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Edição 1 787 - 29 de janeiro de 2003
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Clone, mas diferente

Animal clonado não é cópia fiel do original nem na aparência nem no temperamento

 
AP
Rainbow e Cc: iguais somente no teste de DNA

"Rainbow" é uma gatinha malhada, com manchas castanhas, marrons e douradas. O pêlo de "Cc" (de cópia carbono) só tem listras cinza. Rainbow é uma gata circunspecta. Cc é mais magra, curiosa e brincalhona. As diferenças não chamariam a atenção se a gata Cc não fosse o clone de Rainbow. Mais do que isso, trata-se do primeiro clone de animal doméstico, cujo nascimento foi financiado por uma empresa americana, a Genetic Savings & Clone. O dono da companhia, o milionário John Sperling, gastou 3,7 milhões de dólares no projeto com dois objetivos. O primeiro foi clonar sua cadela, uma vira-lata chamada "Missy" – experiência que ainda não deu certo. O segundo era oferecer às pessoas a oportunidade de clonar seus animais de estimação. Na semana passada, os veterinários da Universidade do Texas A&M, responsáveis pelo nascimento de Cc, anunciaram a conclusão surpreendente: apesar de compartilharem o mesmo código genético, os animais clonados não são cópias fiéis dos originais.

As causas dessa diferença ainda não estão claras, mas é possível que se encontrem nas técnicas de clonagem. "Não há controle sobre o que acontece com o DNA nesse processo", diz o geneticista Salmo Raskin. Os códigos genéticos da matriz e do clone podem ser comparados a livros com as mesmas letras dispostas em seqüências idênticas – mas nem sempre as mesmas letras (os genes) se tornam ativas em cada animal. É uma espécie de loteria. No caso dos gatos, ter o mesmo DNA não é garantia de conseguir um padrão idêntico de pelagem, pois fatores ambientais contam na definição das cores. Mas a diferença de personalidade é inteiramente inesperada. A mesma universidade acompanhou o comportamento de ninhadas de porcos clonados e descobriu que têm temperamentos tão distintos entre si quanto os animais normais. "Eles preferiam alimentos diferentes, guinchavam de maneira diversa e nenhum reagia aos tratadores do mesmo jeito", conta o pesquisador Greg Archer, responsável pela experiência. A conclusão é decepcionante para quem gostaria de trazer de volta um animal de estimação ou, até mesmo, um filho que morreu. O próprio Sperling, desapontado com o fracasso da clonagem de sua cadelinha, cortou a verba da universidade. Os pesquisadores da Texas A&M, por sua vez, avisaram que agora vão se dedicar a clonar gado e animais selvagens, que ninguém vai dar a mínima se reconhecem o dono ou não.

   
 
   
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