia religiosa católica. Sem o diploma do curso, ministrado por padres com a ajuda de leigos da Igreja, não há como receber a bênção do sacerdote. Tatiana inscreveu-se no curso de noivos e assistiu às aulas acompanhada do fotógrafo Antonio Milena. Durante um final de semana, eles se apresentaram como um casal. Tatiana passou treze horas assistindo às palestras ao lado de um grupo de casais. Desde o princípio, a orientação para a dupla era de que a reportagem só viria a ser escrita com a concordância dos retratados. "Passamos por noivos, mas nos comprometemos a só publicar o que presenciamos depois de revelar a verdade a quem participasse da reportagem e aos organizadores do curso", diz Tatiana. Eles concordaram e ainda convidaram o "casal" de repórteres para as diversas cerimônias de casamento. Milena fotografou uma delas, que ilustra a reportagem. Tão curiosa quanto a experiência de Tatiana foi a vivida pela jornalista alemã Karin Finkenzeller, 31 anos, da agência de notícias France-Presse (AFP). Karin está fazendo um estágio de dois meses na redação de VEJA, em São Paulo. Nesta edição, ela foi encarregada de uma reportagem sobre o Exame Nacional de Cursos, o Provão – e depois se arriscou a escrever um texto em português. A jornalista saiu-se bastante bem. Responsável pela editoria de Mercosul da AFP, Karin é poliglota. Expressa-se em quatro idiomas, além do alemão: inglês, francês, português e espanhol.
|
|